«Galego em liberdade»

O subtítulo desta campanha é «Contra a discriminaçom que sofrem as pessoas reintegracionistas», e resulta, ao meu modo de ver, pouco ambicioso e limitadamente libertário. Acho que o objetivo melhor havia de ser «Contra a discriminação gráfica que sofre a língua galega», para assim libertá-la de qualquer aroma de conflito, algo que pesa como um persistente lastro na dignidade da luita galeguista. Tenho para mim que só uma normativa compatível com a história e o mundo lusófono que nasceu a partir dela poda ser realmente útil, mas não por isso gosto da ideia de renunciar a galeguismos que não logram desvincular-se suficientemente da realidade espanhola que nos envolve.

Contudo, apoio a campanha porque a impassibilidade evidentemente não aproveita e a sua intenção é positiva: «A Associaçom Galega da Língua (AGAL) promove a campanha «Galego em liberdade» para combater a discriminaçom que sofrem as pessoas reintegracionistas. O detonante da campanha foi a denúncia pública do escritor Vítor Vaqueiro, desqualificado num certame literário por causa da sua escolha normativa, isto é, por considerar o galego algo inseparável do português.

Segundo o presidente da AGAL, Miguel R. Penas, «por desgraça, nom estamos diante de um único caso». Da veterana associaçom, com mais de trinta anos de trabalho, asseguram que se trata de «umha prática demasiado habitual» e reprovam que na Galiza do século XXI continue a haver certames que discrimine a participaçom de reintegracionistas só «por puros motivos ideológicos».

Porém, também se dá o caso contrário, assinala Penas, o de «vários prémios que se centram realmente na qualidade literária das propostas e nom na ortografia» […] {Ler mais e assinar no Portal Galego da Língua}

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.

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