Finalistas dos premios AELG 2007

AELGLITERATURA INFANTIL E XUVENIL (AELG-GALIX): A cova das vacas mortas, Jaureguizar; A sombra descalza, An Alfaya; Abracadabras, Marica Campo; Cartas de amor, Fran Alonso; Corredores de sombra, Agustín Fernández Paz; Lóbez, Antonio Yáñez Casal; Poetízate, Fran Alonso.

POESÍA: A esmeralda branca, Manuel Vilanova; As complexas mareas da noite, María do Carme Kruckenberg; Éxodo, Daniel Salgado; O pan da tarde, Xavier Rodríguez Baixeras; Os hemisferios, María do Cebreiro; Para unha luz ausente, Xavier Seoane.

TEATRO: Binomio de Newton/García, Cándido Pazó; Medidas preventivas, Gustavo Pernas.

ENSAIO: A terra cantada, Camilo Nogueira Román; Diálogos na néboa: Álvaro Cunqueiro e Ramón Piñeiro na xénese da literatura galega de posguerra, Manuel Forcadela; Memoria de poeta, Xosé María Álvarez Cáccamo; O suxeito postmoderno. Entre a estética e o consumo, Rebeca Baceiredo.

TRADUCIÓN: Brooklyn Follies, Eva María Almazán; Molloy, Anxo A. Rei Ballesteros; Soños nos cantís, Tareixa Roca.

NARRATIVA: dz ou o libro do esperma, Samuel Solleiro; Licor de abelá con xeo, Xurxo Sierra Veloso; O club da calceta, María Reimóndez; Os libros arden mal, Manuel Rivas.

MELLOR TRAXECTORIA XORNALÍSTICA (AELG-COLEXIO DE XORNALISTAS): Antón Lopo, Alfredo Conde, Bieito Iglesias, Gustavo Luca de Tena, Manuel Rivas, Rosa Aneiros, Xan Carballa, Xesús Fraga, Xosé Luís Méndez Ferrín.

  • Novidades de 2007: o Premio de literatura infantil e xuvenil (en colaboración con Gálix e cuxos socios/as tamén votarán nesta segunda rolda) e o Premio á mellor traxectoria xornalística do ano (en colaboración co Colexio de Xornalistas, cuxos colexiados/as votarán igualmente nesta segunda rolda).

  • Entrega de premios: a cerimonia de entrega terá lugar na Cea das letras, que será o sábado 5 de maio.

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De livros e fantasias contáveis II/V

Un bello libro no es obra de una sola persona, sino el fruto del esfuerzo de todos aquellos que trabajan en su elaboración. Son varios los artesanos que intervienen en la elaboración del libro y el esfuerzo es siempre de carácter colectivo. Cada libro tiene una historia, independiente del autor y del tema que trata. Una historia referida a su edición. Aquel libro que nació rico, que produjo seguramente un déficit en la contabilidad de la editorial, ahí está en una librería de última categoría, vendiéndose en lote con otros más modestos que corrieron igual suerte.

Luis Seoane, 1957

 

Característica mui significativa da literatura galega atual dos últimos 20 anos é que contando com uma aparência de normalidade nunca vista, havendo mais editoras, muitos mais livros, melhores leitores e mais preparados escritores, a qualidade da produção e dos textos não é proporcionalmente superior a tradição da que parte.

AlfarrabistasNo entanto o público, que não cresce nem se normaliza, está desbordado por uma oferta saturada e repetitiva, sem nenhum controlo e também sem uma crítica em que fiar. Motivos?

Vários. Eliminemos a ingente e absurda produção institucional que dorme em armazéns (universidades, concelhos, deputações, Xunta…). Quitemos Galáxia que vive da sua história e do conto de vender-nos os clássicos patrióticos. Tiremos Xerais, parte do grupo Anaya que pertence à multinacional francesa Havas (a das brasileiras Ática e Scipione), o Grupo Everest ou Alfaguara (Santillana), que nas suas estruturas comerciais mantêm as sucursais galegas (e com apoio absurdo do dinheiro público) pelo que tem de ponte para o mercado hispano. Que fica?

O resto das editoras sobrevivem, não luitam pelo mercado e não fazem investimentos em tradutores, corretores, campanhas. Não ganham muito, mas não se obrigam a competir –que é melhorar- às devanditas. Sobrevivem em boa parte com orçamento da Xunta. Logo, a mais títulos e mais autores, mais ingressos (para sobreviverem apenas) das editoras. Conclusão mercado estancado, e pouco profissional.

