Pela tolerância ortográfica

Poema de Alfredo Ferreiro. […]

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Herberto Helder, in memoriam

Ontem soubemos que um dos vultos da poesia europeia contemporânea, o poeta português Herberto Helder, iniciou o caminho de retorno. Se calhar ele nunca chegou a saber até que ponto foi o grande referente da poesia moderna para alguns de nós, neste pequeno país chamado Galiza que, sendo o berço certo da lusofonia, esquece cada dia a sua cultura enquanto sorve desesperado as essências da poesia. Somos assim, contraditórios até ao paroxismo, e isso talvez é que nos faz humanos e divinos, efémeros e eternos.

Obscuro e luminoso ao tempo, Helder foi um exemplo de compromisso com o trabalho interior que a poesia impõe, e que pouco tem a ver com a literatura, esse objeto mercantilizado que coisifica a espiritualidade da arte, mede o esforço, calcula os ganhos e contabiliza os aplausos: «[…] O prestígio é uma armadilha dos nossos semelhantes. Um artista consciente saberá que o êxito é prejuízo. Deve-se estar disponível para decepcionar os que confiaram em nós. Decepcionar é garantir o movimento. A confiança dos outros diz-lhes respeito. A nós mesmos diz respeito outra espécie de confiança. A de que somos insubstituíveis na nossa aventura e de que ninguém a fará por nós […]». Por isso nós hoje queremos escrever tão só umas breves linhas de homenagem, breves, seguindo a recomendação do mestre, porque é que a nós, mais do que a ele, dirão respeito.

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Próxima estação: galego-português

«Próxima estação: galego-português é uma proposta de viagem para o nosso idioma onde mais do que nunca trasladar-se implica transformar-se.

Uma viagem à procura do galego-português é comprovar que temos uma língua com a que podemos deslocar-nos miles de quilómetros por terra, mar e ar, por barco, bicicleta ou zepelim a Pernambuco, Rio de Janeiro, Porto, Luanda, Dili, Fonsagrada e Compostela, sempre que a nossa alfândega mental nos conceda uma passagem.

Em Próxima estação: galego-português precisamos pouca bagagem: apenas se nos permitirá um afinador de ouvido, um bom sentido musical para comunicar e uma imensa curiosidade como bússola.

À Próxima estação: galego-português chega-se também com a imaginação e as palavras. Só através delas atravessaremos os mundos criados por Fernando Pessoa, Sophia de Mello, Clarice Lispector, Pepetela, Rosalia de Castro e Mia Couto. Mundos que partilham todo um planeta – o NH- muito antes de que o vagão chegue o seu destino.

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Propostas 2015

De Xabier DoCampo:

Inspirado, segundo o escritor, por:

De Chelo Suárez:

De Xavier Alcalá:

De Catherine François:

 

 

 

 

 

 

 

De Xavier Seoane:

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Escrita e indeterminação

“Nunha época en que se valora o monolitismo temático, ofrecemos agora un poemário miscelánico até o paroxismo”, afirma o texto estampado na quarta capa de Versos fatídicos (Positivas, 2011), mais recente volume da obra literária de Alfredo Ferreiro. Com efeito, os textos poéticos assinados pelo autor corunhês desde meados dos anos 1990 – o volume reúne, ao lado de inéditos, poemas publicados em espaços diversos ao longo de dezesseis anos: entre 1994 e 2010 – revelam-se múltiplos tanto no que tange à realização formal quanto no que diz respeito ao temário abordado; por outro lado, isso não é algo de novo na obra de Ferreiro, sendo já patente em Metal central (Espiral Maior, 2009). O que nos revelam as novas composições é, por conseguinte, a obra de um escritor que segue predisposto a riscos. Alfredo Ferreiro parece receptivo à ideia de uma obra em permanente progresso e sempre sujeita à revisão – o que de resto se coaduna com uma indeterminação que, em textos biográficos, entende como uma condição original sua.

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