“Herberto Hélder e a poesia galega dos 90”, por Luís Mazás López

«Neste artigo, quero fazer memória de retalhos biográficos que aconteceram na Crunha dos anos 90. Foram os anos de juventude, dos que tenho agora saudade, estando servidor a ponto de cumprir os cinquenta. De facto, fui testemunha e partícipe de como se geriu um grupo de poetas herdeiros e continuadores da lírica galaico-portuguesa.

Na faculdade de filologia estudámos a poesia trovadoresca. Ensinaram-nos que os séculos XIV e XV foram o final do esplendor. Os Séculos escuros aconteceram desde o XV ate o XVIII, época na que, no nosso país, a criação literária em língua galega fora nula.

Foi no século XIX, no ressurgimento, quando Carolina Michaëlis de Vasconcelos , Teófilo Braga, Manuel Murguia e Noriega Varela reconheceram a devida contraída das primeiras manifestações líricas.

Eu próprio, como filólogo amante da poesia, quero constatar esta dívida pela lírica galaico-portuguesa. Tenho que agradecer às pessoas coas que compartilhei recitais, leituras comentadas de muitos textos de literatura e cultura galego-portuguesa. Tudo isso motivou a minha intenção de ser um modesto continuador desta lírica.

Aos começos dos noventa, era membro do conselho de redação da revista universitária Gaveta. No número dois da revista, em 1991, publicáramos uma secção de poesia lusófona com poemas de Pedro Casteleiro, Iolanda Aldrei, Ângelo Brea e Alfredo Ferreiro. […] Ler mais

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Teresa Barro: «Un galego ríxido e acartoado, como unha tradución mal feita do castelán»

Teresa Barro PardoTeresa Barro: «[…] Cando os escritores do século XIX como Rosalia decidiron escreber e resucitar unha língua que estaba abandonada, perdida ou desprezada como o galego, fixérono ¨de ouvido¨, porque non había tradición escrita da língua, e inventaron unha grafía que mais ou menos respondía ao que eles escoitaban no galego falado. Daí o ¨unha¨, en vez do ¨una¨ do castelán, para reflectir o son nasal que ten o galego, e daí as equis e os apóstrofos para reflectir sons que non ten o castelán. Se os escritores fosen conscientes e coñecedores do portugués, posivelmente terían optado por escreber con grafía portuguesa, mas, polo alonxamento histórico entre Portugal e Galiza que se produciu a partires da independenza de Portugal, eran tan poucos os vínculos có país veciño que iso non sucedeu, e empezou unha tradición, que segue hoxe, de inventar como se escrebe o galego. E cando o idioma galego se oficializou, non se quixo admitir a historia verdadeira da língua e, transformada en arma política e símbolo da nazón, ¨a língua de Galicia¨ apresentouse como se tivese nacido nun manancial na propia Galicia desde o comezo do mundo en lugar de ter saído do latín como o castelán, o francés e o catalán, e como se non tivese que ver con nengunha outra, e menos que nengunha có portugués. Nun contexto politizado e de comparación continua e pouco acertada có catalán, botóuselle a culpa ao franquismo dunha perda da língua que empezara moitos séculos atrás e tapouse a realidade por xulgala vergoñenta e sinal ¨de non sermos capaces de defender a nosa língua como fan os cataláns¨, cando era o mais natural do mundo e o que tería sucedido en calquer país nas mesmas circunstancias. Iso tivo como resultado un galego ríxido e acartoado, sen vida, e que é como unha tradución mal feita do castelán […]».

{Ler mais em “A historia do galego”, Desde Albión para Galiza}

Nota: Teresa Barro é colaboradora habitual da Palavra Comum.

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Manifesto "O fim do Apartheid"

«Na casa em que nasci, citando Rosalia, dizem irmao e galega. Na tua, no entanto, dizem irmán e ghalegha. Uns falam de corisco e de barruçar, outros de pedraço e de poalhar. A tradição académica, sobre estas diferenças, construiu imensos catálogos, o grande edifício da dialetologia, com tantos praticantes. O furor em defesa da variedade é uma constante da filologia galega e um dos poucos legados etnográficos reconhecidos entre a população que, mesmo subestimando o seu património linguístico, surpreenderia a falantes doutras línguas com maior tradição normativa por valorar tanto as variantes. Diversidade é riqueza, parece ser o slogan. “Nós não falamos assim”, “não falamos como os da TVG”, “não falamos como os da costa, ou como os da chaira”.

Todo esse respeito pela variação desaparece assim que se fixa por escrito. Como se fosse impossível perceber um texto se não estivesse escrito como estudámos no Instituto, na época em que as pessoas se afizeram a introduzir os computadores nas suas vidas, a gerir os seus pagamentos pela internet, a socializar os seus afetos através das redes sociais, no imaginário coletivo isso que se chama o/a falante continua a ser visualizado como uma pessoa com escassa formação, que se assusta por um ç e deixa de ler um texto se não está grafado tal como aprendeu nas aulas. Referentes políticos e intelectuais apresentam como impossível repartir folhas informativas à saída da Citroën se não estão redigidas segundo a mesma tradição gráfica do espanhol, embora usem um léxico requintado, que conjunta sisudos conceitos políticos com uma seleta escolha de termos populares com sabor local. O professorado assegura as crianças não poderem ler Harry Potter em português, mas não vê assim tão problemático que esse mesmo alunado entenda um texto de Otero Pedraio que, até agora, ninguém leu sem dicionário à mão –ou á man.

