‘O poema, a viagem, o sonho’, de Arménio Vieira

A súa poesía ofrece unha mestura moi particular de referencias clásicas e sintaxe longa e retórica utilizadas dun xeito que só a modernidade posterior ás vangardas pode asumir, o que depara nuns textos poéticos en prosa sorprendentes:

Arménio Vieira, premio Camoens 2009, é considerado un “escritor irreverente” (e digo eu: agora somos todos así en España, pois xa ficou claro que non temos monarquía que unha reverencia mereza). Iniciouse na literatura como poeta alá polos 80, como tantos escritores da nosa Galiza e vive tamén nun pequeno país, Cabo Verde, de loito a día de hoxe polo falecemento de Cesária Évora, tan aprezada entre nós. E para colmo de semellanzas, quéixase de que como poeta publicou este libro que referenciamos en 2009 e, aínda co Camoens de estandarte, non ten recibido ningún diñeiro da editorial.

«O sonho, isto é, a via pela qual viaja o sonhador, tem mares, mostrengos, menos que só viu quen não precisa de velas, mastros, quilhas para que de ciclopes, sereias, bruxas conte o que Ulisses não podia contar. Porventura o Grego ter-se-ia lembrado que, de quanto doeu, Nausica fora o pior tormento? (Ela que o quis com não fingido amor, sem que ele pudesse amá-la!) Saberia Ulisses contar os sonhos de alguém que o pôs no mar e lhe deu navios? E que, ao despertar, achou que era tempo de ele rever o lar, que é onde acaba o mar e começa a viagem de quem, viajando nunca, é o que deveras viaja?» {O poema, a viagem, o sonho, de Arménio Vieira}

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Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua. Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego. Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais. De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza. A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono. Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteixo.