Praia de Alva (título anterior: "Vaticínio sobre o 20N"

“Empurra-me a lua”

Empurra-me a lua

Empurra-me a lua
pelas escadas abaixo
da vida,
a lua cheia de viço
e de argumentos lunáticos
que se não podem deter
até ao fim de umas escadas
que não cessam
de serem fundas e rijas
para umas pernas cansadas
de descer mais uma vez.
Empurra-me a lua
e não sei responder
uma pergunta intencionada e oculta
que ela me dispara
ao miolo do coração.
Uma pergunta com uma resposta obscura
que só perante o luar
infinito da vida
serei capaz de acometer,
enquanto adormeço indolente
no baloiço sustido
por uma rama noturna
robusta e subtil
que um menino que brinca
desflora enquanto sonha
no cimo do cantil.
Empurra-me a lua
para um sol que não deixa
de rir para mim.

A Corunha (Galiza – Espanha), Dezembro de 2018

*

Poema publicado em prosa na Gazeta de poesia inédita de José Pascoal. Foto: “Praia de Coroso”, 2012. {Cf. Palavra Comum}

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palavra comum por marcos ferreiro

Volta a nosa revista galega lusófona: “É com a Palavra que edificamos o Mundo”

palavra comum por marcos ferreiro

Fotografia de Marcos Ferreiro, novo curador na PC

«A Revista Palavra Comum está de volta. Vem renovada nas vontades. Ao mais distraído pode parecer estranha, ligeiramente diferente. Mas é ela, a de sempre, a Comum: inquieta, livre e do Mundo. Nela mantém-se a voz de um tempo, os seus sentidos e as suas ânsias. Os seus caminhos longos e de horizontes largos. Há traços do seu corpo rebelde, há ensejo da paixão. Fronteiras que se desfazem ao seu passo. Vínculos que se fortificam. Eterna busca e territórios de experimentação. Há vida! Porque ela sabe: comovemo-nos com o absurdo de estarmos aqui trespassados por uma urgência. Farejamos esse último aroma, essa sensação de duração, essa assombrosa e impiedosa maquinaria da beleza. Erigimo-nos para nos defender da barbárie. Porque o mundo sufoca. O tempo atomiza-se. E por isso ela vem para demorar-se nesta sua nova etapa. Reagindo a uma “época de pressa”, ao efémero. Por isso ela é Palavra, Comum. Motor do sonho. Instante de deslumbramento. Ninguém poderá estar mais vivo quando dela se acercar. Talvez assim se explique a sua ansiedade, a sua rebeldia, o seu fulgor. Perscrutando talvez o impossível…

A Revista Palavra Comum está de volta, venham juntar-se a ela!»

{Palavra Comum}

 

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