«Um povo unido como única opção de sobreviver»

A alcaldesa de Mondonhedo, Elena Candia (PP), no passado mês de junho dixo que “el pueblo que huye de sus tradiciones y de su conciencia renuncia a su identidad y a su alma“, e também ressaltou que, do modo que “todos respetamos esa pluralidad de opciones válidas, también exigimos que respeten nuestra voluntad de seguir siendo un pueblo unido como única opción de sobrevivir“. Assim aludia aos alcaldes d’ Acrunha e de Santiago, Júlio Ferreiro e Martinho Noriega, ausentes num evento religioso anual.

Há citações que se não podem traduzir, e esta é uma delas. Sendo como é a alcaldesa de uma vila galega, imaginem que tivesse falado em galego e dixesse, como sempre dixérom os galeguistas de toda a época: “O povo que foge das suas tradições e da sua consciência renúncia à sua identidade e à sua alma; todos respeitamos essa pluralidade de opções válidas, também exigimos que respeitem a nossa vontade de seguir sendo um povo unido como única opção de sobreviver”.

Falar numa língua pode significar impôr uma cultura e condenar outra, por muito própria que se considerar legalmente, à extinção premeditada.

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.

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