Mais um prémio de poesia para Amadeu Baptista

Amadeu Baptista

O nosso querido amigo Amadeu Baptista, que vinha e de lançar em setembro três novos livros (O Bosque Cintilante, Sobre as Imagens e Poemas de Caravaggio), e que recentemente fora galardoado com o Prémio Literário Edmundo Bettencourt – Cidade do Funchal, pelo original Os Selos da Lituânia e o Prémio Espiral Maior (Galiza/Espanha), pelo original Açougue, venceu agora o Prémio Literário Oliva Guerra– Sintra 2008 com Doze Cantos do Mundo. A distinção mereceu a unanimidade do júri, que analisou 83 originais concorrentes. O júri integrou os escritores Liberto Cruz, em representação da Associação Portuguesa de Críticos Literários, José Correia Tavares, em representação da Associação Portuguesa de Escritores e Ricardo António Alves, em representação da Câmara Municipal de Sintra.
O Prémio Literário Oliva Guerra é anualmente patrocinado pela Câmara Municipal de Sintra e consiste, além da publicação em livro da obra vencedora, no montante de 5.000 euros. A entrega do prémio ocorrerá em data a anunciar pela autarquia de Sintra.

PAINEL PARA ROSALÍA DE CASTRO

É um frio tremendo.
A água gela nas torneiras, a solidão
cresce com uma unha, uma sombra
atrai todas as camisas de silêncio, arde, é uma noite
encerrando os perigos da perdição, os ferros agudíssimos
do silêncio.

É um frio tremendo.
Perde-se o caminho de casa, a luz extingue-se,
pergunta-se pelo sangue e o sangue não responde, o sangue
perde-se aos borbotões na vida, não há caminho, não há
regresso, a sereia canta
no denso nevoeiro, mas não há esperança, a tempestade
é o único lugar, o único lençol, a voz velocíssima
entregando-nos sem rendição, entregando-nos.

Como uma agulha fecha-nos os lábios, ata-nos
as mãos, como uma agulha de silêncio, feroz, terrível,
cose-nos
contra as paredes e os olhos saltam, saltam, é um frio tremendo
onde tudo arde,
arde antiquíssimo, flecha no coração, solidão
descendo o braço, descendo devagar, espraiando-se
na terrível superfície do silêncio.

Amadeu Baptista

De Rosalírica – Homenaxe de 27 Poetas Portugueses a Rosalía de Castro (1985)

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.

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