“Paisagem urbana”, por Ramiro Torres

Para María Xosé Bravo e Carme Vilariño,
operárias de sonhos urbanos, caminhantes do saber.

Cidade dançante na
alquimia transparente
de um rio sem margens,
habitada no fio que une
todos os pontos da luz
numa fraterna cadência:
vibra um arquipélago
de filamentos no
interior da língua,
fecundadores do
inaguardado, a encher
de pólen os órgãos
centrais deste corpo
vastíssimo e invisível,
ubicador de estrelas
nos mapas diurnos
que entrelaçam mundos
como estouram as palavras
no fluir fascinado do poema.
Aqui alçamos a visão até
ser chama vulneradora
do tempo, som evoluído
da beleza a percutir
no coração, fulgurante
e incompreensível,
adentrados num
amor sem pausa.

Julho de 2011.

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.

2 thoughts on ““Paisagem urbana”, por Ramiro Torres

  1. Maribel Valdivieso

    Cando unha persoa é merecedora de unha poesia, o poeta elexifo ten que estar a altura…… E mais, cando estamos falto de unha cultura que ela nos a poñia sempre sen intereses persoais, só pra que foramos participes de ela e disfrutaramos tanto como ela disfrutaba
    Maribel.

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