Nanã, para Begoña Caamaño

Hoje quero relatar um percurso emocional e intelectual que começou há aproximadamente uma semana. Tudo começou com a lembrança de uma canção que, lá no mês de Julho me tinha impressionado: Nanã, interpretada por Elza Soares. A canção, que a seguir reproduzo, causou em mim uma grande turvação,

tanto pela voz da cantora, que vindes de ouvir, quanto pela letra, que diz assim:

NANÃ
Esta noite quando eu vi Nanã
vi a minha deusa ao luar.
Toda a noite eu olhei Nanã
a coisa mais linda de se olhar.
Que felicidade achar enfim
essa deusa vinda só pra mim,Nanã.
E agora eu só sei dizer
toda a minha vida é Nanã.
É Nanã…

A canção faz referência à Nanã Buruku, que no Brasil resulta ser um «orixá das chuvas, dos mangues, do pântano, da lama, senhora da morte, e responsável pelos portais de entrada (reencarnação) e saída (desencarne)». Mas estas referências à noite presidida por uma lua acesa e a plenitude íntima que aqui se descreve traz à minha memória algumas teorias sobre a antiquíssima origem das Virgens negras do Românico europeu, que as relacionam com cultos pré-cristãos vinculados a uma fascinante retícula de relações conceptuais em que dançam juntos os atributos da Mãe Tríplice dos celtas, a Isis dos egípcios, a Ishtar dos acádios, a Inanna dos sumérios, a Venus dos Romanos e a Sta. Brígida dos irlandeses, se não mais.

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