Na hora redonda, de Tati Mancebo

luasol1.jpgNa hora redonda, de Tati Mancebo, é ofrecida na web de d’ Os Cadernos de Azertyuiop tal como foi editada na súa segunda edición, en 1998. O peso das cores, a idea do tempo (tratada dunha perspectiva case mítica) e o aspecto lúdico configuran un libro en que a brevidade dos poemas e a diversidade dun imaxinario impactante definen unha posíbel “poesía da imaxe”. Outra mostra da variedade da poesía galega dos anos 90. A gravura que aparecía na capa e agora tamén ilustra os textos é de Alberto Esperante.

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Conto de Natal, por Pedro Casteleiro

Talvez devia dizer adivinha: adivinha de Natal. Vejamos. Será que o leitor pode averiguar de que divindade estou a falar… se escrevo que se trata de um menino divino, filho de uma virgem e nascido numa gruta, no dia 25 de Dezembro, segundo a tradição acalentado por um vaca e um burro, que foi descoberto e adorado primeiramente por uns pastores, e recebe presentes, ouro e essências; e que anos depois terá uma paixão em que levará uma pesada carga, em cujo transporte cairá várias vezes, terminando tudo com um sacrifício sangrento. Bem, agrego novas pistas, falamos de um culto de origem oriental, concreta e parcialmente sírio-palestinense, que alcança seu auge no século I da nossa era na cidade de Roma, mas também ao longo de todo o Império, e –digo mais- que o seu culto se celebrava com jantares de amizade em que os adeptos comiam pão e bebiam vinho, sendo seu dia sagrado o domingo. Pronto, também direi que o sacrifício desta personalidade divina, chamada de Salvador ou Bom Pastor pelos seus adoradores, era uma acção redentora que lavava os pecados pessoais de quem se iniciava, muitas vezes com um baptismo, na sua misteriosa doutrina.

Nesta altura, prezado leitor, já sabe que falo da divindade cujo nascimento era celebrado em Roma no dia 25 de Dezembro, antes de que a Igreja Cristã trasladasse a essa data a festa do Natal, confessadamente para aproveitar a piedade já instalada à volta do nosso enigmático encoberto: o deus Mitra, o Sol Invencível. Mas não se assuste, não é o único que tinha uma biografia semelhante já que em toda a bacia do mediterrâneo o arquétipo de jovem redentor à maneira mitraica estendia seu culto e mistério sob múltiplos nomes e é Mithra Sol Invictus apenas um deles, fruto todavia da mistura entre o deus irânio Mitra e uma antiga deidade palestinense, como antes adiantava. Mas, por outro lado, a biografia atribuída a Mitra é parcialmente polémica, seus cultos estavam rodeados de confidencialidade e não é possível determinar a direcção exacta do fluxo de influências biográficas entre Cristo e Mitra, sob qualquer dos seus nomes. Acrescento, pelo seu interesse, que um sincretismo posterior sobre o sincrético Mitra, o culto ao deus Sol, chega a ser religião oficial romana e que esse é o culto favorito do Imperador Constantino, padroeiro do cristianismo, quem vela por achegar ao catolicismo elementos de seu culto antes e durante o singular concílio de Niceia –a que preside!- depois do qual vem a ser decretada a proibição da religião solar mitraica, já no 391, sob Teodósio, ficando o novo cristianismo como único sincretismo fortalecedor da unidade política imperial.

Não obstante, há quem diz que ainda mais do que o mitraísmo e derivados o verdadeiro competidor da Igreja naqueles momentos era o Gnosticismo. Em qualquer caso parece que tanto um quanto o outro foram influências e inimigos sérios para as aspirações de uma parte dos dirigentes do cristianismo da altura. E isso me conduz a clarificar minha intenção aqui, que não é em absoluto a de fazer qualquer tipo de alegato anti-eclesiástico nem cousa que se parecer. Mas chamar a atenção para uma tese, a das origens do cristianismo segundo o matemático e filósofo René Guénon, quem a princípios do século XX escrevia que achava claro que o cristianismo original nada tinha a ver com o posteriormente oficializado no concílio niceano, identificando o movimento inicial de seguidores de Jesus de Nazaret, à maneira em que a propósito era considerado pelo Islão inicial, apenas como uma escola de iniciação filosófica –tal e como isso era entendido no Mediterrâneo do momento- e carente de qualquer intenção dogmática e cultual. Um movimento inicial, que confessava Jesus como seu guia, senhor, Rabbi, mas nunca como um deus ao estilo greco-romano nem como uma hipóstase do Real Absoluto, já que como bons filhos do monoteísta Abraão uma identificação ôntica, única e última, entre um humano e o Ser seria inconcebível. Isto sem prejuízo de todas as veleidades politeístas e henoteístas* que marcam a história bíblica. René Guénon acrescentava que o cristianismo original toma a decisão de abandonar a sua hermética delineação inicial, que envolvia dificuldades notáveis para ser aceito no seu caminho iniciático –e gostaria de que isto fique longe de interpretações esotéricas ad usum. Mas era esse, precisamente, o título inicial do grupo: a Gente do Caminho –como são chamadas ainda hoje sem excepção as diversas escolas iluministas de Oriente- antes de ser denominado pela primeira vez na cidade de Antióquia com o nome de Cristãos, que significa messiânicos, nome que recebem até hoje nos países islâmicos (masihi). Mas dizia Guénon que a Gente do Caminho abandona a sua intenção, pelo menos em parte, por que? Com a reorientada, sugere, intenção de ser a nova base civilizacional para um Império em descomposição. E, segundo René Guénon, conseguiu na altura aquilo que pretendia.

