Arquitetura vegetal

Arquitetura vegetal por Alfredo Ferreiro

{Palavra comum}

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O vazio está cheio de esperança

Há um mistério que se torna atraente quando o mundo conhecido é limitado, geométrico até à náusea, andado de mais, com suas rugas e estrias sempre as mesmas. É o vazio, então, uma hipótese para a arte, para a descoberta da beleza e para o encontro com o Amor que a vida nos reserva.

{Palavra comum}

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Entrevista a Renato Roque: “Também as memórias necessitam ser salvas”

Renato Roque por Henrique Borges (excerto)Renato Roque apresentou em Morille (Salamanca) e em Carviçais (Trás-os-Montes), no contexto do PAN 2016, um trabalho fotográfico que implica um estudo das similitudes e diferenças faciais das pessoas. Como agora somos amigos, vamos lhe pedir que nos conte em que consistiu exatamente. Por favor, Renato, fala à vontade do projeto…

Renato Roque: Arquivo de Babel / Espelhos Matriciais é um projecto fotográfico desenvolvido no contexto de um mestrado Multimédia, entre 2007 e 2009, em torno do conceito de identidade, associada à imagem distintiva de cada rosto humano. Como reconhecemos um amigo? Que diferença existe entre o meu rosto e o do meu vizinho? Qual a diferença entre um rosto de homem e de mulher, de um europeu e de um africano, ou de um asiático? Que informação nova existe num rosto que nunca vimos antes? Estas são algumas das perguntas que o projecto pretendeu colocar em cima da mesa desde o início, procurando atingir o essencial da informação identificadora num retrato de uma face humana. Foto de Renato Roque Arquivo de Babel / Espelhos Matriciais 1Descobrimos que todas as questões enunciadas acima estão de facto relacionadas com um conjunto de mecanismos que os seres humanos parecem ter desenvolvido durante o processo evolutivo, criando áreas especializadas no cérebro para conseguir uma identificação/ reconhecimento rápidos e extremamente eficazes.

No projecto que desenvolvemos usámos uma Base de Dados (BD) com 439 retratos, realizados na Universidade do Porto: alunos, professores e funcionários, de ambos os sexos, com idades entre os 18 e os 65 anos. […] Ler mais

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Céu diminuto

Céu diminuto foto de Alfredo Ferreiro

Arteijo, primavera de 2016. {Palavra Comum}

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“Terra” & “Inverno”

“Terra” é um poema de Alfredo Ferreiro e “Inverno” é uma fotografia de Santi Amil, publicados ambas as obras no livro coletivo Terra, editado por Cultura que une em 2015.

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“Arder” & “Frigindo os rojões no pote”

“Arder” é um poema de Alfredo Ferreiro e “Frigindo os rojões no pote” é uma fotografia de João Madureira, publicados ambas as obras no livro coletivo Terra, editado por Cultura que une em 2015.

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Terra, edição de “Cultura que une”

Terra é um livro coletivo editado pelo projeto transminhoto «Cultura que une», uma aposta galego-portuguesa por fazer da antiga cultura galaica comum, muito mais extensa do que os limites políticos e territoriais da atual Galiza, uma experiência do nosso tempo. Não se trata de mover ou eliminar fronteiras mas de viver como se elas não existissem, nem de concorrer pelos méritos do passado ou do pressente mas desfrutar do convívio natural a que uma mesma terra nos convida desde há milénios.

É nessa sequência que nasceu a primeira publicação de Cultura que une, um livro iluminador que tudo o conta já no título: Terra. Consiste numa coletânea de fotógrafos e poetas galegas e portuguesas que partilham por pares suas particulares maneiras de ocupar a folha em branco. De partida, as fotografias foram propostas e a seguir os poemas, inéditos e não só, foram aconchegados para fornecer outros pontos de fuga.

Fotografia: António Pinto, Anxo Cabada, Catarina Almeida, Diogo Cardoso, Fernando Ribeiro, Iván Merayo, João Madureira, Maribel Valdivieso Varela, Santi Amil, Xosé Luís Alonso.

