Estudos sobre temas antigos, de Henrique Marques-Samyn

Estudos sobre temas antigos, poemas de Henrique Marques-Samyn

«Estudos sobre temas antigos», poemas de Henrique Marques-Samyn

Em Estudos sobre temas antigos o poeta assume a sacralidade do mito criando um discurso de carácter sálmico mediante diálogos e descrições de cenas de alto valor sapiencial. Recupera os «temas antigos» e recria uma atmosfera colorida com pinceladas de intensa emotividade, numa atitude declaradamente mediúnica que logra nos situar, através de um estilo profano e antigo, perante uma sorte de achado arqueológico, como que descobrindo-nos textos de antiquíssimos manuscritos que transcrevessem uma coleção de esquecidos arcanos. Este é o valor do estilo que nos propõe: o jogo de escrever à moda de um mundo que já não é o nosso mas que —partilhamos com o escritor— gostamos de ver recriado porque nele encontramos um jeito de escrita que se apoia no ensinamento, no quadro de uma tradição milenária em que a intentio auctoris se traduz numa clara vontade de docere et delectare, implicando a existência de um mestrado e de conteúdos pedagógicos de grande profundidade. Não é outro o legado da literatura antiga, nascida num tempo em que tudo o que existe era interpretado como manifestação histórica do eterno espírito universal, e que usando um variado abano de alegorias vestia as obras com as roupagens de todo o panteão dos deuses para descrever as forças que influem no mundo.

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.

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