Bom Natal.

*Henoteísmo: em rápida definição, espécie de politeísmo em que um deus, habitualmente associado com determinado povo, deve ser adorado com exclusão dos demais.

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PROTEXTA, suplemento da nova Tempos Novos

O número 115 de Tempos Novos, revista de información para o debate, apresenta novos tempos na súa oferta de contidos e formas. Aumenta o número de páxinas, de seccións, de colaboradores e de temas tratados. Mudan tamén o formato, que agora me parece máis manexábel, e a estética, que continúa, aínda que haberá que darlle máis oportunidades, sen ser todo o atractiva que podería ser. Non o digo porque sexa desaxeitada, senón porque non logra (ou non quere) saír do convencional.

Mais a grande sorpresa está na utilísima corcova que lle saíu a esta revista-dromedario que como animal adaptado cruza o deserto das revistas impresas de información desde hai nove anos: o suplemento protexta. E falo dunha corcova porque se trata dun suplemento dedicado exclusivamente a libros, o que para min resulta un pozo portátil con que camiñar en territorios de sede de información libresca (vexan cantas editoriais con web ofrecen enviar as novidades ao seu enderezo electrónico periodicamente, por exemplo). Aquí puiden hoxe hidratarme con:

  • -Catro reportaxes
  • -Dezanove reseñas sobre narrativa
  • -Catro sobre poesía
  • -Trece doutros temas: política, historia, economía…
  • -Unha sobre blogues

Saúdo con gratitude o esforzo acrecentado desta revista, que xa ten merecido un lugar á par de Teima, revista galega de información xeral, heroica e xa histórica publicación nacida nunha época carregada cuns lastros que desexamos abandonar definitivamente, tanto polos que veñen atrás como por cumprir o desexo compartido daqueles que levan trinta anos labrando pola entrada deste país na modernidade.

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Presentación na Coruña de Para unha luz ausente, de Xavier Seoane

Presentación na Coruña de Para unha luz ausente, de Xavier Seoane

Presentación na Coruña de Para unha luz ausente, de Xavier Seoane

Este venres ás oito, no espazo do Ámbito Cultural de El Corte Inglés, presentouse o libro Para unha luz ausente de Xavier Seoane, vencedor no XIVº Premio Espiral Maior. Interviñeron, ademais dun representante da firma patrocinadora, o editor da obra e xestor do premio Espiral Maior Miguel Anxo Fernán Vello, Xosé María Álvarez Cáccamo en calidade de membro do xurado, e Miguel Anxo Prado como lector.

A sala do segundo andar estaba chea, e despois da “demora” habitual nestes eventos Fernán Vello valorou a obra, o autor, os apoios e o incentivo económico que supón concursar para apañar doce mil euros, o lote máis suculento dos premios de poesía da Galiza. Logo Cáccamo sinalou a madurez ben rendibilizada do autor, así como o feito de seren compañeiros de viaxe artística desde hai case trinta anos. Prado, pola súa parte, apoiou a súa valoración da obra premiada na nitidez visual do imaxinario de Seoane, recurso que considera habitual no autor e estima especialmente como intersección posíbel entre a poesía e a arte plástica.

O evento decorreu ben, con referencia ao sen dúbida fornecemento de novos rumbos á poesía galega a partir da “xeración dos oitenta”, da que os presentes fan parte, e unha lixeira alusión ao desinterese por participar en calquera sorte de “loita interxeracional” (Seoane). Sen crer que necesariamente este comentario feito de soslaio teña unha relevancia especial, tomo nota da posibilidade do nacemento dun futuro debate, talvez propiciado pola necesidade permanente que unha literatura ten de valorar os contributos de cada época. O discurso metaliterario establécese con distancia temporal, porén nútrese da interacción dos discursos contemporáneos.

