Deslize (música e vídeo) e Ramiro Torres (poema)

Esta é primeira colaboração inter-artes Galiza – Portugal, A Besta e Revista Palavra Comum, com música de DESLIZE (Hélder José e João Sousa) e poema de Ramiro Torres (do seu livro Esplendor Arcano, publicado no Grupo Surrealista Galego). O vídeo é de João Sousa (com a colaboração de Ana Sêrro).

A Besta é um colectivo editoral independente de música alternativa, com princípios assentes na filosofia do it yourself.

DESLIZE é um projecto de exploração acústica, composto por duas guitarras complementadas com crocodilos de electrónica, colocados estrategicamente em diferentes pontos de vibração das cordas, produzindo assim alterações de timbre constante. Os DESLIZE são: Hélder José (guitarra clássica) e João Mendes de Sousa (guitarra acústica).

{Palavra comum}

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Nuno Viegas (fotografia), Ramiro Torres (poema) e Deslize (música), com João Sousa e Hélder Azinheirinha

Nuno Viegas fotoEsta foto provém de O Pára-quedas de Ícaro, de Nuno Mangas-Viegas.

O mundo divide-se em
pequenas fendas iluminadas
desde dentro por um mesmo
animal subterrâneo, como
uma brancura súbita nascendo
no centro do olho ao começo
da noite que sangra entre
as pálpebras e o insólito.
Somos músicas desterradas,
ilhas fulgurando nas mãos
estranhas a qualquer tacto,
caminho desfazendo-se aos
nossos pés até ser cosmografia
de um universo recriado como
nomes dançantes na espiral
de uma ingravidez absoluta.

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“Vibrações iluminadas”, por Ramiro Torres

 

I
Abraçar o desenho
orgânico do universo
em coito demorado
até esvaecer entre
fendas impensáveis:
o trabalho do poema é
obscurecer as mãos
da realidade até achar
o fulgor emergido do
invisível entre a luz
convulsa dos amantes.

II
Inauguram-se cosmogonias
nesta lâmina iridescente
aventurada na noite:
preparamos incêndios
entre os nossos olhos
e o existente, confiamos
no sonho que nos devora
e dançamos sob a terra
transparente que agacha
pupilas desnudas, como
ruas de um universo em
feroz expansão sobre nós.

III
Somos terra hipnótica,
arcano nascendo como
desenho aberto no meio
do poema em ignição:
trabalhamos no íris do
coração como videntes
à procura do sol líquido,
onde o vulcão vibra no
ser como vertigem a
fremir corpos adentro.

 

Confraria do Vento

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PGL entrevista Alfredo Ferreiro

Alfredo Ferreiro recolhe, entre outros epítetos, o de poeta. Tem participado em vários projetos coletivos, caso de Amigos de Azertyuiop e o 7 poetas. Como respira a poesia na era digital?

Respira muito bem, embora a gente não perceba os ritmos do poético que transcendem uma visão convencional da vida. A perspectiva tradicional dos meios poéticos, como o livro de poemas em papel, é que sofre, mas à par de outros géneros literários. O romance também é cada vez menos lido, e ninguém parece reparar nisso.

Diriges, com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Como respiram os blogues na era das redes sociais?

Devo aproveitar a ocasião para informar de que a Asociación Cultural Blogaliza, presidida por Pedro Silva, alma mater da comunidade de blogues desde o seu nascimento, é que ficou responsável polo serviço desde há alguns meses. A Táti e mais eu albergamos o Blogaliza no nosso projeto empresarial durante vários anos, mas felizmente hoje tem um futuro certo nas mãos de quem melhor a conhece e o pode manter. Quanto à vitalidade dos blogues, é evidente que na comunicação do imediato perderam espaço se comparados com o Facebook ou o Twitter; mas como espaço pessoal de publicação e arquivo continuam a ser um recurso imprescindível.

Revista Palavra comum

Um dos teus últimos projetos é a revista on-line Palavra Comum. Na apresentação afirmas que a Galiza é terra de talentos e a revista um lugar de encontro. Que é preciso para a cultura galega ser um lugar de encontro para além de ortografias e estratégias culturais?

É isto um tema controverso sobre o que tenho uma opinião bicéfala que algumas pessoas, de uma beira e da avessa, nem logram compreender. Na experiência consciente da nossa língua acho duas verdades rijas demais para serem conciliadas numa fórmula única: 1) a ortografia histórica ou reintregrada (qualquer uma) é uma estrangeirice surpreendente para muita gente, o que provoca o reintegracionismo ativo medrar numa sorte de gueto; 2) a ortografia institucional atual (chamada de “oficial”), por sua parte, é uma espanholeirada devastadora que perpetua uma alienação cultural de séculos. Read More

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“Metal Central” de Alfredo Ferreiro: Núcleos animados

Metal central, de Alfredo Ferreiro«Ás veces,
ouvimos os estertores
das máquinas máis vellas,
os supiros de bielas
permanentemente fatigadas,
a sádica sede
de bombas agonizantes.
As máquinas que por fin
un día paran
parecen voltar ao paraíso
pesado e duro
da vida mineral.

