Presentación do libro “A secreta melancolía da garza” e Bases do 29º Certame de Narracións Breves Manuel Murguía de Arteixo

14 de novembro, xoves, no auditorio do Centro Cívico e Cultural ás 20:00 hs.

Arredor do libro, colectánea dos relatos vencedores nos tres últimos anos do Certame, será establecida unha tertulia pública que contará coa presenza de José António Lozano, Mercedes Leobalde e Tiago Alves Costa, persoas gañadoras dos últimos tres anos, do Alcalde de Arteixo, Carlos Calvelo, do deputado de Cultura da Deputación da Coruña Xurxo Couto e do escritor Xavier Alcalá, que representará á Editorial Galaxia.

No mesmo acto, o director literario do Certame, Alfredo Ferreiro e o Alcalde de Arteixo, Carlos Calvelo, farán públicas as bases da 29ª edición do Certame.

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Auschwitz em Mucela por Alfredo Ferreiro 2019

Amanhecer no rio Alva

Ponte d’Arte

Num fim de semana em outubro de 2017 as chamas engoliram quilómetros e quilómetros de florestas de eucalipto e pinheiro em Portugal. Os incêndios mataram 63 pessoas na região de que faz parte Ponte da Mucela (Arganil). Algumas ficaram presas enquanto tentavam fugir em seus carros. Dezenas ficaram feridas e milhares foram evacuadas de suas casas. Muitos edifícios foram destruídos —incluída a grande oficina de camiões de Ponte d ‘Arte e, com ele, uma quantidade substancial de obras de arte e pertenças.

Ponte dArte por Alfredo Ferreiro 2019
Ponte d’ Arte por Alfredo Ferreiro 2019

Mas Celia e Kris desafiaram o futuro e decidiram assumir riscos, reconstruirem e seguir em frente. Dois anos após o incêndio, apresentaram o que será uma galeria de arte construída a partir das suas prezadas ruínas. Durante uma residência de 12 dias, vários artistas e um escritor foram convidados a criar obras in situ como um palimpsesto, contextualizando o acontecido na região e refletindo a partir da resiliência da sua comunidade. Assim, juntos “sobrescreveram” os traços da paisagem e os numerosos remanescentes do inferno, enquanto exploravam a maneira mais eficaz de expressar o desastre e a recuperação da vida.

As Bouças de Mucela por Alfredo Ferreiro 2 2019
As Bouças de Mucela por Alfredo Ferreiro 2 2019

Várias perspetivas criativas estiveram disponíveis nas instalações e nos espaços imediatos disponibilizados por estes professores de arte. Contaram com os resíduos e as abundantes relíquias que ficavam à espera de ser exploradas. Os detritos queimados e a chuva que se seguiu ao lume produziram tons, tonalidades e texturas surpreendentes, marcas corrosivas e formas contorcidas e fixadas que o público, assim que temperadas pelo talento, pôde descobrir.

Caminho da Moura Morta por Alfredo Ferreiro 2019
Caminho da Moura Morta por Alfredo Ferreiro 2019

Podemos dizer, após esta experiência de convívio artístico, que a memória não é um cofre para guardar as lágrimas senão um forno para cozinhar a dor do passado e fazer um pão novo com que alimentar a alegria de viver. Nestes dias de trabalho inspirado temos compartilhado reflexões artísticas com pessoas de vários países (França, Itália, Letónia, Coreia, China, Uruguai, Bélgica, Galiza, África do Sul…), mas também cozinhado produtos locais e desfrutado juntos, sempre contando com o apoio e o interesse dos vizinhos de Ponte de Mucela. A todas ficamos gratos e por isso a todas quisemos mostrar os frutos do esforço realizado, quer dizer, a nossa vontade de apurar o talento artístico e convertê-lo num recurso proveitoso para todos.