As copas que elevamos á saúde do autor, cortesía do patrocinador, albergaron conversas animadas. Con Cáccamo Leco, Martin Pawley e eu falamos sobre o valor da interacción das diversas artes e, aí recalcamos nós os tres con moito ánimo, o do recurso ás novas tecnoloxías para a difusión de eventos, obras, o contacto entre creadores e, en definitiva, o valor deste novo espazo como garantía de liberdade de expresión e de acceso aos produtos culturais. Foi un pracer falar cun escritor en que é posíbel recoñecer un intelectual, nestes tempos en que algúns escritores presumen de non ler e outros demostran non facelo.

Nota: a fotografía do cartaz é responsabilidade de Vari Caramés.

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A noite acesa de Bahaudin Majruh (I). O suicídio e o canto, por José António Lozano

O suicidio e o canto - B. Majruh

O poeta e filósofo afegane Bahaudin Majruh é o autor de uma extraordinária obra literária em língua pastu, além de um símbolo da resistência afegã que se enfrentou tanto aos ocupantes soviéticos como aos fanáticos islamistas. Exilado desde 1980 en Peshawar é o criador de uma série de livros que permaneceram inéditos durante muito tempo, alguns deles publicados postumamente. Nascido em 1928, faleceu assassinado em 1988, o dia anterior a cumprir os sessenta anos, por sicários da facção fundamentalista de Gulbuddim Hekmatyar (que está na origem do movimento talibã, e que foi apoiado pola C.I.A e os serviços secretos paquistaneses). Foi decano da Faculdade de Letras de Kabul e fixo o seu doutoramento em filosofia na Universidade de Montpellier. Mantivo um incansável apoio aos Muyahidim que luitaram contra os soviéticos através da Agência Afegã de Informação, que dirigia. Reflecte-se na sua obra a experiência dos mestres sufis clássicos: Rumi, Hafiz, Hakim Sanai, Attar, assim como as influências de Montaigne, Sartre, Heidegger, Nietzsche com os que dialoga. Ainda que a força dos mestres tradicionais se imponha, nas maneiras e no estilo, ao verniz universitário. Junto com a sua irmã e cunhada recopilou os cantos das mulheres afegãs, os landais, poemas breves onde se recolhe toda a paixão e a força oculta nas mulheres pastuns, elementos sacrificiais de uma cultura ancestral que denigra a condição feminina até limites inimagináveis. Neles transparece a consciência e a ousadia, a nobreza e aristocracia do espírito que se revela contra a imposição atávica da cultura. O suicidio e o canto é o título deste livro, onde o tabu do amor é uma e mil vezes posto em questão. Amor e morte são as duas caras de um mesmo assunto. Proclamar o primeiro é, inequivocamente, ganhar-se o segundo por direito próprio:

Ardo em segredo, em segredo choro,

sou a mulher pastum que não pode desvelar

o seu amor.

Esconderas-te atrás da porta,

e eu acariciava os meu seios nus

e tu olhaste-me.

 

Vem, amado, rápido, vem a mim

o espantalho dorme e podes

beijar-me.

Deus, é verdadeiramente pecado?

tu fixeste o jardim deste mundo

e eu apanhei a flor que em verdade

mais gostava.

O espantalho fai referência a um velho ou a um neno do matrimónio obrigatório. As leis de relações entre clans marcam este tipo de casais amanhados. Os landais são como relâmpagos límpidos, como facas, as vezes flechas, em que a sexualidade, a morte e o humor se combinam em tranças delicadas e sagazes. Majruh soube mostrar através desta recolecção a face oculta que as fotografias dos burka não vão mostrar nunca. Um certo paradoxo aflui ao lermos os textos. Enquanto a cultura ocidental se sinte livre e democrata, em muitos aspectos infelizmente autocomprazente, desconhece a pureza e a força que se destila do verdadeiro sentido da liberdade. Era Nietzsche o que dizia que o amor como paixão denotava uma origem aristocrática. Referia-se ele ao contexto trovadoresco que estava nos alicerces da cultura francesa. Era dele também a frase em boca de Zaratustra: “A sabedoria é uma mulher, ama unicamente a um guerreiro”. A mulher pastú pode ser submetida de multiples maneiras mas nunca ao fundo da sua consciência, na sua dimensão moral. O trágico da situação liga-se à própria tragédia afegã no s. XX: a irrupção brutal do mundo moderno que descompensou o sempre dificil equilibrío das relações tribais de um país cujos parámetros não tinham nada a ver com a dos estados planificados. O veneno do estado, o frio monstro de aço fixo estragos num pais orgulhoso e antigo. E como dizia um velho indio sioux: a destruição da cultura sioux só foi possível quando chagaram ao seu coração, quer dizer, a mulher sioux. Majruh percebe como a onda de fanatismo e destruição que invade o seu amado país quere chegar também ao coração da sua mulher. Só ha, então, o suícidio ou o canto. Diz Majruh:

Perante este estado de cousas, esta ancestral picota, como pode reagir?. Aparentemente, é a submissão total. Realiza o trabalho como um relógio. Aceita e padece o sistema de valores que a convirte num objecto. Mas se observarmos mais de perto, vê-se que, no seu interior, alimenta a rebeldia. De este protesto fechado, endurecido dia tras dia, não da, finalmente, mais que duas testemunhas: o seu suicídio e o seu canto.

Sabemos que o código de honra tribal considera o suicídio uma cobardia e que o islão o proíbe. Nenhum varão pastum recorre a ele. Aliás, eliminándo-se deste jeito desonroso, a mulher proclama tragicamente o seu ódio à lei comunitária. Mesmo os meios utilizados para matar-se sublinham o sentido icinoclasta do sacrifício: só se suicidam envenenándo-se ou afogando-se… Com o fusil o homem caça e guerreia, com a corda ata o gado, enlia os feixes e puxa as cargas pesadas.

A mulher pastum impõe, com o seu suicídio, um acto socialmente irrecuperável, mas com o seu canto desenvolve um desafio de idéntica natureza que pode também, á sua maneira, resultar fatal, pois as suas melodias exaltam incansavelmente três temas que sabem a sangue: o amor, a honra, a morte”.

Comenta Majruh como a mulher pastum apanha o código de honra tribal e o leva até as últimas consequências: empurra aos homens a que assumam as consequências extremas dos seu próprios princípios, resultando uma inversão. Os homens acabam comportando-se segundo “a olhada que a mulher deita sobre eles, preso do seu próprio código de honra” :

Oxalá morras no campo da honra

meu amado!

Para que as raparigas cantem a tua glória

Quando vaiam à fonte.

Ai, meu amor. Se tremes tanto

nos meu braços

que farás quando brotem mil relâmpagos

do choque das espadas?

Meu amor, vai primeiro vingar o sangue

dos mártires

antes de merecer o refúgio dos meus seios.

Hoje, na batalha, o meu amante voltou-lhe

as costas ao inimigo.

Sinto-me humilhada por tê-lo beijado

Ontem.

Volta perforado polas balas

dum tenebroso fusil

eu coserei as tuas feridas

e darei-te a minha boca

Até aqui, por hoje, esta incompleta notícia de Majruh, ou das mulheres afegãs. Fica para próximas entregas (e eu espero que o levantador de minas permita que levantemos umas poucas do Afgenistão, um dos países mais minados do mundo) falar dos livros propriamente de Majruh. A epoeia do Ego-Monstro: O viageiro da meia-noite, e O Riso dos amantes, cimeiras da literatura afegã do século XX. Também de Rir com Deus, recopilação de histórias dos mestres sufis, onde o riso e o humor são a expressão íntima da relação com Deus.

José António Lozano

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Um cão andarilho

Este é un vídeo que se pode atopar en YouTube procurando por “surrealismo”. Humor e talvez unha pequena homenaxe a un título de Buñuel. Iniciamos aquí a nosa particular compilación de vídeos.

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Lusofonía XI: Suso de Toro

Suso de Toro: “(PORQUE AFONSO IX, X NA LIÑAXE CASTELÁ, NON TIÑA RAZÓN. A nosa lingua non serve únicamente para contar chistes e para a poesía: en Portugal e no Brasil serve para todo. E aquí, se queremos e podemos, tamén. )”

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Ramiro Torres, novo colaborador d’O levantador de minas

 

Desfruten a maxia deste inspirado poema de Ramiro Torres quen, eventualmente, a partir de agora colaborará neste blogue.

 

Espelho no profundo:

Afirmo-me nos teus braços

De espuma e silêncio.

 

Sigo a tua voz,

Grávida a minha percepção

Na alegria do teu andar, aqui.

 

Conheço a multiplicação

Da tua luz entre as mãos,

Ardida a cicatriz do tempo.

 

Avanço entre moradas caídas,

A celebrar a minha lenta conversão

Em garrafa enchida pelo teu cantar.

