PEN Galicia en Ourense

Por que calamos @s escritor@s?

centropen_congresointernacionalLeo en La Región que un congreso do Pen Internacional reunirá máis de douscentos escritores de todo o mundo en Ourense no próximo outono. E non dou crédito.

Non teño nada en contra do Centro Pen Galicia, que nunca nada me pediu nin eu a el me presentei, nin contra contra a súa directiva, que nada me debe e ningún mal me fixo. Mais, se ben me alegro de que en Ourense se vaia celebrar un fastuoso evento literario, que aplaudo con vehemencia, outras consideracións, por comparación, me amargan a festa. Polo que creo saber, o Centro Pen é un clube selecto ao que só se entra por convite dunha elite de socios e non mediante un procedemento democrático aberto a todos os cidadáns; que recibe importantes apoios financeiros dos gobernos para eventos e publicacións nunha época de inanición cultural; e que non existe un modo claro de chegar a saber quen pertence a el, nin quen forma a súa directiva, nin cando se renova esta, nin que obxectivos ten, nin de que recursos dispón. Polo que teño ouvido, son menos de 100 membros, mais non coñezo ningún sitio onde poder consultalo na web. É, polo que parece, un clube moi apoiado institucionalmente mais de funcionamento opaco e caprichoso.

Polo contrario, os que pertencemos á Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e nos preocupamos por saber do seu funcionamento, sabemos que é unha organización asemblearia que informa puntualmente todos os socios das súas contas e actividades, que convoca periodicamente e conforme os estatutos as pertinentes votacións para mudar a directiva e que dispón dun procedemento debidamente publicitado para que todas as cidadás calculen se serán admitidas no seu seo mediante requisitos obxectivos. Como resulta evidente, inviste unha parte importante dos seus recursos en divulgar as actividades da asociación así como as dos seus membros, con clara vontade de transparencia perante as súas máis de 400 soci@s. Se o cidadán quere coñecer os seus obxectivos e actividades só ten que acudir á súa web e á súa axenda cultural. No entanto, a AELG cada ano que pasa ve mais minguadas as axudas do goberno autonómico, e navega como pode nunha crise que, como xa imos vendo na política de todo o Estado Español, deixa coxos uns e leva en andas outros.

Dicía que non daba crédito a esta situación, e isto é debido a un silencio abafante perante o que semella un moi inxusto reparto dos recursos. Existindo neste pequeno país tantos escritores comprometidos, ecuánimes plumas sempre ávidas para a denuncia, espíritos incorruptíbeis perante o poder, paladíns das causas humanitarias e, na inmensa maioría dos casos, funcionarios ou traballadores que non arriscan o pan con manifestos políticos e protestas públicas, por que calan se saben moito máis ca min daquilo que calquera pode intuír? Será que somos mais mundanos e vaidosos os escritores galegos do que se recoñece, e que no fondo só ansiamos que nos conviden ao mellor evento do ano? Lembro, non hai moito, un día en que non puiden calar, porque me tocou de perto, perante unha deplorábel antoloxía de poesía galega en castelán. Cando non puiden máis, falei aínda que todo o mundo calaba. Só dúas persoas se dirixiron a min: unha, para desculpar os erros do antologador de orixe galega mais de perspectiva mesetaria; outra, para darme a razón, só en privado, pousando a súa man agridoce no meu ombro. Lembro tamén cando Agustín Fernández Paz rexeitou o Premio da Cultura Galega; aí sentín que se aínda existía o meu pobo era por persoas así.

Día tras día vexo como @s mais ousad@s do sistema literario se comprometen con causa xustificada e erguen bandeiras vellas e novas contra a inxustiza. Mais por que, na discriminación que semella sufrir a AELG, calan perante a invisibilización da maioría democrática do seu gremio? Por que baixan as orellas perante o desprezo da súa asociación profesional mentres ven como un clube privado se beneficia de modo se cadra opaco dos recursos públicos? Consenten? Entón todo ben está, e o rei camiña nu mentres todos lle louvamos o traxe.

Estou certo de que estes comentarios meus molestarán a uns, se cadra mesmo a amigos meus, e que outros, como noutra ocasión, tal vez me aplaudirán en privado. Mais as miñas preguntas, se esta situación de pasividade e incerta dignidade se confirma, continuarán cravadas como unha espiña que ninguén quixo extraer, algo incómodo que periodicamente nos increpará en voz baixa frases como estas: “Por que calamos os escritores?”, ou “Con esta atitude, que futuro nos espera?”.

{Praza Pública}

Nota: No cartaz oficial acima pode observar-se alguma gralha.

