‘Cantares galegos’, presentado no Festigal

«Se alguma vez um livro foi capaz de mudar a trajetória da escrita, da língua e por tanto da imagem que uma nação tem de ela própria e oferece ao mundo é este.

Foi alvorada que abalou em saudades o duro coração dos galegos e rompeu para sempre a tradição de sequestro noutra língua […]»[Contracapa de Ernesto Vázquez Souza]

Con edición de Higino Martins para Edições da Galiza, e dentro da colección “Clássicos da Galiza” que promove a Academia Galega da Língua Portuguesa, o libro foi presentado por Ernesto Vázquez Souza, Concha Rousia e Heitor Rodal no contexto do Festigal 2010.

Un libro para ser desfrutado por toda a lusofonía e por aqueles galegos que, coma min, gustan de saborear a literatura sen a mediación perpetua da lingua de Castela. Un soño de normalidade que con frecuencia preciso alimentar.

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De livros e fantasias contáveis IV/V

Non se desafivela ningún segredo espallando a anécdota do Ánxel Casal, que voltou da emigración para afleitar a nao da Editorial “Nós” e facer un cruceiro de cen tomos, ao termo dos coales estaba a ruína, tan lenta, segura e sabida, coma pode estar un baixío ben sinalado de antemán. Emporiso, il tamén pensou que o que importaba era navegar…

G. Álvarez Gallego, 24-10-1934.

Mas sem movimentação que os obrigue, os autores também não competem. Ninguém nas editoras lhes exige, pois se não pensa na qualidade ou nas vendas, ou se atrapalham as duas idéias em discursos ideais e supostamente patrióticos.

O sistema é dependente da relação e amizades, e dado que uma obra de valor vale igual que uma sem ele, a quantidade das entradas, a movimentação, os saraus, a participação em tudo o que se coze é o único que no sistema cultural galego, permite apanhar um espaço ou ganhar algo de dinheiros.

CegueiraMas isto obriga a estar a bem com todo o mundo, a escrever o que se pensa que a gente quer ouvir, a não dizer o que se pensa e a perseguir incansável e maçadores gentes (editores e coordenadores de publicações) para publicar. Neste ambiente qualquer possibilidade de ver nascer uma crítica séria é como aguardar por uma nova revolta irmandinha.

Os autores com um produto que vender e vontade de estilo ou ganhas de profissionalização, pouco cuidado recebem, pois figuram nas mesmas listagens e tratos que os que passavam por lá, ou fazem currículo para os correspondentes triênios, selênios, marcianos ou plutônios que enchem de constelações de fantasia pseudo-sisuda as bibliotecas de Galiza. Isto empobrece a escrita dos primeiros e rebaixa a qualidade dos fundos das editoras.

Realmente, em prosa e ensaio é muito difícil enxergar algum título bom, salvo por uma recomendação de amizade, dado que a qualidade dos produtos, em ausência de controlo editor e de verdadeira crítica, também não pode ser avaliada rapidamente pelos consumidores.

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De livros e fantasias contáveis III/V

Trailer de GalizaTerra querida, que sempre chegas tarde
ou chegas antes ou despois da História
e andamos foscos no correr do tempo.
Hai que romper, romper agora!

Avilés (Última fuxida a Harar)

Os autores, quanto a maior parte das editoras galegas chegadas a um número de títulos ou de cifras, ou simplesmente com produtos, que se demonstraram vendíveis, normalmente para cativos ou de turismo, consideram a possibilidade de se achegarem (apenas uma provinha, disse o diabético, não faz mal) ao mercado castelhano.

A tentativa, quando resulta, traz sempre o mesmo resultado: mais ingressos (mas nem tantos que na literatura em castelhano também não há tanto profissional) quanto mais dependência e entrampamento dos autores, as editoras e do sistema inteiro no castelhano, do que se supõe nos defendemos. É-che como a heroína, presta no cérebro mas nos obriga a dependência e finalmente mata o corpo.

A vista das contas, o lógico seria, entanto haja ainda forças,considerarmos a solução final e se passarmo-nos suicidas para o castelhano, e como Valle ou Torrente tratar de o invadir com as nossas metáforas e ritmos inauditos ou fenecer na tentativa.

Outra possibilidade seria ousar de uma vez aventurar a via lusitana, que também é comercial, ainda que, seica, culturalmente difícil quanto politicamente incorreta.

De qualquer jeito, duvido que nenhuma destas duas vias se tome a sério. O pessoal tem decidido deixar apodrecer os cascos em porto, que é o seguro.

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De livros e fantasias contáveis II/V

Un bello libro no es obra de una sola persona, sino el fruto del esfuerzo de todos aquellos que trabajan en su elaboración. Son varios los artesanos que intervienen en la elaboración del libro y el esfuerzo es siempre de carácter colectivo. Cada libro tiene una historia, independiente del autor y del tema que trata. Una historia referida a su edición. Aquel libro que nació rico, que produjo seguramente un déficit en la contabilidad de la editorial, ahí está en una librería de última categoría, vendiéndose en lote con otros más modestos que corrieron igual suerte.

Luis Seoane, 1957

 

Característica mui significativa da literatura galega atual dos últimos 20 anos é que contando com uma aparência de normalidade nunca vista, havendo mais editoras, muitos mais livros, melhores leitores e mais preparados escritores, a qualidade da produção e dos textos não é proporcionalmente superior a tradição da que parte.

AlfarrabistasNo entanto o público, que não cresce nem se normaliza, está desbordado por uma oferta saturada e repetitiva, sem nenhum controlo e também sem uma crítica em que fiar. Motivos?

Vários. Eliminemos a ingente e absurda produção institucional que dorme em armazéns (universidades, concelhos, deputações, Xunta…). Quitemos Galáxia que vive da sua história e do conto de vender-nos os clássicos patrióticos. Tiremos Xerais, parte do grupo Anaya que pertence à multinacional francesa Havas (a das brasileiras Ática e Scipione), o Grupo Everest ou Alfaguara (Santillana), que nas suas estruturas comerciais mantêm as sucursais galegas (e com apoio absurdo do dinheiro público) pelo que tem de ponte para o mercado hispano. Que fica?

O resto das editoras sobrevivem, não luitam pelo mercado e não fazem investimentos em tradutores, corretores, campanhas. Não ganham muito, mas não se obrigam a competir –que é melhorar- às devanditas. Sobrevivem em boa parte com orçamento da Xunta. Logo, a mais títulos e mais autores, mais ingressos (para sobreviverem apenas) das editoras. Conclusão mercado estancado, e pouco profissional.

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