Destino

Praia de Arteixo por Alfredo Ferreiro 2014

Quando as árvores não deixam ver o bosque é preciso sairmos a campos dilatados ou a vastos areais para olharmos o horizonte que nos dá a medida do universo e a parte que nos toca na liquefação do céu e na evaporação da água do oceano. As pingas são uma boa medida para o pensamento, essa atividade errática sobre a matéria percebida. Porque o pensamento, ainda o mais ordenado, é uma errância manifesta sobre uma objetividade governada pelo acaso ou por referências ligadas inconscientemente. Caminhamos em aparência sem rumo e os caminhos revelam aquilo que mais pesa, aquilo que mais dói e aquilo que se deseja. Conforme avançamos, o que achamos converte-se em indício dum destino surpreendente e esquivo.

{Palavra Comum}

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Fotografia Luz aprisionada por Paula Gomez del Valle

“Luz aprisionada”, Paula Gómez del Valle & Alfredo Ferreiro

Fotografia Luz aprisionada por Paula Gomez del Valle

Nossa amiga Paula Gómez del Valle vém de associar esta fotografia sua a um poema meu do livro Versos fatídicos (1994-2010), editado pelas Edicións Positivas em 2011.  O poema faz parte de um pequeno grupo de três textos automáticos que, sob o título “A aliá que nos mostra o caminho ~ Homenagem a Viola”, nasceu a partir da obra do pintor Manuel Viola. A fotografia, que não tinha título, por acordo mútuo passa a levar como título o segundo verso do poema que a seguir reproduzimos:

Caminho da trovoada
uma luz aprisionada.
Um instante de luxúria
antes do amanhecer do metal.
Uma catedral de gozo
e na mão o medo
fechando a compostura.
A lâmpada do coração a piscar
como uma torre quase extinta.
A distinção é precisa.
O ângulo, adverso.
A amizade dos astros,
demasiado custosa.

{Palavra Comum}

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