Poesia: Alfredo Ferreiro, Amadeu Baptista, António Fortuna, Berta Dávila, Carlos Da Aira, João Madureira, José Braga-Amaral, Ramiro Torres, Virgínia do Carmo, Yolanda Castaño.

Uma versão áudio-visual dos conteúdos pode achar-se no Canal Culturaqueune.

Disponível na Galiza na livraria Aira das Letras de Alhariz e em Portugal na Traga-Mundos de Vila Real.

Fotografia Frigindo os rojoes no pote por Joao Madureira

Frigindo os rojões no pote, por João Madureira

ARDER

Arder, aquecer no pote
o tempo e perceber o doce sabor
de aquilo que nasce
aquilo que morre
aquilo que mora no bordo da existência,
como um fungo que raramente aparece
e logo se oculta, fugitivo insensato
na derme sacra da terra
nas leves asas do vento
nas iriadas brânquias do mar,
que em nenhum lugar permanece
por ser apátrida sempre
onde outros erguem bandeira
e defecam pomposamente.
Caminhar sem tempo
alargadamente num único latejo
pela imagem da lua que dança
na marisma de um pensamento cordial,
maravilha do sacro no quotidiano.

Alfredo Ferreiro. Inédito

*

«A Galiza e o norte de Portugal, filhos de uma mesma cultura que ficou truncada, não tanto na época em que D. Afonso Henriques proclamou a independência do Condado Portucalense, mas sim quando foram implantados os tratados de limitação de fronteiras por estados liberais fortemente jacobinos e centralistas ao longo do século XIX.
Nas duas primeiras décadas do passado século XX, intelectuais e criadores galegos e portugueses falaram da necessidade do reencontro. Mas as violências do século XX, nomeadamente as ditaduras, a Guerra Civil Espanhola, a repressão, as dificuldades económicas que afectaram os povos ibéricos pareceram silenciar este diálogo que, na forma de encontros entre arqueólogos, escritores, filólogos, etc., continuaram à margem do discurso oficial.
Amarante é um referente para este reencontro e também encontro. A figura de Teixeira de Pascoaes, grande admirador de Rosalía de Castro (Pascoaes escrevia a Risco que haveria de se lhe fazer uma homenagem) foi um referente simbólico para uma intelectualidade galega. E não só Pascoaes. Também Leonardo Coimbra, Santos Júnior, Carlos de Passos, Hernâni Cidade, Rodrigues Lapa, Vicente Risco, Viqueira, Noriega Varela, Castelao, Filgueira, Jenaro Marinhas del Vallhe, Valentín Paz Andrade, Carvalho Calero, são um bom exemplo de intelectuais que, em algum momento da sua vida, trabalharam para o reencontro.
Mas se é necessário o reencontro também é igualmente necessária a redescoberta de um património cultural que teve origem no território da Gallaecia romana e que teve na língua galaico-portuguesa a sua fonte de criação. O património comum galaico-português faz parte do acervo da humanidade em criações tão singulares como as cantigas medievais da nossa lírica que transparecem uma rica tradição oral onde beberam os trovadores. A cultura popular comúm que manteve a sua vitalidade até ao presente, apesar da fronteira política, debe obter o seu maior reconhecimento mediante a inscrição na Lista Representativa do Património Imaterial da Humanidade da UNESCO.
A aprovação a 11 de Março de 2014 pelo Parlamento Galego da Lei Valentín Paz-Andrade, fruto de uma Iniciativa Legislativa Popular, publicada no DOG de 8 de Abril de 2014, convida-nos, e até certo ponto obriga-nos, a aprofundar o esforço do reencontro.
Para contribuir para fazer da Lei realidade, damos impulso às seguintes actividades a desenvolver em Amarante e na Corunha nesta edição de 2015, que esperamos que não seja a última. A eleição destas duas cidades para a presente edição não é arbitrária. Se Amarante tem a força simbólica de Pascoaes, a cidade da Corunha é onde está a sede da Academia Galega, instituição civil constituída por aqueles que pensavam no ressurgimento da Galiza.
»

