Poetas galegos precisam-se em Portugal

«Na aldeia-globo, com fios e sem fios, sabemos hoje por vezes mais sobre os antípodas que sobre a terra ao pé de porta – e o mesmo se pode passar com a poesia e com as línguas de que a traduzimos. Desta reflexão à vontade de seguir mais de perto a poesia escrita em galego vai um pequeno passo, que adiante tentaremos explicar. E começando (recomeçando) por algum nome, que outro mais indicado que o de Rosalía de Castro? […]».

Assim declara no sumário a revista DiVersos – Poesia e tradução, nº 21, que há pouco tive prazer de receber e que hoje devemos ressaltar no contexto das celebrações em honra de Rosalia de Castro. Em 21 números tem publicado poemas em português e muitos traduzidos do africânder, alemão, castelhano, catalão, chinês, finlandês, francês, gregos antigo e moderno, inglês, italiano, neerlandês, norueguês, ocitano, polaco, russo e sueco, mas apenas tinham adaptado poesia galega de Álvaro Cunqueiro e Gonzalo Navaza. E isso é algo que gostavam de mudar, por isso acompanham tal desejo de um convite explícito aos talentos poéticos da Galiza, segundo explicita um limiar intitulado Línguas próximas, línguas afastadas − Presença do galego na DiVersos:

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Traição a Rosalia de Castro

No dia de hoje, 24 de fevereiro, coincidindo com o Dia de Rosalia de Castro, foi publicado o livro digital 150 Cantares para Rosalía de Castro, uma iniciativa de Suso Díaz em que tive a honra de participar com mais uma traição, que agora aqui publicito numa nova versão galego-portuguesa conforme à edição de Cantares galegos da Academia Galega da Língua Portuguesa. O livro pode-se descarregar desde a página da Fundación Rosalía de Castro, que desde já alberga esta obra coletiva. A publicação, que ia ser apresentada publicamente na Casa de Rosalía de Castro no próximo sábado 7 de março, ás 18 hs, fica adiada sem data devido a causas pessoais.

Traição a Rosalia de Castro

Ai, se não me levais pronto, bafos demoníacos, airinhos da minha terra; se não me levais, airinhos e alentos sepulcrais onde o mar se esgota e a terra se queima, nem demos lindos nem anjos banais quiçá já não me conheçam. Que a ledice que comigo medra, que a febre que de mim come, uma faz com que sobre o monte voe, outra vai-me consumindo lenta. E no meu coraçãozinho que amores e maldições acolhe, uma libera-me nas asas do vento, outra também traidora se ceiva.

Nota: Em itálico figuram os versos originais de Rosalia de Castro.

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História de um guarda-chuva vermelho

A música de Karlheinz Stockhausen, pertencente à obra Tierkreis, da qual se extrai este Gemini (1975), foi interpretada na XLI Semana de Música do Córpus de Lugo, pelo Black Cage Ensemble (com Antonio Badenas, oboé, e Alejandro Troya, saxo tenor) com videoprojeções de Xacobe Meléndrez. Do mesmo jeito em que se estabelece um diálogo entre música e imagem, produz-se a conexão do vídeo com o poema de Alfredo Ferreiro, o resultado é uma peça artística multidisciplinar sugestiva e ambígua, que aprofunda na identidade e a experiência e se abre a múltiplas interpretações. […]

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