A escrever sobre a cinza

Quanto a mim, escritor em residência, tinha chegado da terra verde de além-Minho convidado a um convívio criativo com o propósito de refletir poeticamente sobre o conceito de resiliência no que diz respeito dos incêndios. Descrever a desolação do monte calcinado, a solidão das pedras despidas e a esforçada vontade das árvores jovens num deserto de cinza era talvez a tarefa mais evidente. Mas logo que comecei a escutar ou, melhor, que comecei a sentir os efeitos da tragédia nos corações das pessoas, houve de entender que aquele cataclismo compartilhado se tinha tornado uma experiência particularmente marcante em cada indivíduo.

As Bouças de Mucela por Alfredo Ferreiro 2019
As Bouças de Mucela por Alfredo Ferreiro 2019

2017 era a data funesta, e eu próprio nem podia esquecer de que modo para mim na altura uma vida acabou e outra distinta deu começo.

Na minha Galiza estes incêndios são comuns, se calhar pelas mesmas razões económicas e a causa das mesmas criminosas intenções, porém a minha conexão poética foi mais profunda: devia é falar em termos de incêndios interiores, catástrofes pessoais, lumes que abrasam o que nos rodeia enquanto a alma fica paralisada…

Rio Alva em Moura Morta por Alfredo Ferreiro 2019
Rio Alva em Moura Morta por Alfredo Ferreiro 2019

No entanto, como incluir o conceito de resiliência após um acidente que põe em xeque a nossa vida? Se calhar só é possível, por duro que possa parecer, assumir que nem sempre o que desaparece de vez, sob o lume ou por outra causa, acontece para o nosso mal. Se calhar só cabe entendermos a desaparição da realidade conhecida como uma oportunidade que a vida nos dá para pôr a prova a nossa energia criadora, uma energia que sempre é capaz de nos fazer ressurgir se for preciso, uma energia universal, porque cósmica, à que sempre devemos estar conectados. Com estes vimes foi que teci este poema:

AMANHECER NO RIO ALVA

Quanto valerá uma casa
se não for construída
com as nossas mãos?
Podemos carregar
os pesados tesouros do passado
e logo um incêndio desalentador
vir-nos despojar daquilo
que nos arrastava ao fundo,
um incêndio devastador
para aquilo que nos sobrava
até porque desconhecemos a escravidão
do que sempre servimos como condenação,
aquilo que só a nós cabe
e que só por nós se cumpre
na nossa casa e fora
no que sempre sonhamos que não podia ser
porque mesmo os sonhos nasciam
para nos enganar com lágrimas doces.

O espírito criador não se conforma
com desfrutar do alheio
porque o velho traz uma luz
que não esclarece a vida
não ilumina o caminho
dum presente sempre a mudar
que cresce na surpresa de cada dia
que floresce em cada expiração
e em cada latejo é nossa sempre
como se um novo ser surgisse do nada
para o longínquo futuro do que somos
do que sempre fomos
apesar das âncoras que nascem dos sonhos
para nos alagar nos desejos de outrem,
pedras que viajam connosco
na carreta que não deixamos de empurrar.

Mas um dia descobrimos que o nosso destino
sempre esteve associado ao lume.
Desde que nascemos ardemos cada dia
e nem por isso deixamos de nos surpreender
quando as brasas queimam a nossa pele.
O lume consome a memória.
Por isso tudo é novo após o incêndio
por isso o lume é purificador
sendo o único que a cinza deixa
a vontade dum novo amanhecer.

Em cada fogueira celebramos o ritual
e sem sabermos um lume avança
sob os nossos pés
mas ninguém repara
nessa presença espiritual
no seu valor como representante enviado
pelo coração da Terra,
pois tudo enfim eclode
como um vulcão aparece,
assim todos os que nascemos
dum útero terrestre.

O fogo é aquilo que nos aquece
desde o amanhecer no rio
até o pôr-do-sol no oceano.
Só à noite a lua arrefece
a vida enquanto acende
as sombras que contornam os sonhos,
dos desejos suas sementes.

Ó venerada Moura,
prostrado a teus pés
presto homenagem à tua memória,
Senhora que desatas os nós do mundo,
por ti os caminhos não acabam
nem as fontes se esgotam
nem os corações desamam.

Ponte de Mucela (Arganil), 13 de outubro de 2019

*

Nota: Estes textos foram lidos na festa de clausura do “In Situ3 – Workshop 1” da Ponte das Artes.

