“Casa elevada”, por Ramiro Torres

Para Marta e Ramón

CASA ELEVADA

Somos a casa elevada
na profundidade
do coração,
a língua compacta da luz
devolta à sua candente raiz.
Há em nosso habitar
um eco da terra originária,
escalados até o grau inicial
da pura destilação do tempo.
Uma velha insolação nos
consome e dilui
numa paz ardente,
voltos para o lugar pleno
em que munimos a bela voz dormida
na sua constelação derramada,
pervagando na táctil penumbra
onde bebemos na súbita ordenação
do universo.

Abril de 2010

Share

by

Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.