Quando os ases da fusão atuarom juntos…

Os concertos de Juan Perro (os amigos Santiago Auserón e Joan Vinyals) deste ano forom tão intensos como é já costume. O último deles foi nas adegas do vinho Martín Códax em Cambados, e ainda tivemos a sorte de vê-lo acompanhados de Sés (María Xosé Silvar junto do guitarrista Tito Calviño), todos os quatro felizes companheiros a desfrutar de um ambiente mágico com o Atlântico de tela de fundo e intervindo nos temas os uns dos outros para delícia dos espectadores que erguiam seu graal repleto do sangue loiro das Rias Baixas. De aquela soirée deixo os dous temas que tivemos a honra de adaptar ao galego a Táti Mancebo e mais eu na altura do certame de canção popular A Coruña Son, evento em que felizmente Santiago e Maria se conhecêrom.

Aliás, esta foi a reportagem da atuação que neste mesmo ano tivo lugar na Sala Mardigras da Corunha, em que durante duas noites escoitamos peças conhecidas e várias inéditas.

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A casa da gesteira (Gamil)

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Fotografia de Marcos Ferreiro

Home ~a house on the hill~ by Akira Senju on Grooveshark

No princípio não havia casa. Era só um espaço em que as gestas se reproduziam desde milénios, a que a gente acudia para saciar-se na fonte de Margaride. Uma fonte que nascia entre as gestas, e entre estas também a necessidade de servir-se do natural e construir uma casa, um local para a gente sobreviver e medrar como as gestas. Flexíveis e resistentes, isso é que todos devemos ser, algo sagrado que em silêncio nos ensinam as mestras.

[Texto: Alfredo Ferreiro]

{Palavra comum}

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A partir d’ A morte sem mestre, de Herberto Helder

A morte sem mestre, de Herberto HelderA morte sem mestre é um livro triste. Tanto, que já me quer parecer que o poeta se tem tornado nas últimas obras um dos poetas mais tristes que deu Portugal. Por isto, ademais de pelo fato de sempre me fazer tremer com cada nova obra, deixo este poema a modo de reflexão ou crítica não sei se com a obra do poeta ou melhor com toda a Humanidade:

Ao Herberto Helder

A vida sem morte

O H. H. de tanto descrever o espanto
se tornou um animal convulso e extasiado
que tão só quer ser um homem.
Não admira por isso que nos poemas
devore os dedos enquanto conta
o que resta para o próximo assalto,
monstro octogenário catapultado da infância
que espreita passadas infâmias,
brigas em que falece e renasce
enquanto amamenta uma mágoa.

{Palavra comum, 03/09/2014}

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