Entre as mãos uma serpente branca…, por Ramiro Torres

Para o Pedro, na habitação do imenso.

Para o Dúbi e o Rubén, propiciadores de caminhos.

Entre as mãos uma serpente branca
Acolhe a percepção olvidada, para
Deter-nos na cópula da memória e
A lava que ocupa a cidade, com a
Cabeça do tempo explodida, nua
E veraz a sua palavra derramada.

Não é nosso este espaço dormido:
A distância ao pequeno sol ouveia
No coração, segrega a voz inteira
Dos animais despossuidos; na rede
Lançada desde a casa inapreensível,
Atrapadora, a palpitação do eterno.

Ramiro Torres. Outubro de 2009

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.

2 thoughts on “Entre as mãos uma serpente branca…, por Ramiro Torres

  1. Casteleiro

    Como em Pompeia, o teu coração vulcão palpita ameaçador. Pronto a descobrir-se, por meio de uma guerra que traz a paz.

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