Traição a Rosalia de Castro

150Cantares1No dia de hoje, 24 de fevereiro, coincidindo com o Dia de Rosalia de Castro, foi publicado o livro digital 150 Cantares para Rosalía de Castro, uma iniciativa de Suso Díaz em que tive a honra de participar com mais uma traição, que agora aqui publicito numa nova versão galego-portuguesa conforme à edição de Cantares galegos da Academia Galega da Língua Portuguesa. O livro pode-se descarregar desde a página da Fundación Rosalía de Castro, que desde já alberga esta obra coletiva. A publicação, que ia ser apresentada publicamente na Casa de Rosalía de Castro no próximo sábado 7 de março, ás 18 hs, fica adiada sem data devido a causas pessoais.

Traição a Rosalia de Castro

Ai, se não me levais pronto, bafos
demoníacos, airinhos da minha terra;
se não me levais, airinhos
e alentos sepulcrais onde o mar
se esgota e a terra se queima,
nem demos lindos nem anjos banais
quiçá já não me conheçam.
Que a ledice que comigo medra,
que a febre que de mim come,
uma faz com que sobre o monte voe,
outra vai-me consumindo lenta.
E no meu coraçãozinho
que amores e maldições acolhe,
uma libera-me nas asas do vento,
outra também traidora se ceiva.

Nota: Em itálico figuram os versos originais de Rosalia de Castro.
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História de um guarda-chuva vermelho

«A música de Karlheinz Stockhausen, pertencente à obra Tierkreis, da qual se extrai este Gemini (1975), foi interpretada na XLI Semana de Música do Córpus de Lugo, pelo Black Cage Ensemble (com Antonio Badenas, oboé, e Alejandro Troya, saxo tenor) com videoprojeções de Xacobe Meléndrez. Do mesmo jeito em que se estabelece um diálogo entre música e imagem, produz-se a conexão do vídeo com o poema de Alfredo Ferreiro, o resultado é uma peça artística multidisciplinar sugestiva e ambígua, que aprofunda na identidade e a experiência e se abre a múltiplas interpretações.
Xacobe Meléndrez Fassbender»

História de um guarda-chuva vermelho from NoTobo do Raposo on Vimeo.

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Nova lei

Dissecar um corpo para abri-lo como um estandarte, eis a última recomendação da Associação das Facas Unidas. É preciso liberar-nos da opressão das costelas, uma prisão de osso derivada duma reminiscência calcária demasiado antiga e falaz. Não precisamos esses espartilhos antediluvianos, assim que procedamos já. Quem tiver sua faca pronta, não deve aguardar mais; quem não, consulte seu farmacêutico ou seu sacerdote, ao mesmo dá, mas nunca tome suas decisões só. Lembre: seu corpo não lhe pertence e deve dar graças pelo fato de o poder usar. É a Lei do Livre Comércio de Cidadãos.

{Grupo Surrealista Galego}

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“Vibrações iluminadas”, por Ramiro Torres

 

I
Abraçar o desenho
orgânico do universo
em coito demorado
até esvaecer entre
fendas impensáveis:
o trabalho do poema é
obscurecer as mãos
da realidade até achar
o fulgor emergido do
invisível entre a luz
convulsa dos amantes.

II
Inauguram-se cosmogonias
nesta lâmina iridescente
aventurada na noite:
preparamos incêndios
entre os nossos olhos
e o existente, confiamos
no sonho que nos devora
e dançamos sob a terra
transparente que agacha
pupilas desnudas, como
ruas de um universo em
feroz expansão sobre nós.

III
Somos terra hipnótica,
arcano nascendo como
desenho aberto no meio
do poema em ignição:
trabalhamos no íris do
coração como videntes
à procura do sol líquido,
onde o vulcão vibra no
ser como vertigem a
fremir corpos adentro.

 

Confraria do Vento

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