Os valores de uma civilização

Quando ouço falar em Grécia como berço da civilização ocidental pergunto-me até onde influiu a cultura clássica no modo de ser dos vários povos de Europa, entre eles a Galiza. Atribui-se aos gregos o mérito de nos conquistar com sua mente racional e filosófica, com suas colunas de complexos efeitos óticos, com sua estética do vertical sobre o horizontal, com seu espírito masculino sobre um tépido e domável mar, e não sei onde isso tudo se pode achar na história e na idiossincrasia do meu país, aquele que sempre destacou por albergar ancestrais tradições mágicas, pola criação poética, polo protagonismo de seus inúmeros rios e requintados portos de mar, pola estética da viçosa e anárquica floresta, polo seu espírito feminino à beira de um generoso, infindo e bravo oceano.

Reparo, em definitivo, no Pártenon e não vejo nada comparável salvo a sensibilidade que implica venerar o Monte Pindo como um tributo da terra ao mar, um lugar de encontro que só uma mente subtil, milenária e sábia é capaz de apreciar, como um diamante que não foi talhado porque o seu valor era percebido sem necessidade da nossa intervenção.

{Sermos Galiza}

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.

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