Posiblemente este fermoso poema, que aparece en Metal Central, sexa ilustrativo dos camiños abertos por Alfredo a través dos núcleos que ferven na fría alma que desaparece pola pel que nos cubre. Non existen equivalencias imposibles que tratar no tempo nin feridas que non fiquen atravesadas no esquecemento. O metal, frío, non é tal, é un formulario de existencia perforando as manchas negadas, é centro no núcleo duro e primixenio expandindo esas pequenas doses de calor ausentes aos ollos da monotonía. O metal orixe súa incisións de luz na transparencia consumindo os espazos da memoria vital para amencer ao carón das sombras. A cada lavado de “taladrina” cubrindo esa fálica broca correspóndelle o rego do sangue chegando aos extremos táctiles, con cada avance monosílabo da fresadora hai unha cicatriz pendente de ocultar e por cada parafuso protector véncese unha bágoa desnortada.

As horas metálicas ardendo nos sentidos van deixando ese pouso a camiño entre o amargor e a celebración non sabendo se a despedida é un alivio ou unha incerteza fronte ao frío desprovisto de alma que se debuxa nos rostros do exterior. Ese espazo, esa terra adurmiñada, infecunda, alberga a tristura da incontinente indecisión. O exterior é ficción, a realidade ciméntase nos espellos desa ideoloxía ateigada de desertores pisando a cinza dos premonitorios aspirantes a fuxir deste xeo incomprendido. O metal, esta vida de carnes fieis, de palabras incontroladas e cervexa tibia vai meténdose na linfa do destino, na loita de clases á que renunciamos como cadáveres que seremos para pregar as ás ao velenoso vento provocado neses cumes de seda e marfil.

Metal Central é incomprensión nas palabras, é roupa manchada evitando a entrada no armario onde se cheira a naftalina e se perde o rastro da orixe. O cúmulos abstractos non exercen na incomprensión, non se anexan directamente á madura abertura da estética, son límites de dentro das fases acoutadas, son esas derivas toleradas marcando o contorno da pobreza existente en non ver alén do propio entorno.

Alfredo Ferreiro ( con ese apelido non podía ser outro libro, outro título ) explora cun notable acerto os mundos grises aos que renunciamos “de facto” abrindo esas rexas portas da iconoclastia aos que só suspiran entre faragullas de instrutivas poses. Alfredo non renuncia ao calor da luz nin se retracta dos zapatos de protección deformándolle os pes, simplemente rompe a indiferenza das máquinas co seu eterno bruar, co seu retardo na burguesía.

Metal Central foi publicado pola editorial Espiral Maior de Poesía»

{Reseña de Lino García Salvado en Terra e tempo}

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Silencio habitado, de Olga Patiño

Olga Patiño: «En Silencio habitado está a idealización do amor. A ensoñación dese espazo inmaterial onde un é autor/a do que acontece. É entón cando a voz lírica decide fabular partindo dunha base real ou non e chegar á carnalidade do espírito. Tamén está a respiración do “outro” (real ou imaxinario), o hálito do ti que pasa a través do eu e fala en primeira persoa. Cando hai poder no verdadeiro amor, este convértese nun estado de graza (“ferida” luminosa). Neste poemario tamén está a Patria da nenez, ese espazo onde todo estaba por chegar; onde a ollada tiña esa inocencia que embelecía ao mundo, polo que transitabas sobre unha corda de cristal irrompibel. Reivindica, por suposto, o latexar daquelas mulleres a quen a prepotencia dos covardes lles arrebatou a voz. Silencio habitado pretende ser conciencia e mirada ao mundo nun dobre plano: interno e externo. Para min este poemario( como os anteriores) é unha sorte de refuxio ante as inclemencias do mundo, un xeito de busca do instintivo, do orixinario e telúrico… É ese lugar sagrado no que te sentes a salvo neste asteroide á deriva onde reside un mundo disparatado. Silencio habitado é un tempo de encontros luminosos (reais ou fabulados)en círculos concéntricos, é un conxuro contra os espazos conxelados. Nesta percepción vital, nesta inflexión cara adentro está o tentar reafirmar a propia identidade para máis adiante rachar a conciencia pechada do eu individual e levar a cabo a aventura existencial da escrita coa fin de que a luz se adelgace para tentar que se expanda no oráculo dun océano podereoso: espazo de revelación-redención

Jose Carpenter (Epílogo): «Este poemario é un luminoso canto contra o desalentó, unha bandada de paxaros fosforescentes que sobrevoa o ocaso e que verte as súas esperanzas imprescindibeis por riba dos xardíns do medo.»

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