Praia de Alva (título anterior: "Vaticínio sobre o 20N"

“Empurra-me a lua”

Empurra-me a lua

Empurra-me a lua
pelas escadas abaixo
da vida,
a lua cheia de viço
e de argumentos lunáticos
que se não podem deter
até ao fim de umas escadas
que não cessam
de serem fundas e rijas
para umas pernas cansadas
de descer mais uma vez.
Empurra-me a lua
e não sei responder
uma pergunta intencionada e oculta
que ela me dispara
ao miolo do coração.
Uma pergunta com uma resposta obscura
que só perante o luar
infinito da vida
serei capaz de acometer,
enquanto adormeço indolente
no baloiço sustido
por uma rama noturna
robusta e subtil
que um menino que brinca
desflora enquanto sonha
no cimo do cantil.
Empurra-me a lua
para um sol que não deixa
de rir para mim.

A Corunha (Galiza – Espanha), Dezembro de 2018

*

Poema publicado em prosa na Gazeta de poesia inédita de José Pascoal. Foto: “Praia de Coroso”, 2012. {Cf. Palavra Comum}

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.

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