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logo Certame Manuel Murguia de Arteijo

Tolerância gráfica no certame literário de Arteijo

logo Certame Manuel Murguia de ArteijoNa próxima edição, a celebrar em 13 de maio de 2016, o Certame de Narracións Breves Manuel Murguia de Arteijo atingirá os vinte e cinco anos. Nasceu em 1992, numa época em que a cultura galega experimentava uma rápida institucionalização. Os prémios literários surgiam e diversas instituições e agentes culturais alicerçavam, por toda a parte, o que deveria ser, enfim, um incipiente sistema literário.

Naquele tempo, Henrique Rabunhal Corgo era um ativo professor e escritor arteijão que conseguiu instituir e consolidar, à par da prévia promoção da escrita entre os alunos do município, um prémio de narrativa breve com o nome do patriarca dos estudos galegos, Manuel Murguia, que por acaso teria nascido na paróquia arteijã de Pastoriça. São anos de grande efervescência cultural, e uma etapa em que as escritoras e os escritores da geração de 80 atingem a maturidade — assim como acontece com a CRTVG, com a AELG, com o ensino do galego, com os apoios das fundações à arte e à literatura, etc.― e uma parte muito relevante das plumas do país aderem o movimento reintegracionista em graus diversos, na sequência das teorias do professor Ricardo Carvalho Calero. Não se produziu ainda, portanto, o grande acordo político de fim de século para impor uma norma unificada.

Graças a que nasceu antes da rija e vigente institucionalização ortográfica, um espírito eminentemente criativo, essencialmente artístico assoprou na orelha do recém-nascido certame o alento da liberdade, e deste modo chegou aos nossos dias, mantendo esta coerência inicial, como um espaço para a inspiração sem censura. Presentemente, encetado o quarto lustro do século XXI, muitas dúvidas sobre o sucesso das políticas culturais assaltam os preocupados com a língua; porém, a atitude fundamental do certame de Arteijo, em contraste com os vaivéns do sistema literário, revela-se estável e proveitoso. E isto obedece a que o prémio nunca esqueceu o seu alvo, a criação literária, deixando às escritoras a máxima liberdade e não se constituindo em baluarte de uma concreta política linguística, mais ou menos duradoura. Hoje, este prémio pode afirmar não ter marginalizado nenhuma obra em razão do modo gráfico em que nasceu, facto que inocula no âmbito literário, e por extensão na sociedade toda, um sentimento de irmandade de que todos os galeguistas nos devemos orgulhar, e que mesmo podemos tomar como exemplo de gestão cultural.

NOTA: No sítio web do Concelho de Arteijo é possível consultar as bases.

{Portal Galego da Língua}

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A ideia ~ Revista de cultura libertária 73-74

A Ideia, revista de cultura libertária

A ideia ~ Revista de cultura libertária 73-74O número duplo nº 73/74 da revista de cultura libertária “A Ideia” oferecia no ano passado mais de 250 páginas dedicadas ao Surrealismo e ao Café Gelo. O António Cândido Franco, diretor da revista, é um velho amigo da Galiza que gostamos imenso de reencontrar. O redator adjunto, o João Mendes de Sousa, é um artista com quem nos sentimos à vontade. E assim as velhas relações e as novas se encontram no mesmo coração, mercê à persistência da musa em tempos tão adversos, e o caminho se revela certo.

Lemos a revista e gostamos da sua variedade nos assuntos e nas plumas: Agostinho da Silva, Alfredo Margarido, Alexandre Vargas, Ângelo Lima, António Barahona, António Cândido Franco, António Gonçalves [“Henrique Risques Pereira”], António Telmo, Benjamim Péret, Fiame Hasse Pais Brandão, Gonçalves Correia [sobre Brito Camacho], Joaquim Palminha da Silva, Jorge Leandro Rosa, José Hipólito Santos [“Um militante libertário: Moisés Silva Ramos], José Maria Carvalho da Silva, Luís Amaro, Manuel de Castro [dossier de/sobre este poeta], Manuel Hermínio Monteiro, Manuel Silva, Maria Estela Guedes, Maria de Fátima Marinho, Miguel Carvalho, Nuno Júdice, Paulo Borges, Pedro Martins, Pedro Oom, Raul Leal, Rui Sousa, Sérgio Lima, Sofia Carvalho, Teixeira de Pascoaes, Virgílio Martinho.

