Santiago Auserón Juan Perro e Fran Pérez Narf: homenaxe a Pepe Rubianes en Vilagarcía (1/2)

Quedam poucos como Narf

Santiago Auserón Juan Perro e Fran Pérez Narf: homenaxe a Pepe Rubianes en Vilagarcía (2/2). Foto de Alfredo FerreiroPenso que poucos restam como ele, com tanto talento, tanta multidisciplinaridade e com tamanho espírito tribalista. Gostava nos últimos tempos, em que tantas atitudes reacionárias semelham querer impedir o progresso individualizado do país (a direita, como sempre) e até não deixar-nos evoluir (a esquerda) para as novas fórmulas que o iminente futuro reclama, de imaginar que uns dos capitães induvidáveis do necessário Tempo Novo havia de ser o Fran Pérez ‘Narf’. Agora só poderemos contar com a sua permanente presença nos nossos corações. É uma dura lição que devemos apreender: que o tempo foge e que é preciso aproveitá-lo enquanto os nossos irmãos permanecem ao nosso lado. Logo tudo pode ser bem mais difícil.

Trago para aqui estas fotos tiradas em 2009 aquando da homenagem ao Pepe Rubianes, aonde nos coubo a honra de apresentar-lhe o Santiago Auserón, artista que já nunca deixou de valorizá-lo, como podereis ver nos vídeos que ofereço a seguir. Do último disco com a Uxia, Baladas da Galiza imaxinaria, o artista saragoçano opinava no verão de 2015 que havia de ser uma obra realmente marcante, não só na Galiza mas no panorama espanhol.

Naquele encontro de Vila-Garcia apresentamo-nos como admiradores seus, no que só acreditou quando lhe demonstramos que cantávamos de cor todas as canções que criara para Rio Bravo, do grupo de teatro Chévere, mais de vinte anos antes. “Quedan poucos coma el”, é certo, mas  com certeza a sua musa ha de nos guiar polo melhor caminho.

Fotos e vídeos: Alfredo Ferreiro.

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isto e o amor de caxade

Caxade, mestre do amor

Há um tempo que venho reparando nas obras do Caxade, na sua mestura de tradição e vanguarda,  e não podo menos que surpreender-me cada vez. Entre os ingredientes das suas criações figura uma massa fina e delicada composta pola tradição popular das bandas de música, algo que me lembra um agradável cheiro a foguetes, polvo, sessão vermute, petardos, rapazes a correr por entre os velhos no campo da festa e adolescentes fugindo dissimuladamente do bulício da verbena para buscar os melhores abraços do verão sob a cumplicidade das estrelas; e isto, junto duma perspetiva pessoal que tem seu aquel de surrealista, libertário e criador de mundos (im)possíveis dos que podermos olhar “a dança dos moscas”, a “gente pota”, os “capadores de extraterrestres”, como sendo o artista um “afiador da realidade” que afinal assume o objetivo comum a todo filósofo, a todo poeta em seu mais vasto sentido: discernir o que em definitiva “é o amor” e mostrá-lo numa linda alegoria em que podermos libar algo da imarcescível e obscura harmonia do mundo.

Aliás, o fato de partilhar cenário com a Banda de Música da Bandeira toca-me de perto, pois as Terras de Trás-Deça são aquelas em que as raízes da minha família se assentam desde que tenho conhecimento. Read More

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Livro e fotografia e poesia Entrar na casa, de Ignacio Castro e Eduardo Estévez

Entrar na casa: Ignacio Castro e Eduardo Estévez

Ignacio Castro (fotografia) e Eduardo Estévez (poesia) publicárom em Estaleiro Editora o livro Entrar na casa, que foi apresentado no café Linda Rama da Corunha em 2 de dezembro. Para além da perfeita conjunção de poemas e fotos, de delicada sensibilidade minimalista, foi um luxo inusitado poder ouvir o concerto renascentista de Andrés Díaz (viola de mão) e Belén Bermejo (voz). Aqui deixamos testemunho do sublime ambiente que estes quatro artistas forom capazes de criar:

Não perdam, aliás, a entrevista de Montse Dopico: «[…] entrar na casa é froito dun encontro co fotógrafo Ignacio Castro. Como foi?

Livro e fotografia e poesia Entrar na casa, de Ignacio Castro e Eduardo Estévez

Entrar na casa: Ignacio Castro & Eduardo Estévez

Eduardo Estévez: Ignacio Castro leu o meu libro construcións e viu que había unha relación entre a súa e a miña forma de mirar. Levo tempo dándolle voltas ao tema de mirar dunha maneira diferente. Interésame moito a literatura militante, que a verdade é que envexo, pero a min non me sae. Pois a maneira que atopei de facer algo semellante foi esa: tentar mirar as cousas desde outra perspectiva. Non para levar a mirada dos demais á miña, senón co obxectivo de que o lector se decate de que hai outras formas de mirar. En construcións facía iso mirando aos pequenos detalles. Porque mirar o detalle pode ser outro xeito de ver o total, o xeral.

Pois Ignacio Castro envioume unha ligazón para que puidese ver as súas fotos. Intercambiamos varios correos e unha vez e díxenlle que un día podiamos facer algo xuntos. Nunha semana respondeu: facemos? E así foi. Establecemos un diálogo do que o libro é resultado. Non é un libro de poemas con fotos nin un libro de fotos glosadas con textos. Eu escribín textos a partir de fotos, el fixo fotos a partir de textos… e os dous intervimos no que facía o outro. El orientaba os meus textos e eu as súas fotos.