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O aplauso cínico de Caneiro

“[…] Como aplaudo tamén outro intento, o de Diego Ameixeiras. Quixo saír da súa narrativa pretérita, esa que fala dun detective como tantos. Aparecía o tal en dúas novelas anteriores a esta que comentamos, Tres segundos de memoria, coa que obtivo o Xerais. As novelas anteriores peroraban en torno a un personaxe que por veces amosaba a Auria blancoamoriana e só semellaba apuntar lixeirísimos matices do malditismo, as periferias, e os baixos fondos. Un detective tópico, repetido, que intenta ser orixinal e resulta simplemente patético. Esa literatura sen literatura, ese clixé, eses neomodismos que non constrúen voces propias senón que han de limitarnos (a literatura galega) e limitar ao autor. Creo que Ameixeiras pode, e quere. Tres segundos de memoria, que non é unha novela como a min me gustan as novelas, é unha novela que define a un autor que pode ser un autor importante, necesario, dun tempo novo.

Hai acenos intensos na novela: perdedores que non son os perdedores que todos coñecemos. Hai humor, lucidez, ansias dun autor que é escritor e quere ser escritor. Non hai lingua literaria. Nin un ápice. Pero talvez eu descoñeza as novas tendencias literarias: a literatura sen lingua literaria. Non vou explicalo aquí. Pero a dicción, a prosa, vai determinando estéticas. A estética da Nada acabará en Nada, creo, aniquilándonos. Pero esa é simplemente unha opinión e pode, como repiten incesantemente, que eu estea equivocado. En todo caso é a miña equivocación. E incluso a equivocación é un credo. Atisbos dun inadaptado a estes tempos literarios. Polo tanto, logo de pensar moito esta columna, recoñezo o valor de Tres segundos de memoria. Non é a literatura que eu defendo. Pero hai outras literaturas. E outros autores. Como Diego Ameixeiras. Hai, pois, futuro. E desculpen, por favor, a este inadaptado.” (“Inadaptado”, in Culturas, La Voz de Galicia, páx. 14)

O discurso crítico de Xosé Carlos Caneiro non deixa de sorprenderme. Cualifica a narrativa de Ameixeiras de intento, perorata, de ofrecer personaxes patéticas, tópicas, de ser pretensamente orixinal, de clixé, de non ser digna de ser considerada literatura, de ser limitadora e conducir a literatura galega á aniquilación… E, asombrosamente, aplaude “as ansias dun autor que é escritor e que quere ser escritor”; entende que Ameixeiras “pode, e quere”; opina que “pode ser un autor importante, necesario, dun tempo novo”; recoñece o valor de Tres segundos de memoria

Chegado aquí, desilusiona escribir sobre tamaño monte de despropósitos que, dito sexa de paso, son enfeitados cunha lingua paupérrima. Caneiro séntese un inadaptado mais, na realidade, é o seu ego o que parece non se adaptar ao mundo (o trinta por cento do artigo, como na súa obra Os dominios de Caín, asenta na lamentación e na autoxustificación). Cando por fin leo: “en todo caso, é a miña equivocación. E incluso a equivocación é un credo” xa non temo por el.

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Antonio Gamoneda

Antonio Gamoneda Antonio Gamoneda: “La finalidad de la poesía es la creación de placer y la creación de un conocimiento distinto del que proporciona el pensamiento reflexivo, por ejemplo, es de otra naturaleza. En la poesía siempre hay un estímulo de naturaleza musical, rítmico. Son las palabras las que se relacionan con una ordenación rítmica y esas palabras son el comienzo poético” (El País, 1/12/2006). Seu pai morreu cando tiña un ano e deixou un libro de versos modernistas. Era o único libro da casa, e con el aprendeu a ler. Logo veu unha vida de miseria, traballo e pobreza. As súa obra, despois de xermolar durante lustros na periferia, só nos últimos anos atinxe o merecemento debido. Escribe coas mans despidas lindas imaxes provenientes de sensacións sinxelas, que son trenzadas e retorcidas como para sacarlles a auga toda, para mostrar unha sorte de humildade destilada:

“La desaparición envuelve la ceniza de mi rostro. En los barnices coagulados por la tristeza, hallo espinas inmóviles y los encajes crujen en mis manos. He aquí los guantes, he aquí el olor de mi madre y las huellas de los cartílagos que ardían en el calcio.

Hai lienzos endurecidos bajo hierros. Su blancura es mortal. En las fotografías

huyen amantes amarillos. Hay

cabellos adheridos a las sombras. Siento

sortijas frías en mis párpados.

Cierto: la verdad es un armario lleno de sombra.”

De Arden las pérdidas (in Esta luz. Poesía reunida (1947-2004))

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