Do Agostinho da Silva, sobre um livro de António Telmo (autor de preferência na minha humilde biblioteca dedicada à tradição esotérica galego-portuguesa), gostei de ler uma referência à Galiza:

«[…] O que António Telmo nos vai levantando neste seu livro ou colecção de ensaios e depois de, apesar de tudo, ainda dar um ar de sua graça académica no primeiro capítulo, é extremamente importante para o entendimento do que somos no mundo, nós galegos, ou nós brasileiros, ou nós portugueses. Bom seria que os científicos pusessem de lado a irritação que talvez o escrito lhes cause e averiguassem tudo o que por ali se diz a respeito de maniqueísmo na mentalidade de cultura lusíada, de priscilianismo ainda tão mal averiguado, de culto do Espírito Santo de que tão imperfeitamente se conhecem as ligações aragonesas e catalãs ou os caminhos sicilianos, de conceitos de paraísos futuros, que conviria talvez ligar com a história da Comuna de Münster e as ideias de Jan de Leide quanto a uma Quinta Monarquia e a uma segunda vinda de Cristo.

O mal dos nossos científicos não está propriamente em serem científicos, o que é excelente; está em se fazerem de científicos, como se bastasse para isso passarem seus concursõezinhos de cátedra e ficarem depois remoendo, plácidos, a ração de alcofa oficial; e está muito em se educarem em escolas de Europa, aplicando depois ao que não é Europa, e espero que nunca o seja, critérios europeus, casos de história cultural europeia, perspectivas europeias.  O resultado é que nunca ninguém se debruçou sobre o complexo galaico-português, que vem desde Paio Soares e D. Sancho a José Régio e Castelao, quaisquer que tenham sido as aventuras da História, e daí, atravessando os mares, se enriqueceu produzindo o Brasil, futuro senhor cultural do mundo, com olhos verdadeiramente portugueses, porque só se encontra no exterior o que se é por dentro […]». [pp. 160-161]

A IDEIA (cartaz de 2015)_versão finalO Portal Anarquista, em colaboração com “A Ideia” disponibilizou o PDF desta edição. E se isto foi quanto aos números e 2014, temos notícia de que o volume correspondente aos números 75-76 já está a ser apresentado em Portugal. Aguardamos impacientes a nova publicação, em que aliás muito nos honra ter podido incluir uma breve colaboração do Grupo Surrealista Galego.

Quem quiser adquirir a revista em suporte de papel pode pedi-la para o seguinte endereço: A Ideia – Rua Celestino David, 13º-C, 7005-389 Évora. O donativo recomendado para cada exemplar é de 20 euros que podem ser pagos por transferência bancária para o NIB 00350 73400014449400 13.

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Os valores de uma civilização

Quando ouço falar em Grécia como berço da civilização ocidental pergunto-me até onde influiu a cultura clássica no modo de ser dos vários povos de Europa, entre eles a Galiza. Atribui-se aos gregos o mérito de nos conquistar com sua mente racional e filosófica, com suas colunas de complexos efeitos óticos, com sua estética do vertical sobre o horizontal, com seu espírito masculino sobre um tépido e domável mar, e não sei onde isso tudo se pode achar na história e na idiossincrasia do meu país, aquele que sempre destacou por albergar ancestrais tradições mágicas, pola criação poética, polo protagonismo de seus inúmeros rios e requintados portos de mar, pola estética da viçosa e anárquica floresta, polo seu espírito feminino à beira de um generoso, infindo e bravo oceano.

Reparo, em definitivo, no Pártenon e não vejo nada comparável salvo a sensibilidade que implica venerar o Monte Pindo como um tributo da terra ao mar, um lugar de encontro que só uma mente subtil, milenária e sábia é capaz de apreciar, como um diamante que não foi talhado porque o seu valor era percebido sem necessidade da nossa intervenção.

{Sermos Galiza}

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Terra coletanea publicada de fotografos e poetas galegas e portuguesas publicada por Cultura que une 2015

Terra, edição de “Cultura que une”

Terra é um livro coletivo editado pelo projeto transminhoto «Cultura que une», uma aposta galego-portuguesa por fazer da antiga cultura galaica comum, muito mais extensa do que os limites políticos e territoriais da atual Galiza, uma experiência do nosso tempo. Não se trata de mover ou eliminar fronteiras mas de viver como se elas não existissem, nem de concorrer pelos méritos do passado ou do pressente mas desfrutar do convívio natural a que uma mesma terra nos convida desde há milénios.

É nessa sequência que nasceu a primeira publicação de Cultura que une, um livro iluminador que tudo o conta já no título: Terra. Consiste numa coletânea de fotógrafos e poetas galegas e portuguesas que partilham por pares suas particulares maneiras de ocupar a folha em branco. De partida, as fotografias foram propostas e a seguir os poemas, inéditos e não só, foram aconchegados para fornecer outros pontos de fuga.

