FESTA ININTERRUMPTA, por Ramiro Torres

Homenagem a Helena Villar, com afecto.

Herdeira de um alfabeto branco,
Entra, abjuradora, no confim da
Levidade, abraça a carne da espuma
E gravita entre o tempo enquanto é
Nascida a uma espiral de palavras loucas,
Ascendendo-nos entre a penumbra da língua.

Voa sobre o silêncio, na crepitação das
Ilhas em que se desnuda e rola até
Levantar dos mapas as campas do medo,
Libertando a líquida floração dos amantes
Amencidos no poema como pólen sideral,
Refundados na união demorada da cópula.

Abril de 2012.

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.