“7 ideias sobre poesia para o presente”, por Roger Colom

1. Os gagueios da língua. Ou da cu-cultura. Rodeados como estamos de palavras. Palavras como areia num deserto; tempestade de areia de palavras, incessante.

2. E um vazamento da subjetividade, grande projeto do capitalismo de consumo em sua versão informática/informação/finanças. São os que põem areia na máquina de fazer tempestades, logo apanham-na e analisam-na e tiram o ouro produzido ao baterem em nós, ao esfregarem-se contra nós. Eles/nós. Os donos da máquina e nós. Os luditas não protestavam contra as máquinas, senão contra o regime de propriedade dos meios de produção. A poesia é ludita.

3. Má interpretação na poesia atual do conceito de conceito. Usa-se com o sentido que lhe dão os publicistas ou a moda quando falam em “conceito”. E estes, por sua vez, interpretaram mal os artistas conceptuais e seus “conceitos”, que haviam interpretado mal os filósofos, sobre tudo os franceses. A poesia conceptual reaciona contra a poesia sentimental, a de jeito Romântico. Põe limites quase políticos ao que se pode dizer e como.

4. Na realidade, é preciso usar toda a escritura que se puder. Todas as formas da palavra: escrita, oral, como imagem, como som. Há que trabalhar com todos os jeitos de fazer poemas, desde o poema sentimental (mesmo sem ironia, sem distância) até à transcrição direta da linguagem diária, colocando-a em grossos tomos de aborrecimento, dando-lhe outra velocidade à linguagem, fazendo-a outra, ainda que pareça a mesma.

5. Não vale tudo, mas tudo importa.

6. Há que ampliar até ao máximo o campo de trabalho do poeta. Ampliar ou não o campo da poesia, isso é que é outra coisa, não depende do poeta como indivíduo senão do seu contexto, da sociedade (mesmo da não leitora) em que desenvolve seu lavor.

7. Em fim, não se trata da conquista de novos territórios, ou da abertura de novos mercados, senão do povoamento de todos os territórios possíveis, começando pelos mais próximos, e atravessando os desertos que fizer falta, com suas tempestades de areia, para chegar a outros, achando aí os terrenos férteis para a poesia e suas plantas mais estranhas.

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Esplendor arcano: Licuacións na materia

Lino García Salgadoesplendorarcano_ramirotorres: «Por veces falar de poesía leva consigo determinados riscos, afortunadamente nada dramáticos, sobre todo á hora de enfocar a súa lectura ou no xeito no que determinados autores e autoras quedan encadrados en adxectivos tan esplendorosos dos que é difícil fuxir. Ramiro Torres escribe poesía surrealista, tal e como se desprende da súa propia definición ao formar parte do colectivo de escritores surrealistas galegos, mais… quizais isto non sexa o importante, non para el senón para quen tivemos a oportunidade de gozar dos seus poemas dende un punto de vista máis aséptico e acabamos descubrindo un mundo líquido que navega polos nosos interiores a pouco que nos deixemos.

Fóra dos retrousos típicos e tópicos teremos que devolver as formas aos seus comezos, tal e como sinala Ramiro en parte dun poema de Esplendor Arcano. E como de xerme vivimos tamén dos seus versos podemos respirar en plenitude unha chuvia variada de vocabulario tan diverso como ben empregado dando apertura, en case todo o libro, a historias paralelas que semellan competir nunha carreira de fondo para ver quen chega antes ao padal do/a lector/a. Pero non soamente somos illas senón fontes bravas de materia configurando esa materia do universo que é a nosa medula sen dividir a parte máis vexetal da ósea. Perpetuar os hábitos encol da imaxinación nutre o perfil arcano que temos e no que Ramiro incide dun xeito valente e decidido, onde se recobra a efervescencia natural que nos fai sacudir de frío as arterias obstruídas dando paso á beleza desa ascendencia solar da que nos fala.

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Quadrante de sombras

No passado sábado dia 22 de Novembro, foi apresentado o livro de poemas Transfusión Oceánica, de Xosé Iglesias. O evento consistiu na leitura de poemas do capitão-poeta-marinheiro assim como de textos dum grande número de poetas e amig@s: Paco Souto, Ramiro Torres, Táti Mancebo, Alfredo Ferreiro, María José Fernández López, Modesto Fraga, Paco de Tano, Rivadulla Corcón, Iolanda Aldrei, Mercedes Leobalde, Teresa Ramiro, Rodrigo Osorio, Xurxo Gago, Serafín Mourelle, Juan Alberto Moure, Marité Prieto, Xosé Abeledo, Mercedes Queixas Zas, Viki Rivadulla e Miguel Anxo Mato Fondo. A cargo da banda sonora estiveram Bieito Romero e outros membros de Luar na Lubre, para além do grupo folque Samarúas. No presente vídeo, gravado por Táti Mancebo e por mim com um telefone, infelizmente não figuram todas as memoráveis intervenções da noite.
Medre o mar !!!

{Palavra comum}

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Nova lei

Dissecar um corpo para abri-lo como um estandarte, eis a última recomendação da Associação das Facas Unidas. É preciso liberar-nos da opressão das costelas, uma prisão de osso derivada duma reminiscência calcária demasiado antiga e falaz. Não precisamos esses espartilhos antediluvianos, assim que procedamos já. Quem tiver sua faca pronta, não deve aguardar mais; quem não, consulte seu farmacêutico ou seu sacerdote, ao mesmo dá, mas nunca tome suas decisões só. Lembre: seu corpo não lhe pertence e deve dar graças pelo fato de o poder usar. É a Lei do Livre Comércio de Cidadãos.

{Grupo Surrealista Galego}

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Transcendência, música de Nenoescuro e poema de Ramiro Torres

Vídeo de Nenoescuro

TRANSCENDÊNCIA

Somos uma linha obscura
no céu inverso da razão,
videira do estranho que
avança sob as nossas unhas
até desarmar o cognoscível
com fragmentos de noite
e astros incendiados neste
caminharmos sem pausa,
abraçados à vertigem, nus
na terra derramada como
âmbito de um início anterior
a todo o saber embriagado
em que vibram sóis inextintos.

{Grupo Surrealista Galego}

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