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{Palavra Comum}

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«Das ruínas do mundo às minas do ser», por José António Lozano

(Sobre a Teoria das Ruínas de Alfredo Ferreiro Salgueiro)

“Escrever poesia não tem nada a ver com o número de livros que você leu ou o conhecimento que temos sobre a escrita. Em vez disso, como gotas de água transportadas por ondas do mar que saltam fora das rochas, são os sentimentos espontâneos que surgem a partir de matéria externa e pensamentos internos”

(Palmo, poeta tibetana contemporânea)

De um fragmento tecemos uma totalidade em aberto e o propósito do poema surge da sua ressonância, a significação expande-se como as ondas das águas em que caiu uma pedra. Uma pedra atirada do nosso próprio coração. E aquilo que pensamos atirar longe, muito longe de nós, ressoa na nossa consciência, explode no interior da nossa própria recordação. Pura lei física de ação e reação. Lembremos, pois, este princípio.

A leitura de Teoria das Ruínas [Poética Edições, Braga, 2019] obriga-nos a pensar e repensar desde uma consciência lúcida, interrogativa, meditativa. A poesia não é aqui um luxo estético nem uma comprazente palavra de beleza arcádica. Não. Constitui a beleza áspera de uma palavra arrancada ao corpo, à conflitiva e paradoxal contradição de uma existência viva que se acha arrojada a um mundo muito longe de um ideal de liberdade e justiça que o poeta leva como missão íntima, como promessa e palavra da condição poética. As ruínas são sempre esse “mundo” onde o ser humano mora. Uma deslocação do mundo da cultura, da morada humana ao âmbito da “natura”, mas no sentido de uma barbárie, de uma degradação em que os objetos se aproximam, perdendo também a sua humanidade.

Pode ser assim? Só até certo ponto. O poeta sabe das ratas que ecoam entre as ruínas do ser e do mundo:

São escuros animais que roem / a madeira em que talhamos a consciência / percebem as fendas da solidão, / entram pelos buracos da confiança / e envenenam os poços do amor.

O poeta sabe das moscas que zoam e, provavelmente, zombam dele no recanto do café, das suas amargas contradições que docemente sorvem. Mas o poeta sabe também outras cousas. E aquilo que o poeta sabe é uma forma de interrogar e uma maneira de conduzir a sintaxe que produz faíscas e paradoxos, que é capaz de introduzir uma ordem dilacerada. Alfredo Ferreiro constrói estrofes, versos, poemas sobre a base de uma enunciação direta, quase narrativa, mas sustentada numa luminosa cascata de metáforas surpreendentes. Que quer dizer isto? Há uma proposição continuada de sentidos, uma narração, como um conto. Há também uma sabedoria nascida da observação apurada que se mostra ousada, elevando-se em metáforas que transformam a simples facticidade do mundo. Nesse jogo, nessa dialética entre a intimidade e as ruínas do mundo, entre o possível e o impossível, a poesia emerge como uma lança que trespassa os limites e vai além de esse dualismo. De este jeito, o mistério e o enigma do cosmos, da nossa vida, da nossa existência está presente. Não se trata de uma exaltação da mesma ou da construção de um tema, mas uma presença cúmplice que irradia a leitura dos poemas cheios de uma metaforização rica, presente quase em cada verso, transformando-se, metamorfoseando-se. Há uma evolução do mundo na semente da palavra e um processo cósmico na consciência do poeta. Assim:

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2019-05-23 RAIAS POÉTICAS 8 AFLUENTES IBERO-AFRO-AMERICANOS DE ARTE E PENSAMENTO 2019

RAIAS POÉTICAS 8: 24-25 de maio em Vila Nova de Famalicão

RAIAS POÉTICAS: AFLUENTES IBERO-AFRO-AMERICANOS DE ARTE E PENSAMENTO

PROGRAMAÇÃO

23 Maio
Casa do Território( parque da Devesa)
24 >25 Maio
Casa das Artes VILA NOVA DE FAMALICÃO PORTUGAL
CURADORIA: Luís Serguilha
Organização: Associação RAIAS-POÉTICAS
Apoio: Câmara Municipal de Famalicão

