Nace a revista Luzes

«”Estamos un tanto a escuras (…) Nós pensamos que o que vemos non nos gusta, ou nos nos recoñecemos niso (…) Pretendemos unha publicación que recolla a mellor tradición do xornalismo. Aquel que estabelece que as historias hai que contalas tal como foron e co alento que se precise, non como conveña ou onde caiban”. Está a piques de nacer un novo medio informativo en Galicia: chámase Luzes, será mensual, editarase en papel, en galego, e verá a luz en outono. Esta tarde presentouse na Feira do Libro da Coruña o seu número 0, un exemplar, un prototipo que se podía ver “e tocar”, como ben salientou algún dos seus responsables, unha mostra dun proxecto aínda aberto, en marcha, pendente de recibir novos apoios e achegas, pero xa moi avanzado.

Entre os nomes que xa impulsan a revista atopamos de forma moi destacada a Xosé Manuel Pereiro, Iago Martínez e Manuel Rivas; o proxecto gráfico é responsabilidade de Antonio Doñate e Xosé Carlos Hidalgo; e tamén se conta coa colaboración de Hércules Ediciones e Tórculo. O comité de redacción está formado, inicialmente, por Belén Regueira, José Manuel Sande, Juan Janeiro, Antón Lado, Manuel M. Barreiro, Tati Mancebo, Julio Gómez e María Yáñez. E o Consello Editorial confórmano Fermín Bouza, Lino Braxe, Xabier Seoane, Antón Patiño, Jonathan Dunne, Martine Silber, Ramón Chao, Débora Campos, Xoán Antón Pérez-Lema e Suso Iglesias […]» {Ler máis en Praza Pública}

O rexistro en streaming foi de Tati Mancebo.

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O fogo inexplorado: o ensaio poético universal desde aqui

Ao fio do último post de Alfredo Ferreiro aproveito para reivindicar os poucos livros publicados na Galiza que se achegaram ao feito poético desde uma ampla perspectiva, partilhando as leituras e conhecimentos que os seus autores têm. Em concreto vêm-me à memória O sol de Homero, de Xavier Seoane; Hai suficiente infinito, feito com o pintor Antón Patiño, e As bandeiras do corsario, de Ramiro Fonte.

Xavier SeoaneO primeiro livro é um notável achegamento às diferentes perspectivas desde as que compreender o acto poético, deixando sempre claro que se trata de uma actividade essencialmente livre e libertadora. É destacável o diálogo com diferentes vozes que intercalam exemplos e experiências no decurso aberto pelo autor, e ainda que quiçá botemos em falta maiores aportações de outros poetas e tradições literárias, é inegável a riqueza de conhecimentos amostrada, e o pouso de um prévio trabalho reflexivo que abrolha por toda a obra.

O segundo, anterior no tempo e a meio caminho entre ensaio e manifesto, transparece, através do trabalho comum de poesia e pintura, uma convincente reivindicação da capacidade regenerativa da liberdade integral do ser humano neste mutilado(r) tempo que nos toca viver. Um discurso cheio de invocações a ampliar a nossa percepção com o infinito presente na arte, entendida como lugar preciso de cruzamento e fecundação com a Vida.

Antón PatiñoE não quero deixar de mencionar o interessante trabalho de Ramiro Fonte, “As bandeiras do corsario”, onde, de mão do autor eumês, chegamos à voz de mais de uma dezena de poetas universais do século XX, desde Pessoa até Derek Walcott. Livro único até o de agora na Galiza no seu conteúdo e estrutura, faz uma viagem por estes autores repassando algumas das suas chaves poéticas e vitais, sendo um relevante guia de aproximação para quem queira conhecer uma parte da grande poesia desta época. Também, como o primeiro livro, achamos em falta outras vozes, mas tem-nos, na nossa particular biografia leitora, achegado a geografias estéticas alheias ao nosso conhecimento, o qual é sempre de agradecer.

É isto último o que quero destacar como importante, e como possível tema a debater: os trabalhos referentes à poesia de toda a parte são, ainda, muito escassos na Galiza. Semelha um tanto contraditório que tendo uma relevante cantidade de poetas e estéticas actuantes aqui tenhamos tão poucos achegamentos (ainda) ao que se escreve e faz lá fora, o que redunda numa potencialmente excessiva auto-referencialidade que paira muitas vezes sobre nós.

Ramiro Fonte E acho também preocupante que quem estiver a abrir o seu corpo e mente (dito isto em termos “ocidentais”, noutras visões chamaríamo-lo coração) nesta arte não tem, quase, referências de autores mais maduros e com maior formação estética e intelectual, independentemente dos seus princípios e logros literários, que podem ser partilhados ou não (por exemplo, para mim o livro de Ramiro Fonte é sem dúvida o mais interessante da sua criação, literária ou ensaística), e que sempre podem ajudar no caminho da descoberta que fazemos cada um de nós.

Quero fazer, pois, uma clara defesa da ampliação permanente dos horizontes, tanto estéticos como do interior da nossa condição humana, na perspectiva de fazermo-nos seres libertados dispostos a iluminar o coração da Terra com a força que nos outorga o conhecimento do que nos habita. E para isso precisamos de todas as energias existentes em todo tempo e lugar, para que nos ajudem neste trabalho de desvendamento que chamamos criação, ou Amor, como melhor gostemos.

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