“A língua da musa”

A língua da musa, Azertyuiop nº 105 (2016)

Alfredo Ferreiro: “A língua da musa”

*

Tradução: Vem o amigo F. D. e não ouve aquilo que não bem tenho para dizer-lhe. Meu amigo é surdo perante quem melhor devia é ficar mudo, o amigo que me queima e me arrasta por uma encosta fascinante que arde.

Meu amigo é fiel, mas eu nem sei a quem. Talvez a uma musa que me elude e me não concede uma baila, ninfeta decorosa que não quer dançar com velhos de corações artríticos e falsos.

Meu amigo conhece uma musa misteriosa que num lugar dança em que o tempo não corrompe nem o baile cansa. Meu amigo tem um poder estrangeiro que me assombra e lhe outorga forças estranhas, uma musa que me recusa, que nalgum lugar recôndito se abre como flor e oferece o seu fascínio, uma musa impenetrável, recôndita e próxima que me atrai até ao abandono, me faz caminhar ao luar e esquecer o lugar em que moro.

Meu amigo guarda um segredo profundo. Um segredo que não confessa para proteger de mim o mundo.

*

Nota: “A língua da musa” é uma visão de Alfredo Ferreiro. A sua tradução para o galego-português foi publicada no fanzine Azertyuiop (nº 105) em Janeiro de 2017.

{Palavra Comum}

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Do Calepino ao Ipad en catro minutos

No día do libro non quixen deixar de ofrecer como humilde contributo a miña propia experiencia de lectura, no extenso abano que vai do libro antigo aos modernos soportes de contidos dixitais.

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En 1995, nacida dun inicial ovo de Azertyuiop, xorde a Asociación Amigos de Azertyuiop. Da cría secreta deste ser fabuloso xurdiron Os cadernos de Azertyuiop, dos que por fin nos permiten dar coñecemento neste blogue, e pasan a localizarse no apartado de páxinas fixas da marxe superior dereita. Variados e inesperados foron os froitos desta actividade que en ningún caso pode entenderse como gandeira. O método de cría consérvase até o momento en rigoroso segredo, talvez á espera dunha conxunción astral máis propicia.

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