Fotografia: António Pinto, Anxo Cabada, Catarina Almeida, Diogo Cardoso, Fernando Ribeiro, Iván Merayo, João Madureira, Maribel Valdivieso Varela, Santi Amil, Xosé Luís Alonso.

Poesia: Alfredo Ferreiro, Amadeu Baptista, António Fortuna, Berta Dávila, Carlos Da Aira, João Madureira, José Braga-Amaral, Ramiro Torres, Virgínia do Carmo, Yolanda Castaño.

Uma versão áudio-visual dos conteúdos pode achar-se no Canal Culturaqueune.

Disponível na Galiza na livraria Aira das Letras de Alhariz e em Portugal na Traga-Mundos de Vila Real.

Fotografia Frigindo os rojoes no pote por Joao Madureira

Frigindo os rojões no pote, por João Madureira

ARDER

Arder, aquecer no pote
o tempo e perceber o doce sabor
de aquilo que nasce
aquilo que morre
aquilo que mora no bordo da existência,
como um fungo que raramente aparece
e logo se oculta, fugitivo insensato
na derme sacra da terra
nas leves asas do vento
nas iriadas brânquias do mar,
que em nenhum lugar permanece
por ser apátrida sempre
onde outros erguem bandeira
e defecam pomposamente.
Caminhar sem tempo
alargadamente num único latejo
pela imagem da lua que dança
na marisma de um pensamento cordial,
maravilha do sacro no quotidiano.

Alfredo Ferreiro. Inédito

*

«A Galiza e o norte de Portugal, filhos de uma mesma cultura que ficou truncada, não tanto na época em que D. Afonso Henriques proclamou a independência do Condado Portucalense, mas sim quando foram implantados os tratados de limitação de fronteiras por estados liberais fortemente jacobinos e centralistas ao longo do século XIX.
Nas duas primeiras décadas do passado século XX, intelectuais e criadores galegos e portugueses falaram da necessidade do reencontro. Mas as violências do século XX, nomeadamente as ditaduras, a Guerra Civil Espanhola, a repressão, as dificuldades económicas que afectaram os povos ibéricos pareceram silenciar este diálogo que, na forma de encontros entre arqueólogos, escritores, filólogos, etc., continuaram à margem do discurso oficial.
Amarante é um referente para este reencontro e também encontro. A figura de Teixeira de Pascoaes, grande admirador de Rosalía de Castro (Pascoaes escrevia a Risco que haveria de se lhe fazer uma homenagem) foi um referente simbólico para uma intelectualidade galega. E não só Pascoaes. Também Leonardo Coimbra, Santos Júnior, Carlos de Passos, Hernâni Cidade, Rodrigues Lapa, Vicente Risco, Viqueira, Noriega Varela, Castelao, Filgueira, Jenaro Marinhas del Vallhe, Valentín Paz Andrade, Carvalho Calero, são um bom exemplo de intelectuais que, em algum momento da sua vida, trabalharam para o reencontro.
Mas se é necessário o reencontro também é igualmente necessária a redescoberta de um património cultural que teve origem no território da Gallaecia romana e que teve na língua galaico-portuguesa a sua fonte de criação. O património comum galaico-português faz parte do acervo da humanidade em criações tão singulares como as cantigas medievais da nossa lírica que transparecem uma rica tradição oral onde beberam os trovadores. A cultura popular comúm que manteve a sua vitalidade até ao presente, apesar da fronteira política, debe obter o seu maior reconhecimento mediante a inscrição na Lista Representativa do Património Imaterial da Humanidade da UNESCO.
A aprovação a 11 de Março de 2014 pelo Parlamento Galego da Lei Valentín Paz-Andrade, fruto de uma Iniciativa Legislativa Popular, publicada no DOG de 8 de Abril de 2014, convida-nos, e até certo ponto obriga-nos, a aprofundar o esforço do reencontro.
Para contribuir para fazer da Lei realidade, damos impulso às seguintes actividades a desenvolver em Amarante e na Corunha nesta edição de 2015, que esperamos que não seja a última. A eleição destas duas cidades para a presente edição não é arbitrária. Se Amarante tem a força simbólica de Pascoaes, a cidade da Corunha é onde está a sede da Academia Galega, instituição civil constituída por aqueles que pensavam no ressurgimento da Galiza.
»

{Cultura que une}

Proximamente culturaqueune.com

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