23 MAIO CASA do Território (parque da Devesa)
17h30
Raias Sonoras
C/ Filipe Campos Melo; Aurelino Costa; Manu Bezerra de Melo; Maria Toscano; João Manuel Ribeiro; Minês Castanheira; Alcimar Souza Lima; Orlando Alves; Abreu Paxe
18h30
Dobras do pensamento
O artista fez um pacto com a vida e com o pensamento: quebrar clichés!
C/ Joaquim Pimenta; Fernando Barbosa; Alcimar Souza Lima
Surfista: Helena Amaral Correia Romão

24 Maio CASA das ARTES
17h00
RAIAS SONORAS( POETAS)
C/ Tiago Alves Costa; Carla Carbatti; Alfredo Ferreiro; Carlos Nuno Granja; Maurício Vieira; Adília César; Vasco Catarino Soares; Vítor Cardeira; Luís Filipe Sarmento

18h00
Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão
Dr. Paulo Cunha
18h30
RAIAS SONORAS( POETAS)
Fê-Luz; Ângela Almeida; Carla Muhlhaus; Alberto Pereira; Mariana Portela; Jaime Rocha

19h00
DOBRAS-de-PENSAMENTO
Escrever é tornar-se um bastardo, um traidor, um sintomatologista!
C/ Paulo P Domenech Oneto; Domingas Monte; Alcimar Souza Lima
Surfista: Elisa Costa Pinto

25 MAIO CASA das ARTES
10H00
DOBRAS-de-PENSAMENTO
O Escritor produz uma língua fora da maioria: uma língua que atinge o sublime quando o escritor deixa de ser escritor: o agramatical!
C/ Leonardo Maia; Anton Adam Freire; Abreu Paxe
Surfista: Júlio Sá

15h00
DOBRAS-de-PENSAMENTO
A DANÇA é um POEMA em construção na ruptura das palavras
C/ Ana Vitória; Helia Borges; Cristina Benedita
Surfista: Paxton Bausch

17h00
RAIAS-SONORAS (POETAS)
C/ Bruno M. Silva; Virna Teixeira; João Mendes Rosa; Gisela Casimiro; Francisca Camelo; Jorge Velhote

18h00
DOBRAS-DE-PENSAMENTO
O ACTOR atinge o animal em si: é a força do corpo do poema: dobra, desdobra a voz, a palavra e o falso, diluindo os limites dos órgãos
C/ Luisa Monteiro; Jaime Rocha; Thiago Arrais
Surfista: Celina Coelho Almeida

