isto e o amor de caxade

Caxade, mestre do amor

Há um tempo que venho reparando nas obras do Caxade, na sua mestura de tradição e vanguarda,  e não podo menos que surpreender-me cada vez. Entre os ingredientes das suas criações figura uma massa fina e delicada composta pola tradição popular das bandas de música, algo que me lembra um agradável cheiro a foguetes, polvo, sessão vermute, petardos, rapazes a correr por entre os velhos no campo da festa e adolescentes fugindo dissimuladamente do bulício da verbena para buscar os melhores abraços do verão sob a cumplicidade das estrelas; e isto, junto duma perspetiva pessoal que tem seu aquel de surrealista, libertário e criador de mundos (im)possíveis dos que podermos olhar “a dança dos moscas”, a “gente pota”, os “capadores de extraterrestres”, como sendo o artista um “afiador da realidade” que afinal assume o objetivo comum a todo filósofo, a todo poeta em seu mais vasto sentido: discernir o que em definitiva “é o amor” e mostrá-lo numa linda alegoria em que podermos libar algo da imarcescível e obscura harmonia do mundo.

Aliás, o fato de partilhar cenário com a Banda de Música da Bandeira toca-me de perto, pois as Terras de Trás-Deça são aquelas em que as raízes da minha família se assentam desde que tenho conhecimento.

Na revista Palavra Comum os amigos figérom uma linda homenagem poética ao artista que não devemos perder.

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.

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