MD: Comentas no teu blog que o libro foi rexeitado nas editoras grandes.

EE: Non é un libro para mandar a premios. As editoras grandes teñen estruturas ríxidas. É difícil que se saian da súa maneira habitual de facer as cousas. Non é só unha cuestión económica. É moi complicado que saian das coleccións que teñen prefiguradas. As editoras máis grandes non poden deixar de publicar poesía, non poden permitirse iso, pero tampouco lle ven posibilidades de negocio.

Mirei tamén nas editoras pequenas, e polo menos responderon. Case a totalidade dixo que o libro lle gustaba pero que non podía publicalo ou non podía facelo sen axuda. Ata que apareceu Estaleiro, que asumiu o risco, eu creo que sen pensar moito na dificultade que ía supoñer publicalo. E eu recoñézolles moito o esforzo que fixeron nese sentido. Quedou un libro moi digno. […]»

{Praza Pública}

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Duas noites de música tribalista com Uxía, Narf e Santiago Auserón Trío

No último fim de semana do mês de Julho, antes e depois da festa nacional que sempre celebrei como exaltação das tradições galegas e das raízes labregas da família, tive a honra de ouvir e me encontrar com três dos cantores vivos que mais admiro. Uma honra, aliás, que jamais tinha suspeitado na juventude nos meus melhores desejos para o futuro.

Uma honra multiplicada, vou dizer, até porque estas três potências da arte melódica atuárom muito concertadamente em dous inolvidáveis concertos, fazendo gala do mais puro espírito tribalista, que é aquele com que felizmente as mouras ocultas dos nossos castros nos iluminam quando o talento e a fraternidade se unem para converter um ato colectivo em intransmissível experiência individual.

Não podo contar muita cousa que sentim nestes dous dias. Talvez a minha gratidão sincera aos amigos por ter repartido tanta arte de modo tão generoso e magistral. Agradeci também abraçar o mestre Joan Vinyals e conhecer os geniais Budiño e Gabriel Amarant, para além dos já para mim imprescindíveis Rosa Bugallo e Marcelo DoBode. E a Miguel, gerente do Náutico de Sto. Vicente do Mar, vaia a minha gratidão mais profunda pola sua hospitalidade.

Ofereço aqui os dous vídeos que fum capaz de gravar com o telefone.

 

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Fim de semana memorável

Há várias semanas que aconteceu, mas a lembrança de um fim de semana pleno de arte é algo que permanece no meu íntimo e se rebela a ficar sem crónica, por humilde que for. Em primeiro, foi a atuação de Santiago Auserón na Corunha, no contexto de um evento da Fund. Luis Seoane, organizado por Yolanda Castaño, 10 abril. A mestria do cantor-poeta não deixou indiferente o pessoal, por muito que, como eu, experimentasse mais um repetido prazer ao ouvir letras tão bem compostas, músicas em que tão bem harmonizam a tradição e a fusão atual e comentários teórico-práticos tão amenos e reveladores.
A continuação do Grã Cão do rock-pop espanhol, veu a vez de Maria Lado e Lucia Aldao. Era de pressupor que uma parte do público tinha acudido atraído pela fama de Auserón, mas o que se puido comprovar é que, depois de o público decidir ao completo permanecer na sala, todos desfrutaram com o espectáculo poético-musical de AldaoLado. Efectivamente, das aproximadamente trescentas pessoas que ali estavam ninguém deixou de rir e aplaudir as interpretacións musicais, as canções, os poemas e as piscadelas humorísticas sobre o sistema literário. Foi, sem dúvida, um evento catártico que manteve o público atento, ativo e satisfeito durante mais de três horas. Sem dúvida algo que também temos de agradecer à direção da Fundação, pela sua sensibilidade à hora de aceitar propostas híbridas à vez tão lúdicas e de altura.

Em Arteijo, no Café Melandrainas, no dia seguinte (11 de abril), assistimos a um recital meigo como poucos. Fazendo parte do ciclo que organiza Ramiro Vidal Alvarinho sob o título “Versos no pentagrama”, o programa incluía guitarra clássica e recital poético. Em primeiro foi a vez de Isabel Rei, que nos deliciou com sua arte interpretativa, sua sensibilidade à hora de escolher um repertório compostos de temas tradicionais galegos e clássicos lusófonos, para além das suas interessantes notas sobre a história e características das diversas composições. Intercalando as intervenções, quatro poetas nos ofereceram seus melhores versos, entre eles e elas boas amizades e plumas de contrastado mérito: Mário Herrero, Verónica Martínez, Alberte Momám e Maria Castelo. E tudo isto sem sair de Arteijo. E tudo isto apesar dos gobernos nacioanalfabetocatólicos que padecemos nos dous concelhos! Sim, definitivamente há esperança.

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História de um guarda-chuva vermelho

«A música de Karlheinz Stockhausen, pertencente à obra Tierkreis, da qual se extrai este Gemini (1975), foi interpretada na XLI Semana de Música do Córpus de Lugo, pelo Black Cage Ensemble (com Antonio Badenas, oboé, e Alejandro Troya, saxo tenor) com videoprojeções de Xacobe Meléndrez. Do mesmo jeito em que se estabelece um diálogo entre música e imagem, produz-se a conexão do vídeo com o poema de Alfredo Ferreiro, o resultado é uma peça artística multidisciplinar sugestiva e ambígua, que aprofunda na identidade e a experiência e se abre a múltiplas interpretações.
Xacobe Meléndrez Fassbender»

História de um guarda-chuva vermelho from NoTobo do Raposo on Vimeo.

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