Galegos no Jornal de Letras!

JL1Há anos que sou assinante do JL e nunca como esta semana passada pude comprovar a presença de galegos no quinzenário, com uma longa entrevista a Ângelo Cristóvão e um artigo de página inteira do Carlos Quiroga. Para além de esporádicas referências à participação do mesmo Quiroga na Correntes d’ Escrita(s) da Póvoa do Varzim e outras do Elias J. Torres Feijó em representação da Associação Internacional de Lusitanistas, raro é achar nomes de galegos ou dados sobre as nossas atividades. Mas no número 1155 algo mudou, se calhar.

Foi efetivamente a Lei Paz-Andrade que pus as antenas lusas em alerta, e assim lemos o Cristóvão afirmar que a nova lei visa: «promover a língua portuguesa no sistema de ensino galego; estimular a produção e o intercâmbio de conteúdos em português nos meios de comunicação da Galiza; e integrar essa comunidade autónoma no espaço lusófono, nomeadamente na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Eis as três principais “linhas de trabalho” da lei para o Aproveitamento da Língua Portuguesa e Vínculos com a Lusofonia, também chamada lei Paz-Andrade, aprovada, por unanimidade, no Parlamento galego, em abril passado. Um consenso “histórico” que assinala um ponto de viragem na política linguística do governo galego…». Read More

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Portulano de recursos em linha da AGLP

«A Academia Galega da Língua Portuguesa, consciente desta necessidade social e dentro dos seus princípios fundacionais, apresentou no II Seminário de Lexicologia realizado o sábado 25 de setembro em Compostela, desenhados com o programa de software livre Netvibes, três escritórios virtuais para uso da comunidade internauta:

  1. O escritório institucional da AGLP
  2. O Portulano de Recursos em linha
  3. O Survival Kit ou guia básico de recursos sobre língua

O escritório institucional da AGLP é uma página Netvibes com a informação oficial da Academia antes publicada nesta página web: Objetivos da Academia, Membros, Parcerias, Publicações, informações sobre o Acordo Ortográfico e a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, notícias e outras informações como a consulta do Léxico da Galiza.

O Portulano de Recursos em linha é hoje o maior arquivo de arquivos digitais em língua portuguesa, a conter mais de 3.000 ligações a páginas de recursos e informações de consulta livre sobre temas relacionados com as culturas lusófonas. Em menor medida, o Portulano de Recursos contém ligações a repositórios e ferramentas em língua inglesa, francesa e castelhana. Ótimo para uso de investigadores e curiosos, o Portulano de Recursos constitui a primeira ferramenta de pesquisa comum a todos os países lusófonos. Abrange, por isso, os repositórios e bibliotecas das principais universidades lusófonas, incluídas as galegas, tornando-se assim um grande instrumento a disposição da comunidade investigadora.

O Survival Kit, ou guia básico de recursos sobre língua portuguesa, é um escritório de recursos indispensáveis para o aperfeiçoamento da língua portuguesa. Desenhado especialmente para neo-escreventes galegas e galegos, o Survival Kit consta de duas abas ou separadores principais em que se acham os recursos sobre língua tais como dicionários, tradutores, conjugadores verbais, dicas de fraseologia, prontuários e pesquisas em rede, e alguns dos mais conhecidos centros sociais da Internet reintegrante galega, para além de algumas ligações escolhidas sobre literatura, história e música em língua portuguesa.

Os três escritórios estão ligados entre si e podem ser consultados desde qualquer um dos outros dous. No Survival Kit, ou maletim de sobrevivência, a dica diária Portulano do Dia oferece uma sugestão dentre as ligações contidas no Portulano de Recursos.

Para mudar os costumes podemos começar por colocar como página de início qualquer um dos três escritórios e experimentar, pois os tempos dos galegos aproveitarmos as nossas vantagens práticas como lusófonos são chegados.»

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‘Cantares galegos’, presentado no Festigal

«Se alguma vez um livro foi capaz de mudar a trajetória da escrita, da língua e por tanto da imagem que uma nação tem de ela própria e oferece ao mundo é este.

Foi alvorada que abalou em saudades o duro coração dos galegos e rompeu para sempre a tradição de sequestro noutra língua […]»[Contracapa de Ernesto Vázquez Souza]

Con edición de Higino Martins para Edições da Galiza, e dentro da colección “Clássicos da Galiza” que promove a Academia Galega da Língua Portuguesa, o libro foi presentado por Ernesto Vázquez Souza, Concha Rousia e Heitor Rodal no contexto do Festigal 2010.

Un libro para ser desfrutado por toda a lusofonía e por aqueles galegos que, coma min, gustan de saborear a literatura sen a mediación perpetua da lingua de Castela. Un soño de normalidade que con frecuencia preciso alimentar.

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Lusofonía IX: a Academia Galega da Língua Portuguesa

Catedrático José-Martinho Montero SantalhaEste proxecto supón unha tentativa de institucionalizar as actividades que desde hai xa tantos anos os lusistas levan a termo na Galiza. Os reintegracionistas, quere dicir, os galeguistas lusógrafos. Trátase de crear unha plataforma sólida desde a que dialogar cos países de lingua oficial portuguesa, a cal supón unha estratexia para internacionalizar o noso acervo cultural, que progresivamente se vai vendo abandonado ou castelanizado. Supón, en termos de patrimonio cultural, unha “posta en valor” da cultura galega perante o mundo losófono que implica porosidade, permeabilidade e irmandade explícitas. No entanto, como a nosa cultura xa é defendida através de institucións que usan o galego na súa forma institucional actual, e mesmo desde esta se chega a divulgar en Portugal e no resto do mundo, haberá quen pense que esta iniciativa resta enerxías á comunidade para valorizarse, fomentando a secesión creativa, e até a ideolóxica. Porén, as actividades dunha virtual Academia Galega da Língua Portuguesa en nada deberían restar o esforzo realizado pola actual Real Academia Galega, se nos posicionamos nunha perspectiva estritamente cultural. Ben podía significar, aínda, un valor acrescentado.

No entanto, o problema aparece cando situamos por riba dunha estratexia cultural unha particular necesidade política. Neste sentido, e alén do nacionalismo castelanófilo, hai amplos sectores do nacionalismo galego que precisan dunha diferenciación expresa entre galego e portugués para soster seu propio concepto de nación galega indisolúbel na portuguesa. Así, mentres o castelán avanza o portugués é rexeitado de varios pontos de vista, e a lingua galega non recibe, moribunda, a necesaria transfusión de urxencia que precisa.

A política alicérzase nun plano mais continxente que a cultura, a cal remite para realidades perennes da personalidade do pobo ademais de para mixturas que a fan máis rica e evoluída, non máis impura. O concepto de pureza cultural nace de entender a cultura como un ser embalsamado que non se relaciona con outros. E ese relacionamento non implica que non posúa unha personalidade propia que sempre tenta aprimorarse. Como dicía Agostinho da Silva no post precedente: “o político precisa de aprender certas coisas: que a sua base de trabalho é a cultura e não ao contrário. É aprendendo cultura e inserindo-se na cultura que ele pode fazer uma política decente.”

Se me permiten parafrasear Pessoa e Castelao a un tempo, direi que a miña patria é a lingua galega, en todas as modalidades en que sexa capaz de florecer.

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