«Transformação», por Ramiro Torres

Para Miguel, Xavier, Moncho e Xulio, em nova fraternidade

Resides no obscuro que
ilumina o saber-te aqui,
música gravitante sobre
os olhos desarmados no
absoluto a fluir como rio
dentro de nós, neste lado
do existente submersos
na serena transmutação
do tempo em oceano,
suspendendo-te no abraço
primeiro da memória e o
desenho zenital do saber.

Maio de 2014

 

Share

Espanholidade

«O que me anima ainda a escrever [em ocasiões o galego] em normativa institucional, quer dizer com grafia espanhola, é o fato de existir um bom número de pessoas que a reconhecem não só como galega mas como intimamente sua, desde que ligada ao seu próprio jeito de galeguizarem o mundo. É essa passiva espanholidade, mais comum e profunda do que somos capazes de reconhecer, que me merece um grande respeito, até porque eu mesmo não me dou desembaraçado dela e talvez nunca consiga. O fato de vivermos referencialmente em Espanha antes do que na Galiza, como diariamente experimentamos os galegos, deve ter muito a ver com isto.»

{Praza Pública, 26/05/2014 }

Share

Dois poemas no centenário da Primeira Grande Guerra

capa_BARRICADAS_cortada_300Uma guerra que começa
com uma população a seguir
o arame farpado da falsa democracia.
Uma guerra que enche
um carro de combate
com a carne cega do proletariado.
Uma guerra em que o povo carrega
as poderosas metralhadoras
do liberalismo.
Uma guerra em que o Pai Natal
troca renas por aviões
para repartir bombas
entre as crianças de Ocidente.
Nada há mais eficiente
do que a indústria excessiva
da avareza,
do controlo dos ganhos
face a tanta vida perdida,
tantas vesículas a rebentarem,
tanto gás sufocante
sob as asas de um poder que flameja.
Milhares de soldados morrem
para ganhar um metro de terra
nos poros da fronteira.
Onde os ganhos tirados,
onde os usufrutos dos disparos?
Quem reparará
a rotura dos vasos sanguíneos
de uma sociedade escrava
que luta pelo seu genocídio?

***

Na trincheira, entre lama,
merda e mijos a fio
nem tornam o frio as parasitas
nem faz companhia
a baioneta enferrujada.
A família está muito longe,
muitos anos longe,
muitas vidas longe,
e só resta uma tão negra
ao amanhecer não chegará.
Todo um universo se amostra
no fulgor de uma bomba que cai
abeirada do último hálito,
e entre explosão e explosão
o tempo fica suspenso
ou agoniza definitivamente.
Os minutos são dentes a cair
perdidos no chão para sempre.
O sangue é oiro derramado
que alimenta os prados agrestes.
Após o florescimento da morte
entre as unhas e a carne do medo
nenhuma flor chorará
quando abrir as pétalas ao vento.

Alfredo Ferreiro (em RIBEIRO, João Manuel (org.), Barricadas de estrelas e de luas. Antologia Poética no Centenário da Primeira Grande Guerra, Porto: 2013, Tropelias & Companhia, 13-16. Na antologia participaram também: António Ferra, António Mota, Aurelino Costa, Fernando Costa Branco, Francisco Duarte Mangas, Gisela Silva, João Manuel Ribeiro, João Paulo Cotrim, João Pedro Mésseder, Jorge Velhote, José António Franco, José Fanha, José Jorge Letria, José Viale Moutinho, Luísa Ducla Soares, Maria da Conceição Vicente, Maria Helena Pires, Nuno Higino, Pedro Teixeira Neves, Rui Zink e Sara Canelhas)

{Alfredo Ferreiro em Palavra comum}

Share

Fisterra, a derradeira perla de occidente

No pasado día da Revolução dos cravos o escritor Modesto Fraga ofreceunos a agardada presentación en Arteixo do seu primoroso libro sobre Fisterra. Xa sabíamos que era unha obra que trascende amplamente o concepto de guía turística local, mais puidemos comprobar até onde son capaces de chegar a súa paixón pola vila e a súa altura intelectual. Porque este libro mostra moito máis que unha terra atlántica con personalidade memorábel: toda a idiosincrasia do pobo galego fisterrán. Deste modo, a obra de Modesto repara nas referencias históricas máis relevantes, nas características físicas e espirituais do seu singular patrimonio, nas peculiaridades da fala e da toponimia, nas personalidades da vila, ao tempo que noutros aspectos máis mundanos e pragmáticos como os servizos de hostelaría e as rotas e lugares recomendados aos camiñantes.

Non podía ser doutro modo: Modesto Fraga quería dar a coñecer as virtudes da súa Fisterra aos turistas, por iso como valor principal había de falar das cualidades da súa xente. É o que diferencia un humanista dun simple reporteiro.

Quen desexe recibir na súa morada o libro Fisterra, a derradeira perla de occidente, debe solicitalo no teléfono 615 48 45 07 ou ben no correo electrónico: luscandil@gmail.com. Mandaranllo asinado polo autor e sen ningún gasto de envío ao prezo de 16 €.

Share

O Gran Can na Mardigras

Este é o vídeo que fixemos sobre a actuación de Juan Perro (acompañado de Joan Vinyals) do pasado día 5 de abril na sala Mardigras da Coruña. Unha noite inolvidábel grazas aos artistas e aos membros da organización, xente realmente amábel e competente.

 

Share