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Un ano a levantar minas

Fixo o día 12 de marzo un ano que naceu O levantador de minas. O seu nacemento era anunciado, a modo de reivindicación estética fundamental, co seguinte título:

A BELEZA RECLAMA O SEU LUGARtonga_nativa.jpg

O corpo deste post inicial simplemente era unha antiga fotografía dunha bela nativa de Tonga, reino que desde unha noticia de La Voz de Galicia de 1999 tiña deitado unha semente subtil no meu íntimo. A noticia era a seguinte:
«El rey de Tonga elige a un estadounidense como su bufón. Taufa’ahau Tupou IV, rey de Tonga, ha nombrado al californiano Jesse Dean Bogdonoff como bufón oficial, según el Tonga Chronicle, “por su visión sensata llena de alegría y de verdad impregnada de felicidad”».

Deste modo, entre a antiga beleza dunha illa recóndita, a sabedoría dun rei que entendía o traballo do bufón como elemento imprescindíbel do reino e o esforzo dun americano por entregar a súa vida á única verdade que a sostén, comecei a erguer este blogue, como querendo que tan elevados espíritos o apadriñasen.

Agora xa non estou só. Outros me acompañan desde dentro e desde fóra. Oxalá estas exóticas benzóns sempre nos guíen, e nos axuden a descubrir toda a marabilla que ao pé da nosa casa florece.

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O fogo inexplorado: o ensaio poético universal desde aqui

Ao fio do último post de Alfredo Ferreiro aproveito para reivindicar os poucos livros publicados na Galiza que se achegaram ao feito poético desde uma ampla perspectiva, partilhando as leituras e conhecimentos que os seus autores têm. Em concreto vêm-me à memória O sol de Homero, de Xavier Seoane; Hai suficiente infinito, feito com o pintor Antón Patiño, e As bandeiras do corsario, de Ramiro Fonte.

Xavier SeoaneO primeiro livro é um notável achegamento às diferentes perspectivas desde as que compreender o acto poético, deixando sempre claro que se trata de uma actividade essencialmente livre e libertadora. É destacável o diálogo com diferentes vozes que intercalam exemplos e experiências no decurso aberto pelo autor, e ainda que quiçá botemos em falta maiores aportações de outros poetas e tradições literárias, é inegável a riqueza de conhecimentos amostrada, e o pouso de um prévio trabalho reflexivo que abrolha por toda a obra.

O segundo, anterior no tempo e a meio caminho entre ensaio e manifesto, transparece, através do trabalho comum de poesia e pintura, uma convincente reivindicação da capacidade regenerativa da liberdade integral do ser humano neste mutilado(r) tempo que nos toca viver. Um discurso cheio de invocações a ampliar a nossa percepção com o infinito presente na arte, entendida como lugar preciso de cruzamento e fecundação com a Vida.

Antón PatiñoE não quero deixar de mencionar o interessante trabalho de Ramiro Fonte, “As bandeiras do corsario”, onde, de mão do autor eumês, chegamos à voz de mais de uma dezena de poetas universais do século XX, desde Pessoa até Derek Walcott. Livro único até o de agora na Galiza no seu conteúdo e estrutura, faz uma viagem por estes autores repassando algumas das suas chaves poéticas e vitais, sendo um relevante guia de aproximação para quem queira conhecer uma parte da grande poesia desta época. Também, como o primeiro livro, achamos em falta outras vozes, mas tem-nos, na nossa particular biografia leitora, achegado a geografias estéticas alheias ao nosso conhecimento, o qual é sempre de agradecer.

É isto último o que quero destacar como importante, e como possível tema a debater: os trabalhos referentes à poesia de toda a parte são, ainda, muito escassos na Galiza. Semelha um tanto contraditório que tendo uma relevante cantidade de poetas e estéticas actuantes aqui tenhamos tão poucos achegamentos (ainda) ao que se escreve e faz lá fora, o que redunda numa potencialmente excessiva auto-referencialidade que paira muitas vezes sobre nós.

Ramiro Fonte E acho também preocupante que quem estiver a abrir o seu corpo e mente (dito isto em termos “ocidentais”, noutras visões chamaríamo-lo coração) nesta arte não tem, quase, referências de autores mais maduros e com maior formação estética e intelectual, independentemente dos seus princípios e logros literários, que podem ser partilhados ou não (por exemplo, para mim o livro de Ramiro Fonte é sem dúvida o mais interessante da sua criação, literária ou ensaística), e que sempre podem ajudar no caminho da descoberta que fazemos cada um de nós.

Quero fazer, pois, uma clara defesa da ampliação permanente dos horizontes, tanto estéticos como do interior da nossa condição humana, na perspectiva de fazermo-nos seres libertados dispostos a iluminar o coração da Terra com a força que nos outorga o conhecimento do que nos habita. E para isso precisamos de todas as energias existentes em todo tempo e lugar, para que nos ajudem neste trabalho de desvendamento que chamamos criação, ou Amor, como melhor gostemos.

