‘Jerusalém’, de Gonçalo M. Tavares

Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares

Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares, mostra ante todo un excelente modo de escribir. Cada vírgula e cada palabra están xustificadas e a estensión sintáctica é a estritamente necesaria en cada caso, tanto na reflexión filosófica canto na comunicación impactante; hai neste sentido un uso óptimo da alternancia entre estruturas longas e breves que fai moi amena a lectura. A crítica social que comportan as personaxes, tanto no nivel moral canto no profesional, por outra parte, está maxistralmente dosificada pois resulta evidente sen permitir que haxa unha perda de nivel literario. No entanto, a historia contada non me resulta moi interesante debido a que consiste nunha trama sen especial profundidade, con aromas de aristocracia e lumpen nunha mestura que, porén, agrada o padal.

«O homem saudável quer encontrar Deus, dizia Theodor Busbeck de modo mais directo. E dizia-o não apenas em conversas particulares com colegas, dizia-o até em conferências, facto que deixava muitos cientistas da área perplexos, quase escandalizados, sentindo-se que falar de Deus no meio médico era uma heresia. No entanto, Theodor mantinha a sua opinião, ou o seu instinto, assim ele o designava, apesar de o associar de imediato ao campo onde trabalhava, dizendo, provocadoramente: é um instinto científico. E o instinto científico de que se orgulhava era resumido numa frase: um homem que não procure Deus é louco. E um louco deve ser tratado.» {p. 61}

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.

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