Eduardo Estevez em Poetas DinVersos por Alfredo Ferreiro 1000

Poetas Di(N)versos

Eduardo Estevez em Poetas DinVersos por Alfredo Ferreiro 1000O ciclo de poesia nacional e internacional Poetas Di(N)versos inicia sua pausa estival. Na tarde de 13 de junho contamos com a presença do nosso amigo Eduardo Estévez e tivemos a oportunidade de conhecer a poeta argentina Mercedes Roffé, a quem pudemos retratar junto com a apresentadora e diretora do ciclo Yolanda Castaño. Do poeta e da poetisa oferecemos os poemas que figuram no díptico do evento:

unha balea varada na praia
estarrece como a ruína dun imperio

é unha postal imposíbel
no centro da paisaxe

treme o aire que paira
inmóbil ao seu redor

e non ten
esa tensión do horizonte
senón acaso a conciencia de ser
ela mesma todo un final

a balea é un deus caído
unha espera deitada

se falas con ela
parecerá que escoita a túa dor
e devolve preamar

uns nenos achéganse
pés na area fría
observan con distancia

a balea non pode moverse
pero non é o seu cheiro
o que estarrece

acaso sexa
a inmensidade da metáfora

EDUARDO ESTÉVEZ

*

XVIII.
ahhh, flor radiante
belleza radiante
vibración radiante
agua y temblor
escalofrío y piedra

ahhh mundo y río y sinrazón radiante
millones de estrellas radiantes
noche oscura y radiante
millones de bocas-pétalos
radiantes nubes, peces, pájaros
árboles y selvas
nieve y rocío
torrente, abismo, fuego radiante
musical

oh refulgente
nada
numinosa

lumínico
pan nuestro

MERCEDES ROFFÉ

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.

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