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De livros e fantasias contáveis I/V

Écrive qui voudra, chacun à ce métier

Peut perdre impunément de l’encre et du papier

Un roman, sans blesser les lois ni la coutume,

Peut conduire un héros au dixième volume.

(de Le libraire au lecteur, Boileau: Satires, IX, 68, 1660)

Talvez seja o detalhe de eu nascer numa família de contáveis que faz que as minhas metáforas culturais primeiras e moral básica se estruturem em livros pautados, raias vermelhas e partidas que têm a ver com o “deve” e o “haver”.

E se a números imos no mundo editorial e cultural galego, a mim, por muitas voltas, as contas me não saem. Os autores queixam-se de não poderem viver do que escrevem. O publico de que não há qualidade. E os editores laiam-se de serem mecenas e apenas sobreviverem.

Livros, de Van GoghEstamos fartos de escuitar que o público leitor na Galiza é, por problemas estruturais e históricos de alfabetização e recursos, minguado. Raro em galego ainda que mais exigente. Escasso e um pouco mais consumista em castelhano. E, de dez anos a esta parte, nascente e mui interativo em português.

A produção, porém, de títulos, quanto de autores a escreverem aumenta de ano em ano. Cada vez é que se escreve e traduz mais para galego. Mas, não é logo em proporção ao mercado, nem em previsão de consumo e menos de apostas de futuro ou atendendo propostas factíveis de normalização. E ainda, como se de companhias teatrais ou cinema tratarmos, ameaçam o futuro novas editoras, autores e títulos.

As instituições não pensam realmente em campanhas para criar o público em galego, pois para isso seria precisa uma maciça re-alfabetização de adultos e uma séria reforma do sistema escolar. Ergo, há que contar com o que há.

Se minha geração (ponhamos 1965-1975) é a mais longa e à vez a mais leitora e escritora em galego das que nunca houve, e atendendo a pirâmide populacional, isto quer dizer que a ponta estatística de público potencial pouco mais vai aumentar nos vindouros vinte anos. É justo agora ou em 5-8 anos quando ao nosso consumo engadamos o dos nossos filhos, o momento de pensarmos estratégias.

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Para unha luz ausente, de Xavier Seoane

A partir de foto de Vari CaramésO amor, a chave da vida, é un bocado degustado entre as ramas da continxencia. E a morte unha sombra soportábel grazas á luz dun corazón aceso.

As figuras do amado e a amada penétranse mutuamente, transportándonos ao plano espiritual na reunificación do andróxino, símbolo alquímico en que masculino e feminino son aspectos primordiais que procuran fundirse e resolver a soidade fundacional que move o ser humano.

A amada vístese cunha pureza propia da excelsa natureza, en fórmulas de raíces profundas e potencia telúrica, un magma carnal do que vimos e ao que regresamos. Mentres o percurso vital perdura, o perfil da amada aparece ante o poeta vinculada ao segredo, aos soños e ao mar, como se nas súas formas físicas e psíquicas se revelasen os valores intanxíbeis da vida. O mar, neste sentido, complementa o imaxinario traendo para o discurso poético “tudo o que não sei contar” (Jobim). A inmensidade do sentimento, indefiníbel pola súa amplitude, porén cabe na palabra.

E non só: esta perspectiva creativa de Xavier Seoane está inserida na nosa milenaria tradición amorosa, desde a Persia até ao Finisterre. Aqueles versos medievais que, místicos en esencia mais en presenza carnais, elevaban a señora a norte magnético, flor anunciadora, camiño sagrado dos servidores do único sentido da existencia.

Fotografía: versión da que Vari Caramés realizou para a presentación do libro.

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Carlos Casares na memoria

Se mal non lembro foi unha tarde de abril de 1988. Tras moitos ensaios e risos nerviosos, chamamos ao 981 583 485: “Ola, somos un grupo de rapazas do Colexio Universitario da Coruña que estamos a facer un traballo sobre o movemento galeguista durante o franquismo. Estamos a facer entrevistas a diversos persoeiros que tivesen vivido esa época. Importaríalle respondernos unhas preguntas?” O teléfono correspondía á casa de Ramon Piñeiro e naquel momento pouco sospeitababamos os cinco todas as veces que nos acabariamos vendo.

