Lusofonía VII: unha Galiza útil

“A Galiza é o nosso melhor contacto. Pode a Espanha ser-nos um exemplo de sociedade, e é decerto um parceiro comercial. Mas não nos é, nunca foi, nem parece que venha a ser, um interlocutor. Até hoje, ninguém apresentou uma fórmula para isso que não diminuísse Portugal.

A Galiza, essa, há-de servir-nos, sempre, de casa ao lado. Com amigos certos. Para uma longa conversa ao pôr-do-sol.” (Fernando Venâncio, Aspirina B)

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.

3 thoughts on “Lusofonía VII: unha Galiza útil

  1. Estimado José Ramão G. Carvalheira:
    Concordo com o senhor na maioria dos pontos do seu comentário. Porém, acho que o interessante dessas questões reside mais no «como» do que no «que». Isso é que realmente deve ocupar-nos: qual o autêntico catalisador para essa situação for possível?
    A) Um outro sentimento de identidade galega não nasce do simples desejo seu ou meu que, como tal nem tem que ser mais lícito do que o de outrem. Além da sensibilidade pessoal para que algo aconteça a este nível é preciso contar com razões de carácter social, uma necessidade real da comunidade para a que se sinta impelida a caminhar. Onde reside o fundamento dessa necessidade, que pressupomos existe? Se conhecêssemos a resposta só haveria de puxar em ela para fazê-la visível a todos.
    B) Se a Galiza precisasse de uma particular acção dentro da Espanha a respeito de Portugal só poderia vir do que lhe é comum com esse país, e a sua língua constituiria portanto um instrumento irrecussável.
    C) Se fosse patente a necessidade acima comentada a aproximação a Portugal seria um facto natural e iminente.
    D) Se os casos anteriores fossem a realidade este ponto não faria qualquer sentido. A imagem exterior da Galiza seria bem diferente.
    E) Os galegos dedicados ao negócio sempre desejarão fazer negócios, e no caso de uma muito fluida relação com Portugal este campo das relações havia de ser, na actualidade, muito mais vasto. Porém, no caso da gente da cultura —acho que aqui pretendemos falar nestes termos— havia de dar-se um «sucesso» semelhante.

    Assim as coisas, e recapitulando, para além dos nossos melhores desejos, onde essa necessidade a que deva abrir os olhos a nossa sociedade? Evidentemente, além do medo a deitar dia após dia a cultura própria, pois já os galegos temos demonstrado que para fazer dinheiro podemos falar castelhano, francês, inglês, alemão…

  2. José Ramão G. Carvalheira

    Para uma verdadeira aproximação galego-portuguesa cumpriria várias cousas:
    a) uma verdadeira identidade nacional galega, vendo-nos como um todo, e não como simples espanhois de terça categoria. Sim, sei que é um tópico já mui recurrente, mas é certo. Mentres nos vejamos como simples espanholitos não tem muito sentido isso da “amistad gallego-portuguesa”. Acho algo cursi e sem sentido. Para isso um algo mais honesto, como “anistad española-portuguesa”. Ponto um, identidade galega.
    b) Defesa desde já da cultura e língua galegas, sem excussas, sem nenhum “mas”. A língua galega deve ser uma das poucas cousas innegociáveis e irrenunciáveis da cidadania galega.
    c) verdadeira aproximação a Portugal. Que sabemos de Portugal, do seu dia-a-dia, da sua verdadeira cultura? (além dos fados e dos galos que pronosticam a chuva?)
    d) vender uma imagem ao exterior de que a Espanha não é toda igual, uniforme, que ná nações dentro dela mui diferentes à visão típica da “paella”, “flamenco” e inclussive da língua. E ser o suficientemente inteligentes para mostrar-nos como os verdadeiros pais de uma das línguas mais faladas no mundo, embora a grafia que se utilice semelhe mais a dum dialesto do espanhol que a qualquer outra cousa.
    e) fazer-nos ver em Portugal como verdadeiros irmãos (não so para fazer suculentos negócios ou para mercar toalhas) e não como parte dum invento que nada vai com eles (nem com nós). É como se um madrilenho ou um andaluz lhes dizem que são irmãos de Portugal…

    Com estes pontos acho que o aproximamento entre a Galiza e Portugal será real.

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