ESCRITORES, ACADÉMICOS, PROFESSORES, POETAS, ARTISTAS CONVIDADOS:
Paulo Guilherme Domenech Oneto (professor UFRJ, Brasil e Birkbeck, University of London); Leonardo Maia (professor UFRJ, Brasil e Université de Paris); Ana Vitória (coreógrafa, Bailarina, Professora universitária na Angel Vianna, Brasil) Jorge Velhote (poeta, fotógrafo, ensaísta, Portugal); Luís Filipe Sarmento (escritor, tradutor, Portugal); Filipe Campos Melo (poeta, Portugal); Aurelino Costa (poeta, actor, Portugal); Tiago Alves Costa (poeta, ensaísta, Galiza); Alfredo J. Ferreiro Salgueiro (poeta, ensaísta, Galiza); Abreu Paxe (poeta, ensaísta, professor universitário, Angola); Jaime Rocha (poeta, dramaturgo), José Lorvão (fotógrafo, Portugal); Luísa Monteiro (escritora, ensaísta, dramaturga e professora universitária); Carla Carbatti (poeta, ensaísta, Brasil); Antom Adam Freire (professor, escritor, Espanha); Mariana Guimarães (jornalista); Thiago Arrais (professor universitário, encenador, Brasil); Alcimar Souza Lima (psiquiatra, escritor e professor universitário, Brasil); Mariana Portela (poeta, Brasil); Bruno M. Silva (poeta, Portugal); Virna Teixeira (tradutora, poeta, editora, Brasil); Francisca Camelo (poeta, Portugal); Alberto Pereira (poeta, Portugal); Elisa Costa Pinto (professora e autora dos manuais Sinais, Signos e Plural, Portugal); Adília César (poeta, editora, Portugal); Ângela Almeida (ensaísta, investigadora científica, poeta, Ilha dos Açores); Carla Muhlhaus (escritora, ensaísta, Brasil); Manu Bezerra (poeta, Cronista, Brasil); Domingas Monte (escritora, Professora da Faculdade de Letras / Univ. Agostinho Neto e CEO da Associação Mwelo Weto, Angola); Gisela Casimiro (poeta, fotógrafa, Guiné Bissau); Vítor Cardeira (poeta, Portugal), Fê-Luz (poeta, artista plástica, Brasil); Maurício Vieira (poeta, Brasil); João Mendes Rosa (poeta, ensaísta e curador de arte, Portugal); Carlos Nuno Granja (poeta e curador literário, Portugal); Maria Toscano (poeta, professora universitária e actriz, Portugal); Celina Coelho Almeida (psicoterapeuta, Portugal); Vasco Catarino Soares (poeta, neurocientista, Portugal); Hélia Borges (psicanalista, pesquisadora e professora universitária na Angel Vianna, Brasil); João Manuel Ribeiro (poeta, editor, Portugal); Júlio Sá (professor de literatura portuguesa); Helena Amaral Correia Romão (pintora, galerista e professora, Portugal); Orlando Alves (poeta, Portugal); Minês Castanheira (poeta, Portugal); Cristina Benedita (professora de dança, pesquisadora Univ. Nova Lisboa, Portugal); Mônica Luhuma (Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, Angola); Joaquim Pimenta (professor, Artista plástico-fotografia, Curador de Arte, Portugal); Fernando Barbosa (dinamizador Cultural, Curador de Arte, Portugal)

HAJA RAIAS!

Cartografias aberrantes, turbulentas, plissadas, labirínticas, heterogéneas, ANORGÁNICAS (FAZER um CORTE no CAOS)
ANDAR-nas-RAIAS, no intermezzo, no entre-dois: tornar visível o invisível, tornar audível o imperceptível, tornar dizível o indizível, o intraduzível!
Haja cirandas estéticas-éticas-hápticas!
Haja pensamentos intensivos e potências do impensado!
Haja diferenças, experimentações e acontecimentos críticos!
Haja paradoxalidades, contágios, alegria dos encontros, composições afectivas!
Haja tempo puro, conexões-desejantes, dobras heterogéneas !
Haja línguas analfabetas-agramaticais e sombras expressionistas
Haja inconsciências, a-consciências, afectologias, complexidades!
Haja problematizações, transgeografias, topologias intempestivas!
Haja sensações, coexistências de loucuras que dizem SIM à vida!
Haja forças singulares, alógicas, aformais: haja corpos indomáveis!
Haja devires, espaços lisos e processos em variação!

Sentir os lances do acaso e mergulhar no IMPERCEPTÍVEL!!

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Premiados no Certame de Narracións Breves Manuel Murguía de Arteixo

O pasado xoves 9 de maio, celebrouse a cerimonia de entrega de premios ás 20:00 no Centro Cívico e Cultural de Arteixo e contou coa actuación de Quico Cadaval e Celso F. Sanmartín, ademais de cunha representación do xurado e varias personalidades institucionais

Foto: Dirección Xeral de Política Lingüística

O xurado composto por Charo Pita Villares (gañadora da 27ª edición), Inmaculada Otero Varela (representante da Asociación Galega da Crítica), Xabier López López (representante da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega) e Alfredo Ferreiro Salgueiro (coordinador literario, que asistiu como secretario, con voz e sen voto), reunido o pasado 27 de abril, decidiu por maioría conceder os tres premios ás seguintes obras:

1º. A casa das Castrouteiro, de Daniel Barral Calvo

2º. A idade do escarnio, de Tito Pérez Pérez

3º. Crónica de ningures, de Francisco Rozados Rivas

De todos os relatos recibidos, case setenta foran admitidos a concurso por cumpriren estritamente as bases.

