Renato Epifânio (Público): «[…] Dois anos após a sua aprovação, chegam-nos porém notícias preocupantes sobre a real implementação da Lei Paz-Andrade. A expansão do ensino da língua portuguesa – que foi de 850 no curso anterior para 1850 alunos no presente ano –, deveu-se exclusivamente à iniciativa dos pais dos alunos ou das entidades culturais privadas, sendo que o Governo Autónomo não transmitiu, a este respeito, qualquer instrução nem informação aos responsáveis dos centros escolares, parecendo assim não estar minimamente empenhado na real implementação da referida Lei. Quanto à rádio e televisão públicas, apenas se regista, para além das colaborações no programa “Aqui Portugal”, da RTP, a edição da banda desenhada “Os Bochechas”. Ignoramos se a RTP tem, a este respeito, alguma outra colaboração prevista.

Entretanto, fomos informados de que a candidatura do “Consello da Cultura Galega”, organismo público financiado pelos contribuintes galegos, ao estatuto de Observador Consultivo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), foi aprovada por unanimidade pelo Comité de Concertação Permanente da CPLP. Constatando que esta entidade tem defendido publicamente que “a língua galega é independente da língua portuguesa” (sic), perguntamos que sentido faz aceitar na CPLP uma entidade que promove o isolacionismo, ao invés da convergência linguística e cultural com os restantes países e regiões do espaço lusófono. A nossa perplexidade é tanto maior porquanto, em 2011, como então denunciámos, Portugal vetou a candidatura da Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa – esta sim, uma verdadeira instituição da sociedade civil e realmente pró-lusófona – ao mesmo estatuto de Observador Consultivo da CPLP.»

«A farsa galega: sobre a implementação da “Lei Paz-Andrade”»

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Confluência de corações

Apesar de que grande parte do sector intelectual galego continua ancorado na desídia e até numa permissiva indolência com as práticas menos democráticas herdadas do franquismo (capelinhas e “chiringuitos”, instituições feudalistas, antilusismos espanholistas, independentismos espanholeiros, oligarquias académicas, gerontocracias sempiternas, etc), na AGAL só se rende homenagem ao esforço permanente, à tolerância fraterna e ao pragmatismo libertário. É sem dúvida uma honra tamanha para mim, depois de ter colaborado durante muitos anos em diversos grupos, associações e sindicatos, fazer parte de uma irmandade em que primam a liberdade individual, as contas claras (e positivas!) e a vontade de consenso. É claro que destes corações, destas mãos e destes vímbios só podem sair os melhores cestos.

Pergunto-me, ao tempo, onde vão ir parar as “instituições oficiais” e as “melhores empresas culturais” deste país com tanta rigidez perante a mudança de paradigmas no mercado cultural a que, de resto, a cultura galega —há sessenta anos “utópica”, agora “oficial”— nunca soubo somar-se. Mas aqui estamos muitos para colaborar numa nova época em que, não pode caber dúvida, todos os recursos disponíveis devem ser aprimorados e os ombros de tod@s devem unir-se para a grande causa comum.

«A Associaçom Galega da Língua (AGAL) aprovou dia 3 em assembleia o texto que recolhe a confluência das duas tradiçons normativas que coexistiam no reintegracionismo, que a partir de hoje contará com umha única proposta ortográfica e morfológica. A Ortografia Galega Moderna convergente com o português no mundo (nome provisório) será lançada em app para telemóvel e numha wiki-faq, onde já se encontra umha primeira versom que também será editada em livro (com exercícios práticos) no próximo mês de janeiro.

Desde o nascimento do movimento reintegracionista contemporáneo, conviviam nele duas sensibilidades, com usos gráficos mais ou menos convergentes com o português no mundo. Em termos normativos, isto refletia-se no uso de duas normas independentes, cujas principais discrepáncias entre si era o uso de formas divergentes para o indefinido feminino (uma/umha) e para a terminaçom que na Galiza pronunciamos –om/-am, que havia quem escrevesse com til (ão) e quem nom (om/am).

Na prática, a confluência normativa implica umha ampliaçom das velhas normas da AGAL, que passam a incluir mais algumhas duplicidades, aquelas que estám justificadas nos usos conscientes das pessoas reintegracionistas. Ainda, dentre as duplicidades que já tinha esta norma, serám relegados alguns traços gráficos que nom se justificam no uso atual do reintegracionismo (como o ç no início de palavra ou a forma irmám acabada em –am).

O processo é em certo modo paralelo ao sofrido pola própria normativa ILG-RAG do galego em 2003, em que agora convivem as terminaçons ble-bel ou eria-aria. Com este passo, a associaçom admite que a “normativa” deve acompanhar a realidade, admitindo os usos reais, porquanto era evidente que cada vez mais reintegracionistas faziam uso de formas que nom recolhia a norma da AGAL agora ampliada.

Para a AGAL, as pequenas discrepáncias que exibiam as duas tradiçons gráficas deixaram de justificar que fossem mantidas duas normas independentes. Por isso, será divulgado um novo texto normativo de carácter orientativo que se insere na tradiçom de línguas que, como o inglês, nom contam com normas prescritivas (apenas descritivas), com duplicidades que só o uso das pessoas irá resolvendo.

Para obteres mais informaçom sobre a nova proposta ortográfica da AGAL podes consultar o texto aqui, nomeadamente o primeiro capítulo: “Esclarecimentos prévios”» […].