{Cultura que une}

Proximamente culturaqueune.com

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Entrar na casa: Ignacio Castro e Eduardo Estévez

Ignacio Castro (fotografia) e Eduardo Estévez (poesia) publicárom em Estaleiro Editora o livro Entrar na casa, que foi apresentado no café Linda Rama da Corunha em 2 de dezembro. Para além da perfeita conjunção de poemas e fotos, de delicada sensibilidade minimalista, foi um luxo inusitado poder ouvir o concerto renascentista de Andrés Díaz (viola de mão) e Belén Bermejo (voz). Aqui deixamos testemunho do sublime ambiente que estes quatro artistas forom capazes de criar:

Não perdam, aliás, a entrevista de Montse Dopico: «[…] entrar na casa é froito dun encontro co fotógrafo Ignacio Castro. Como foi?

Livro e fotografia e poesia Entrar na casa, de Ignacio Castro e Eduardo Estévez

Entrar na casa: Ignacio Castro & Eduardo Estévez

Eduardo Estévez: Ignacio Castro leu o meu libro construcións e viu que había unha relación entre a súa e a miña forma de mirar. Levo tempo dándolle voltas ao tema de mirar dunha maneira diferente. Interésame moito a literatura militante, que a verdade é que envexo, pero a min non me sae. Pois a maneira que atopei de facer algo semellante foi esa: tentar mirar as cousas desde outra perspectiva. Non para levar a mirada dos demais á miña, senón co obxectivo de que o lector se decate de que hai outras formas de mirar. En construcións facía iso mirando aos pequenos detalles. Porque mirar o detalle pode ser outro xeito de ver o total, o xeral.

Pois Ignacio Castro envioume unha ligazón para que puidese ver as súas fotos. Intercambiamos varios correos e unha vez e díxenlle que un día podiamos facer algo xuntos. Nunha semana respondeu: facemos? E así foi. Establecemos un diálogo do que o libro é resultado. Non é un libro de poemas con fotos nin un libro de fotos glosadas con textos. Eu escribín textos a partir de fotos, el fixo fotos a partir de textos… e os dous intervimos no que facía o outro. El orientaba os meus textos e eu as súas fotos.

MD: Comentas no teu blog que o libro foi rexeitado nas editoras grandes.

EE: Non é un libro para mandar a premios. As editoras grandes teñen estruturas ríxidas. É difícil que se saian da súa maneira habitual de facer as cousas. Non é só unha cuestión económica. É moi complicado que saian das coleccións que teñen prefiguradas. As editoras máis grandes non poden deixar de publicar poesía, non poden permitirse iso, pero tampouco lle ven posibilidades de negocio.

Mirei tamén nas editoras pequenas, e polo menos responderon. Case a totalidade dixo que o libro lle gustaba pero que non podía publicalo ou non podía facelo sen axuda. Ata que apareceu Estaleiro, que asumiu o risco, eu creo que sen pensar moito na dificultade que ía supoñer publicalo. E eu recoñézolles moito o esforzo que fixeron nese sentido. Quedou un libro moi digno. […]»

{Praza Pública}

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Nuno Viegas (fotografia), Ramiro Torres (poema) e Deslize (música), com João Sousa e Hélder Azinheirinha

Nuno Viegas fotoEsta foto provém de O Pára-quedas de Ícaro, de Nuno Mangas-Viegas.

O mundo divide-se em
pequenas fendas iluminadas
desde dentro por um mesmo
animal subterrâneo, como
uma brancura súbita nascendo
no centro do olho ao começo
da noite que sangra entre
as pálpebras e o insólito.
Somos músicas desterradas,
ilhas fulgurando nas mãos
estranhas a qualquer tacto,
caminho desfazendo-se aos
nossos pés até ser cosmografia
de um universo recriado como
nomes dançantes na espiral
de uma ingravidez absoluta.

[…] Ler mais

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Haiku sobre a violência machista (II)

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Palmeira: a Ilha dos ratos desde a Insuela

 

Um triste abraço,
mais nada era preciso
para sorrir.

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