Estudos sobre temas antigos, de Henrique Marques-Samyn

Estudos sobre temas antigos, poemas de Henrique Marques-Samyn

«Estudos sobre temas antigos», poemas de Henrique Marques-Samyn

Em Estudos sobre temas antigos o poeta assume a sacralidade do mito criando um discurso de carácter sálmico mediante diálogos e descrições de cenas de alto valor sapiencial. Recupera os «temas antigos» e recria uma atmosfera colorida com pinceladas de intensa emotividade, numa atitude declaradamente mediúnica que logra nos situar, através de um estilo profano e antigo, perante uma sorte de achado arqueológico, como que descobrindo-nos textos de antiquíssimos manuscritos que transcrevessem uma coleção de esquecidos arcanos. Este é o valor do estilo que nos propõe: o jogo de escrever à moda de um mundo que já não é o nosso mas que —partilhamos com o escritor— gostamos de ver recriado porque nele encontramos um jeito de escrita que se apoia no ensinamento, no quadro de uma tradição milenária em que a intentio auctoris se traduz numa clara vontade de docere et delectare, implicando a existência de um mestrado e de conteúdos pedagógicos de grande profundidade. Não é outro o legado da literatura antiga, nascida num tempo em que tudo o que existe era interpretado como manifestação histórica do eterno espírito universal, e que usando um variado abano de alegorias vestia as obras com as roupagens de todo o panteão dos deuses para descrever as forças que influem no mundo.

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Escrita e indeterminação

“Nunha época en que se valora o monolitismo temático, ofrecemos agora un poemário miscelánico até o paroxismo”, afirma o texto estampado na quarta capa de Versos fatídicos (Positivas, 2011), mais recente volume da obra literária de Alfredo Ferreiro. Com efeito, os textos poéticos assinados pelo autor corunhês desde meados dos anos 1990 – o volume reúne, ao lado de inéditos, poemas publicados em espaços diversos ao longo de dezesseis anos: entre 1994 e 2010 – revelam-se múltiplos tanto no que tange à realização formal quanto no que diz respeito ao temário abordado; por outro lado, isso não é algo de novo na obra de Ferreiro, sendo já patente em Metal central (Espiral Maior, 2009). O que nos revelam as novas composições é, por conseguinte, a obra de um escritor que segue predisposto a riscos. Alfredo Ferreiro parece receptivo à ideia de uma obra em permanente progresso e sempre sujeita à revisão – o que de resto se coaduna com uma indeterminação que, em textos biográficos, entende como uma condição original sua. Read More

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Estudos sobre temas antigos, poemas de Henrique Marques-Samyn

Estudos sobre temas antigos, poemas de Henrique Marques-Samyn

Estudos sobre temas antigos, poemas de Henrique Marques-Samyn

«Estudos sobre temas antigos», de Henrique Marques-Samyn

Com imensa alegria apanho na caixa dos correios o último livro do amigo Henrique Marques-Samyn, alguém que na distância transoceânica partilha as grandes certezas que só a poesia revela, certezas tanto mais grandes quanto mais prenhadas dos paradoxos misteriosos da vida. Leremos seu livro com vagar, no firme desejo apreender aquilo que o Henrique generosamente dispara ao alvo do que mais importa. Nossa gratidão vaia por diante, agora e sempre.

«O poeta Henrique Marques-Samyn, ao celebrar seu passado sob a espécie de confissão, e ao exprimir o orgulho de compartilhar as glórias de sua comunidade, constrói uma espécie de culto orgiástico, quando não meramente apologético, sempre a mirar a possível imago mundi. Para tanto, deverá cultivar a ortometria, maneira elegante de transmitir, mediante as palavras, a riqueza interior. Como se sabe, a poesia cuida especialmente do geral, enquanto a crônica, que lida com o tempo, concentra-se no particular, partícula da História. O poeta se entrega à fulguração da palavra e também à ritualização do espetáculo sobrenatural. Henrique Marques-Samyn ousa apresentar ao leitor contemporâneo, vítima da cultura massificada pela indústria e pelos apelos da urgência, uma coletânea de Estudos sobre temas antigos. E o faz conscientemente, sob o competente registro do poético. Prefácio de Fábio Lucas e apresentação de Ivan Junqueira. »

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Segunda crítica de Metal central

«[…] Obra forjada com férreo labor – nascida, aliás, de uma árdua experiência pessoal do poeta, que durante quatro anos conheceu de perto a “grande caldeira / de ruído e de sombras” – , Metal central consolida Alfredo Ferreiro como um autor capaz de desenvolver um projeto ambicioso de forma consistente, algo notável sobretudo pela solidez que atravessa a obra: os diversos poemas do livro articulam-se e operam juntos, como azeitadas engrenagens de um livro-máquina. Recusando o fragmentário, o poeta fabrica versos que, ásperos e agudos, traspassam e cortam a fundo a nossa metálica – porque humana – carne.» (Ler artigo completo de Henrique Marques-Samyn)

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