A partir d’ A morte sem mestre, de Herberto Helder

A morte sem mestre, de Herberto HelderA morte sem mestre é um livro triste. Tanto, que já me quer parecer que o poeta se tem tornado nas últimas obras um dos poetas mais tristes que deu Portugal. Por isto, ademais de pelo fato de sempre me fazer tremer com cada nova obra, deixo este poema a modo de reflexão ou crítica não sei se com a obra do poeta ou melhor com toda a Humanidade:

Ao Herberto Helder

A vida sem morte

O H. H. de tanto descrever o espanto
se tornou um animal convulso e extasiado
que tão só quer ser um homem.
Não admira por isso que nos poemas
devore os dedos enquanto conta
o que resta para o próximo assalto,
monstro octogenário catapultado da infância
que espreita passadas infâmias,
brigas em que falece e renasce
enquanto amamenta uma mágoa.

{Palavra comum, 03/09/2014}

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.

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