Piñeiro levounos da man até unha boa parte das persoas que tiñamos en mente entrevistar, e indicounos a mellor maneira de contactar con outras que agora non veñen ao caso. Así coñecemos e falamos devagar con Paco del Riego, Antón Fraguas, García Sabell, Marino Dónega e Franco Grande. En ningún momento pensamos daquela en entrevistar a Carlos Casares, mais o día en que o noso encontro case semanal chegaba á Transición atopámolo por sorpresa convidado á tertulia. Fiquei impresionada por aquel home que non trataba o seu mestre como un vello nin a nós como cativas, e que desfrutaba abertamente coa paciencia e a meticulosidade con que Ramón nos relataba os últimos cincuenta anos da historia de Galiza alternando, coa arte dun cronista, os grandes acontecimentos coa súa experiencia directa.

Ao rematarmos de redactar o traballo, en mostra de gratitude e, como máis tarde sentimos, de grande ousadía pola nosa parte, visitamos máis unha vez a Ramón para entregarlle unha copia dos cincuenta folios en que resumiramos a historia recente dun pequeno país, mais unha foto nosa con el asinada polas súas “netas”. El correspondeunos con enorme afecto convidándonos a xantar no Don Gaiferos ―onde traguei enteiro e sen perder a compostura un bo anaco de manteiga que tomei por queixo― e unha chea de libros de Galaxia que acababa de mercar, creo que en Couceiro, para nós. Entre os que eu recibín, e direi que eran todos distintos para que tivésemos oportunidade de ler máis ―agás un dicionario de galego que recibimos as catro― o primeiro que lin foi Os escuros soños de Clío. Foi a primeira obra que lin dun escritor coñecido e, despois de tanta entrevista a xente importante, ese feito semellaba concederme algún tipo de importancia a min tamén.

A historia do xudeu errante conmoveu profundamente os meus dezaoito anos e aínda hoxe en día, despois de ter voltado a ela cada vez que teño a sensación de que se dilúe no meu imaxinario, non deixo de sentila como unha das pezas clave da miña aprendizaxe sobre o que é a vida.

Meses despois de rematada a nosa aventura soubemos que ambos os dous asistirían á inauguración dunha exposición na Coruña e alí aparecemos. Levei o meu exemplar e pedinlle que mo asinase: “Para Tati, neta de Ramón, polo tanto amiga miña”. E un pequeno deseño dunha flor. E así foi.

Nos anos posteriores seguimos frecuentando a casa de Ramón. Vivimos a morte de Isabel e aí descubrín que con total certeza el era o propio xudeu errante. Despois veu a enfermidade de Ramón e vin por primeira vez o veu da preocupación na sempre afábel expresión de Carlos, que se converteu en profunda tristeza cando este morreu. Até aquel momento non teño lembranza de que tivese morto alguén que eu quixese e con certa sorpresa estourei a chorar desconsoladamente até que, do mesmo modo en que comezara, parei.

Asistimos ás varias conferencias que deu Carlos na Coruña ao longo dos 90. Lembro en particular a súa arte para facer grandes as historias máis pequenas. Carlos operaba como un gran amplificador do cotián, don que, me parece, só reciben aqueles cun nivel de comprensión da existencia moi superior ao da maioría da xente.

A última vez que nos vimos foi por conta dun favor que lle pedín. No verán de 1999 andaba eu a traballar como tradutora de guións para Ángel de la Cruz cando este me comentou que estaba interesado en adaptar un conto de Torrente. Sabía que Torrente pasaba os veráns en Baiona e que Carlos era un dos seus contertulios habituais desde había moitos anos, así que o chamei para preguntarlle se era posíbel que nolo presentase. Dixo que había de consultalo coa súa muller porque o seu estado de saúde era moi delicado. Nun par de días daríame unha resposta. O si chegou mesmo antes do esperado e, malia que se nos avariou o carro no camiño de volta, pasamos unha tarde inesquecíbel na Romana. Mais isto é xa outra historia.

Hai cinco anos morreu un amigo que desfrutaba tanto percorrendo Europa nun Panda como saboreando un xeado de chocolate; un home faladeiro que, sen palabras, convencera unha sueca que acababa de coñecer para trocar un billete de volta por un de ida. Dáme medo a morte, si, a morte, non só a dor, talvez porque aínda non a comprendo. Mais cando lembro até que estremo el estaba entregado á vida, só podo pensar que iso é algo que unicamente pode facer quen antes se entregou á morte da mesma maneira. Os demais temos a responsabilidade de contribuír a conservar as persoas como Carlos na memoria colectiva, para os que veñan atrás de nós poderen seguir aprendendo grandes cousas das súas pequenas historias.

[Sumámonos así á homenaxe de Carlos Casares no quinto aniversario do seu pasamento, promovida por Marcos Valcárcel]

 

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