{PGL: ‘Confluência normativa’ aprovada por unanimidade’}

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As tribos calaicas, de Higinio Martins Estêvez

“Quando os romanos chegarom ao Noroeste peninsular, atoparom-se com as 42 tribos calaicas que estuda o professor Higinio Martins Estévez na sua recém publicada obra As tribos calaicas. Proto-História dá Galiza á luz dos dados linguísticos . «Gallaecia pouco figurou no sistema territorial romano, só com Caracalla e Diocleciano», assinala o autor. O facto de que persistisse o nome da regiom, nom latino, e seus três conventos territoriais denota que precede à institucionalización romana, acrescenta Martins.

Pensa este pesquisador que, se a Galiza velha ou Kalláikia existia dantes da chegada dos romanos, pode suporse-lhe o que ele denomina um centro aglutinante. Que lugar seria esse? Martins tem-o claro e surpreende-se de nom ter sabido o ver antes: «Segundo Ptolomeo, na terra dois tiburos estava Nemetóbriga, vila santa ou consagrada». Estamos, pois, nas actuais Terras de Trives, concretamente em Mendoia. «Para Cuevillas estaria esse centro em Mendoia ou Trives vello, nun círculo com rádio de dous quilómetros e centro na Pobra de Trives». O autor de tam singular livro assegura que cerca de Montefurado e Trives «os historiadores coincidem em pór o encontro dos limites dos três conventos: asturicense, lucense e bracarense». Por tanto, acrescenta, Nemetóbriga deveu de ser a montanha sagrada ou cidade santa do centro do ordem territorial romano dos galaicos. «Debeu de ser antes a cidade santa, eixo do mundo dois calaicos ou ónfalos dá Kalláikia». Para Martins Estévez, a palavra kallaiko nom foi um nome tribal autoatribuido, senom um «nome nacional e um adxectivo que cabería traduzir por paisano, terrantes, expressom que revela afectividade».

Que cultura fez a partición em três da velha Kalláikia? Este pesquisador assinala que o arranjo parece vir do sistema de casais por primos cruzados. Aantes da conquista, os três conventus ou assembleias territoriais, em origem chamados oinaikoi calaicos , eram citas de tribos vinculadas entre si, que se reuniam a cada ano num ponto médio do território. Lugo, Astorga e Braga som cidades bimilenarias nascidas, segundo assinala Martins, «non de castros celtas, máis de acampamentos romanos», para vigiar as reunions que demostravam a identidade do povo calaico. O centro de culto dessas três áreas era, insiste o autor, Nemetóbriga. E o rio Sil passaria a engrosar a hipótese de ter sido o rio da uniom por reunir as três partes da Céltica do Noroeste peninsular. «A Kalláikia existiu, non foi feitura romana. Hai um passado do que enorgullecérmonos», assinala Martins.” {Vía Ivoox}

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O portugués avanza na Extremadura… ou Extremadura avanza co portugués?

Cada vez que atopo, sen as procurar, noticias sobre o recoñecemento do portugués na Extremadura levo as mans á cabeza e bato con ela doentiamente contra a primeira parede que vexo. Por que na Galiza é tan difícil todo? Será porque a mesma esencia da galeguidade é algo irrecoñecíbel para os galegos? Debe ser iso o que non lles pesa aos extremeños españois: os que son portugueses gustan de o portugués ser recoñecido, e os españois achan interesantes hipóteses de negocio no alleo. No noso país alienado, ao contrario todo: o español, que é alleo, deséxase propio; o portugués, que é propio, trátase de alleo. E os portugueses que veñan han de imitarnos aos alienados, que como conversos á máis pura españolidade deben mudar as roupas do corpo e do espírito.

Os resultados son os que poden ver na páxina do Centro Integral de Cultura Portuguesa Rainha Dona Amélia, entre outros. Por que non é posíbel na Galiza que as distribuidoras encontren o modo de ofrecernos libro portugués de forma fluída? Temos que conformarnos coas mínimas edicións actuais de literatura internacional en galego, a unha ducia por ano, encanto nos bañan con millóns de edicións en castellano, esa lingua universal que falaron Xesús Cristo,  Madame Curie, Kirt Douglas,  Nefertiti, Copérnico, Xoana de Arco, Aristóteles, Lao Tse, Safo, Gandhi, Artur, Cleopatra, Moctezuma, os pigmeus, as tuaregues e os esquimós? E non esquezamos, embora recoñecendo grandes limitacións,  Tarzán.

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Apresentação de GALIZA: Língua e Sociedade (XIV ensaios)

No 18 de junho, quinta-feira, 20.30 horas (p.m.) / 8.30 da tarde, na Livraria Couceiro (Praça do Livro) da Crunha terá lugar a apresentação do livro GALIZA: Língua e Sociedade (XIV ensaios), Anexo I do Boletim da Academia Galega da Língua Portuguesa. Intervirão: Celso Álvarez Cáccamo (moderador do ato), Fernando Vasques Corredoira, Mário Herrero Valeiro e António Gil Hernández (co-autores da obra).
Também se dará conta do Léxico da Galiza para ser integrado no Vocabulário Comum da Língua Portuguesa, apresentado, junto do Vocabulário da Academia Brasileira de Letras, na sessão solene realizada na Academia das Ciências de Lisboa em 14 de abril próximo passado.

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