Revista [sem] equívocos nº 03 250 px

[Sem] Equívocos nº 3

Revista [sem] equívocos 03. Colaboram neste número: Eduardo Lourenço, Luís Filipe Sarmento, Rita Marrafa de Carvalho, Tiago Alves Costa, José Barata Moura, Teresa Moure Pereiro (Galiza), Leonor Lêdo da Fonseca, Tara Skurtu (E.U.A), Mário Augusto, Carolina Bustos Beltrán (Colômbia), Inez Andrade Paes, Alfredo Ferreiro (Galiza), Carolina Cordeiro, Laura Macedo, Inez Eggers, Urbano Oliveira, Anabela Pinto, Ramiro Torres (Galiza), Laurinda Figueiras, Rui Brites, Augusto Canetas, Carlota Basto, Clotilde Celorico Palma e Paulo Teixeira de Morais.

Revista [sem] equívocos 03

A portuguesa [sem] Equívocos é uma revista literária de artes e ideias que divulga entrevistas, textos literários e artigos críticos sob a direção do escritor José Augusto F. Costa. Nela pude colaborar no passado verão com este meu poema “metálico” junto dos contributos de muitas pessoas amigas e outros grandes talentos: Eduardo Lourenço, Luís Filipe Sarmento, Rita Marrafa de Carvalho, Tiago Alves Costa, José Barata Moura, Teresa Moure Pereiro, Leonor Lêdo da Fonseca, Tara Skurtu, Mário Augusto, Carolina Bustos Beltrán, Inez Andrade Paes, Carolina Cordeiro, Laura Macedo, Inez Eggers, Urbano Oliveira, Anabela Pinto, Ramiro Torres, Laurinda Figueiras, Rui Brites, Augusto Canetas, Carlota Basto, Clotilde Celorico Palma e Paulo Teixeira de Morais.

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INICIAÇÃO
O meu braço operário nasceu aqui,
no interior de uma luva ignífuga,
rente do lume e do vapor de água,
decidido a resistir os embates do ferro
que do meu sangue ascendia
aos meus olhos surpreendidos e virgens.
No início arrastei-me por corredores escuros,
trepei pelas árvores metálicas de novas artes
como um explorador situado em tempos vulcânicos,
à vez pré-históricos e futuristas.
Entre pacíficos guerreiros,
equânimes usuários da espada
que corta em jornadas os dias,
aprendi a caminhar pelo gume da noite
empurrando o carro do metal
trabalhado em comunhão.
Conheci o sal que fica na pele
depois do suor precipitado das horas,
no movimento incessante de rolamentos e eixos,
na hidráulica compassada de corações e máquinas.
Conheci esta forja de ferros e braços
de capatazes de sonhos habitáveis e cálidos,
artesãos que lavram as vértebras da casa
do animal primitivo que habita a nossa alma.
Aqui ladrei, mordi e lambi as feridas,
aqui gravei no braço uma espiga
símbolo do clã, veneno do metal
ardente da vida.
O meu braço operário nasceu aqui,
na lubrificada companhia de mãos quentes
e máquinas esquivas.

in Metal Central

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Elipse, revista literária galego-portuguesa

Vivemos tempos de incerteza devido ao rijo desamparo a que nos sometem os poderes fáticos, mais comprometidos com a gestão privada dos bens públicos do que com uma democracia digna de tal nome. As gentes sofrem e calam, choram e calam, trabalham por menos e vem minguar o pão na mesa, e por enquanto ainda comem e calam. Permanecemos aturdidos por uma triste realidade imposta desde a cima, como se de uma aterragem extraterrestre se tratasse, enquanto persistem inércias de cómodas épocas que logo haverão de virar tópico de papel couché, inércias que nos imobilizam enquanto a nossa sociedade, aquela que nos deu as merendas e nos mandou à escola, é arrastada pela corrente.
Mas à par disto outras vontades põem-se em marcha e uma nova esperança floresce no campo que pisamos desde há  milhares de anos. É o caso da revista literária galego-portuguesa Elipse, a que damos a benvinda e que já vimos de assinar por três números:

«O primeiro projeto de Círculo Edições é lançar uma revista literária que sirva de ponto de encontro para aquelas pessoas que desfrutamos com as diferentes formas em que se manifesta a arte de manejar a língua. Publicaremos três números por ano (em fevereiro, junho e outubro), em formato digital (epub e PDF) e em papel.
Os conteúdos serão variados: incluem a poesia, o relato curto, o ensaio e traduções. As secções corresponderão com estes conteúdos.
Ademais de estas secções variáveis programamos duas secções fixas. Uma dedicada a um autor ou a uma autora, que será proposto pelo Conselho Editorial e uma outra dedicada a um clássico da literatura galego-portuguesa como homenagem e em memória do nosso passado comum».

Mais informação no web da editorial.

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