A casa da misericórdia, de Joan Margarit

Tentando non ler en castelán Joan Margarit antes da súa participación no Poetas Di(n)versos da Coruña, atopei unha interesante edición portuguesa bilingüe. Só tiven que pagar 13 euros por recibir na casa o libro, pulcramente editado, e con 0 euros de gastos de envío. A man de Margarit, experta en describir o aseo poético da vida cotiá, non merecía menos. Como mostra un dos mellores poemas do libro que lle supuxo o Prémio Nacional de Cultura en Literatura pola Generalitat de Catalunya e o Premio Nacional de Poesía polo Ministerio de Cultural de España, entre outros:

LUZ DA MINHA VIDA

Eu era un rapaz que ouvia na rádio
canções de amor, e nada me agradava máis
do que olhar para as mulheres.
Que felicidade
a névoa dos seus corpos pelas ruas
e todos os sonhos onde as despia.
Posso recordar a erecção brutal
de um rapaz abandonado sob a chuva,
a premonição do velho que agora sou.
Gosto de recordar o corpo da rapariga
que ficou comigo. Ainda ouço
a sua voz alegre ao telefone:
Dá o jantar às crianças. Voltarei tarde.
Provavelmente, nunca mais regressou,
mas agora que somos velhos já não importa.

[Tradución de Rita Custódio e Àlex Tarradellas]

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.