A coordinación agradeceu un ano máis a presenza no xurado dun membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega, así como outro da Asociación Galega da Crítica, feito que contribúe a alicerzar o rigor do Certame no contexto sistema literario galego. Entregaron os premios Ana Bello Vázquez, concelleira de Cultura e Festas, Valentín García Gómez, Secretario xeral de Política Lingüística da Xunta de Galicia e Carlos Calvelo Martínez, alcalde do Concello de Arteixo.

Foto: Graciela Rabuña

O acto de entrega, presentado por Alfredo Ferreiro, ofreceu ademais a actuación Quico Cadaval e Celso F. Sanmartín, co seu espectáculo “Os contos de Joselín” e unha lembranza de Antón Fraguas, escritor homenaxeado este ano no Día das Letras Galegas. En canto á ambientación da gala, o Servizo Municipal de Cultura e Festas, comandado por Sonia Iglesias, deseñou unha recreación libre da casa en que naceu Manuel Murguía, no Froxel, contando coas artes florais de Richar del Toro e a profesionalidade habitual do equipo técnico do auditorio. Rematado o acto, ofreceuse un viño de honra como fin de festa.

Cf: arteixo.org

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O libro é un continente

Dedicado aos membros dos Clubes de Lectura de Arteixo, Carral, Culleredo (de Literatura Galega) e Carballo (da Biblioteca Rego da Balsa), que tan bos momentos me fan pasar arredor do lume intelixente dos libros

O libro é, ante todo, un continente. Se cadra o máis grande continente do planeta, e non só porque desde que naceu non deixa de medrar para que todo poda caber nel, senón porque aínda resalta no libro por sobre todas as cousas o que non se pode ler, o que non foi explícito, o que se sobreentende: a vontade de partillar o coñecemento.

Eu non vou falar do explícito, pois para iso temos especialistas en Biblioteconomía. Só quero proporvos que nos centremos en que o libro foi creado co propósito de compartir. É desde logo un acto individual e creativo, mais non deixa de ser antes pura xenerosidade, a manifestación do desexo de entregar aos mais algo que recoñecemos útil para a vida, unha ferramenta coa que podermos vivir mellor.

O noso prezado amigo Xavier Alcalá sempre di que os autores teñen tanta vaidade como gordura ten o queixo. E nós entendemos ben o que quere dicir: é preciso ser un auténtico exhibicionista para pasar a vida escribindo sobre o vivido. Porque a escritora, mesmo a de máis fantasía, no fondo sempre escribe sobre o que a fai vibrar, o que a apaixona, o que poboa o seu corazón, e iso sempre ten que ver co que experimentou profundamente.

Implica esta declaración do noso autor unha desculpa perante o seu protagonismo como divo das letras no día en que, por exemplo, presenta un novo libro. A modestia obriga a aqueles espíritos sensatos cando os focos se dirixen exclusivamente á súa figura, e o verdadeiro creador, así como o verdadeiro científico, os dous auténticos amantes do coñecemento, saben que o realmente importante é o que se está a transmitir, e que compartir ese saber é o obxectivo primeiro e último.

Esta é a nosa mensaxe de hoxe: hai xente cuxo propósito na vida é a transmisión do coñecemento. E arredor do libro como feito hai moitas persoas que colaboran con ese propósito: as que investigan, as que crean, as que filosofan, as que corrixen os textos, as que editan, as que imprimen, as que divulgan, as que venden, as que catalogan e poñen a disposición do público, as que deseñan e as que executan políticas que fan posible, coa súa vontade e os recursos dispoñibles, unha biblioteca para que as usuarias, por motivos altruístas, persoais, emocionais ou terapéuticos, podan servirse dela. A todas estas persoas, celebrando o Día Internacional do Libro, é a quen debemos o noso agradecemento.

*

Notas: Lido no Día Internacional do Libro de 2019 con motivo da celebración do XXXº aniversario da Biblioteca de Arteixo. En portugués na Palavra Comum.

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