Saudade 11

Viajou sempre entre nós o riso agudo dos cínicos

Saudade. Revista de poesia 11

Armando Silva Carvalho

Viajou sempre connosco aquilo que intumesce a alma
e faz saltitar o amor sobre uma prancha de zinco
incontestável. São os agoiros que há tempo enclausuraram
na face do mundo a alegria,
as sombras que apagaram as flores no jardim da vida.
Hoje voltam a alumiar o velho poço do medo

em que crescemos por gerações
como alimárias, privados dos aromas do pensamento.
Voltam os tempos em que o ar foi um sonho azul,
uma ventura abstracta,
um espaço prometido para o amor
explodir, uma ficção necessária.
Hoje volta o ar opaco e castigador do poço,
o ar consumido, irrequieto, inimigo
de um desejo básico, humano e santo,
aquele que gostam de apanhar
crianças a dançar entre borboletas.

Hoje o vinho não faz espuma
nos cálices do amor.

A. F.

En poucas ocasións como no 2 de marzo pasado sentín a necesidade de escribir un poema político. O tema proposto  polo António José Queirós para o número era ‘azul’, palabra que debía aparecer nun poema inédito. Outros galegos que figuran no número son Iolanda Aldrei, Tati Mancebo e Xosé Lois García, xunto cun contributo angolano, tres brasileiros e cuarenta e tres portugueses.

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.

2 thoughts on “Saudade 11

  1. Eu tamén son pola positividade da situación, nunca polo derrotismo. Até penso que certas circunstancias negativas se revelan como o auténtico catalizador dunha mudanza necesaria e fundamental.

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