Debates político-literários

Xavier Alcala por Nifunifa«Há tempos que, por regra, não há debates de peso na intelectualidade do país. Será que a vida política, que balança do roubo nas arcas públicas ao messianismo mais superficial, produz um fastio paralisante nas plumas galegas. Mas existem, no entanto, exceções como o Xavier Alcalá, que vem livrando em solitário uma guerra pola dignidade do Centro Pen de Galicia, segundo as declarações que como aprendiz de outsider não deixo de seguir (cfr. “Centro Pen” no blogue O levantador de minas).

Nesta ocasião o professor Alcalá houvo de trazer para a mesa velhos argumentos para defender algo básico: não se pode falar em literatura galega —enquanto a língua galega ainda não desaparecer— sem assumir que a escolha linguística é uma marca de galeguidade incontornável. Read More

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Maria Dovigo: “Só quem cria é que vê longe”

«[…] Toda essa comunidade cultural que vai da Galiza à Irlanda e mais além, que não passa pelo centro de um império, é invisível e impossível para muitos. Ao fazer a interpretação histórica de Espanha, é lugar comum nunca completamente contestado que a Espanha seria impensável sem o culto jacobeu. Américo Castro até dizia a meados do século XX que sem a referência de Santiago, a Espanha seria uma continuação do norte de África. Mas quer ele quer Claudio Sánchez-Albornoz, os que mais refletiram sobre o fenómeno jacobeu no século XX como estruturante da Espanha cristã, mostram a sua perplexidade porque um fenómeno cultural e político de tal dimensão tivesse assento na Galiza, que “no tuvo significación perceptible bajo los romanos ni en época visigoda”, como diz Américo Castro. Para alguns, e vem sendo a narrativa dominante, não há outra possibilidade cultural se não a que se transmite de império para império, literária e institucionalizada, como se os humanos não fossem sempre mais criativos e inovadores lá onde os centros imperiais não têm domínio, como nas ilhas gregas onde nasceu o pensamento científico e a especulação filosófica. Ou como se não fosse cultura aquela que vai na palavra viva e não escrita que recebemos como o pão na casa familiar. Nunca compreenderão porquê são uns imperialistas fracassados, porque deles só é o braço que executa e a espada que corta e nossa é a cultura que se vai filtrando sem que eles consigam fugir a ela, a cultura da que precisam viver como homens simples entre o mar e o céu. Porque matar é o contrário de dar vida e só quem cria é que vê longe […]».

Gostei imenso deste artigo de Maria Dovigo publicado no Portal Galego da Língua. Porém, a proeminência medieval galega no religioso e no cultural sim deveu ter correspondência no terreno político e no económico, mas a historiografia espanhola oculta ou não quer ver esta realidade. Read More

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“A ollada do señor Manuel” (Grial 209)

Manuel Molares por Nifunifa 1

Manuel Molares por Nifunifa (2016)

«Os cen anos de Manuel Molares pesan no meu cerebro como un concepto imposible de asumir. Por fóra co seu abrigo incólume, a súa gravata no punto e o seu aquelado chapeu; por dentro unha guerra enteira que non cesa, con marchas baixo o fogo inimigo, a primeira liña ás ordes do inimigo, a posguerra acosado polo inimigo, sometido ás ultraxes do inimigo, tolerando os privilexios do inimigo, calando ante as mentiras do inimigo, sufrindo as leis e as ilegalidades do inimigo… E face a isto, un corazón heroico que nunca deixou de encomendarse a Deus e nin de traballar polos homes. Read More

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