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Próxima estação: galego-português

«Próxima estação: galego-português é uma proposta de viagem para o nosso idioma onde mais do que nunca trasladar-se implica transformar-se.

Uma viagem à procura do galego-português é comprovar que temos uma língua com a que podemos deslocar-nos miles de quilómetros por terra, mar e ar, por barco, bicicleta ou zepelim a Pernambuco, Rio de Janeiro, Porto, Luanda, Dili, Fonsagrada e Compostela, sempre que a nossa alfândega mental nos conceda uma passagem.

Em Próxima estação: galego-português precisamos pouca bagagem: apenas se nos permitirá um afinador de ouvido, um bom sentido musical para comunicar e uma imensa curiosidade como bússola.

À Próxima estação: galego-português chega-se também com a imaginação e as palavras. Só através delas atravessaremos os mundos criados por Fernando Pessoa, Sophia de Mello, Clarice Lispector, Pepetela, Rosalia de Castro e Mia Couto. Mundos que partilham todo um planeta – o NH- muito antes de que o vagão chegue o seu destino.

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<em>Esplendor arcano</em>: Licuacións na materia

Lino García Salgadoesplendorarcano_ramirotorres: «Por veces falar de poesía leva consigo determinados riscos, afortunadamente nada dramáticos, sobre todo á hora de enfocar a súa lectura ou no xeito no que determinados autores e autoras quedan encadrados en adxectivos tan esplendorosos dos que é difícil fuxir. Ramiro Torres escribe poesía surrealista, tal e como se desprende da súa propia definición ao formar parte do colectivo de escritores surrealistas galegos, mais… quizais isto non sexa o importante, non para el senón para quen tivemos a oportunidade de gozar dos seus poemas dende un punto de vista máis aséptico e acabamos descubrindo un mundo líquido que navega polos nosos interiores a pouco que nos deixemos.

Fóra dos retrousos típicos e tópicos teremos que devolver as formas aos seus comezos, tal e como sinala Ramiro en parte dun poema de Esplendor Arcano. E como de xerme vivimos tamén dos seus versos podemos respirar en plenitude unha chuvia variada de vocabulario tan diverso como ben empregado dando apertura, en case todo o libro, a historias paralelas que semellan competir nunha carreira de fondo para ver quen chega antes ao padal do/a lector/a. Pero non soamente somos illas senón fontes bravas de materia configurando esa materia do universo que é a nosa medula sen dividir a parte máis vexetal da ósea. Perpetuar os hábitos encol da imaxinación nutre o perfil arcano que temos e no que Ramiro incide dun xeito valente e decidido, onde se recobra a efervescencia natural que nos fai sacudir de frío as arterias obstruídas dando paso á beleza desa ascendencia solar da que nos fala.

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Bom Natal e melhor Ano Novo 2015

Agradecemos imenso todos os postais recebidos e mandamos um abraço fraterno para tod@s!

yolandacastanho_postal 2014 […] Ler mais

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<em>Transcendência</em>, música de Nenoescuro e poema de Ramiro Torres

Vídeo de Nenoescuro

TRANSCENDÊNCIA

Somos uma linha obscura
no céu inverso da razão,
videira do estranho que
avança sob as nossas unhas
até desarmar o cognoscível
com fragmentos de noite
e astros incendiados neste
caminharmos sem pausa,
abraçados à vertigem, nus
na terra derramada como
âmbito de um início anterior
a todo o saber embriagado
em que vibram sóis inextintos.

{Grupo Surrealista Galego}

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Mural Urbano Lugris

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Deslize (música e vídeo) e Ramiro Torres (poema)

Esta é primeira colaboração inter-artes Galiza – Portugal, A Besta e Revista Palavra Comum, com música de DESLIZE (Hélder José e João Sousa) e poema de Ramiro Torres (do seu livro Esplendor Arcano, publicado no Grupo Surrealista Galego). O vídeo é de João Sousa (com a colaboração de Ana Sêrro).

A Besta é um colectivo editoral independente de música alternativa, com princípios assentes na filosofia do it yourself.

DESLIZE é um projecto de exploração acústica, composto por duas guitarras complementadas com crocodilos de electrónica, colocados estrategicamente em diferentes pontos de vibração das cordas, produzindo assim alterações de timbre constante. Os DESLIZE são: Hélder José (guitarra clássica) e João Mendes de Sousa (guitarra acústica).

{Palavra comum}

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Nuno Viegas (fotografia), Ramiro Torres (poema) e Deslize (música), com João Sousa e Hélder Azinheirinha

Nuno Viegas fotoEsta foto provém de O Pára-quedas de Ícaro, de Nuno Mangas-Viegas.

O mundo divide-se em
pequenas fendas iluminadas
desde dentro por um mesmo
animal subterrâneo, como
uma brancura súbita nascendo
no centro do olho ao começo
da noite que sangra entre
as pálpebras e o insólito.
Somos músicas desterradas,
ilhas fulgurando nas mãos
estranhas a qualquer tacto,
caminho desfazendo-se aos
nossos pés até ser cosmografia
de um universo recriado como
nomes dançantes na espiral
de uma ingravidez absoluta.

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