Nuno Viegas (fotografia), Ramiro Torres (poema) e Deslize (música), com João Sousa e Hélder Azinheirinha

Nuno Viegas fotoEsta foto provém de O Pára-quedas de Ícaro, de Nuno Mangas-Viegas.

O mundo divide-se em
pequenas fendas iluminadas
desde dentro por um mesmo
animal subterrâneo, como
uma brancura súbita nascendo
no centro do olho ao começo
da noite que sangra entre
as pálpebras e o insólito.
Somos músicas desterradas,
ilhas fulgurando nas mãos
estranhas a qualquer tacto,
caminho desfazendo-se aos
nossos pés até ser cosmografia
de um universo recriado como
nomes dançantes na espiral
de uma ingravidez absoluta.

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“Vibrações iluminadas”, por Ramiro Torres

 

I
Abraçar o desenho
orgânico do universo
em coito demorado
até esvaecer entre
fendas impensáveis:
o trabalho do poema é
obscurecer as mãos
da realidade até achar
o fulgor emergido do
invisível entre a luz
convulsa dos amantes.

II
Inauguram-se cosmogonias
nesta lâmina iridescente
aventurada na noite:
preparamos incêndios
entre os nossos olhos
e o existente, confiamos
no sonho que nos devora
e dançamos sob a terra
transparente que agacha
pupilas desnudas, como
ruas de um universo em
feroz expansão sobre nós.

III
Somos terra hipnótica,
arcano nascendo como
desenho aberto no meio
do poema em ignição:
trabalhamos no íris do
coração como videntes
à procura do sol líquido,
onde o vulcão vibra no
ser como vertigem a
fremir corpos adentro.

 

Confraria do Vento

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«Transformação», por Ramiro Torres

Para Miguel, Xavier, Moncho e Xulio, em nova fraternidade

Resides no obscuro que
ilumina o saber-te aqui,
música gravitante sobre
os olhos desarmados no
absoluto a fluir como rio
dentro de nós, neste lado
do existente submersos
na serena transmutação
do tempo em oceano,
suspendendo-te no abraço
primeiro da memória e o
desenho zenital do saber.

Maio de 2014

 

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Para o Márcio-André, este poema radioativo-irradiante

O poeta acorda nas
palavras estalantes,
caminha por jardins
pulsando corpo adentro
como galáxias iniciais:
esquecido o seu nome,
lança-se a um oceano
inextinto até saciar a
sede de céu irradiante
que sonha sob os olhos
de espuma imemorial.
Sabe arder à noite,
atravessando a janela
impossível sobre
a dança do universo,
entusiasmado pelos
corpos que se decifram
e descobrem como
luminosidade entrante no
magma do vazio inebriado.

Ramiro Torres. Julho de 2013

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Ramiro Torres publica Esplendor arcano

Inícianse as publicacións amparadas polo Grupo Surrealista Galego co poemario Esplendor arcano, de Ramiro Torres.
O libro, editado o 31 de decembro de 2012, está dividido en tres partes: Campos de visão, Casa do despertar e Terra da iminência, ten 72 páxinas, e leva un poema-epílogo de Pedro Casteleiro. A portada, que reproducimos abaixo, é de Alba Torres Ferreiro. O prezo é de 8 euros.
As persoas interesadas en obter exemplares, poden dirixirse a este correo electrónico: esplendorarcano@gmail.com

Tamén se pode adquirir aquí:
A CORUÑA
Taller de Litografía Milpedras (Rúa Brasil, 3).
Livraria Suévia (Rúa Vila de Negreira, 32).
Libraría Sisargas (Rúa Curros Enríquez, 9).

 

Este é un dos poemas do libro:

Respiramos em noites
grávidas, claudicados
de toda possessão
entregamo-nos ao
desterro feliz entre
as fendas, como
sombras enigmáticas
a arder sem cálculo
à espera de florir na
irradiação primeira.

{Grupo Surrealista Galego}

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Tati Mancebo cantará no próximo encontro Milpedras

Serán con versións propias en galego do Summertime de George Gershwin e doutras pezas de Leonard Cohen e James Taylor. Será acompañada por María Xosé Silvar (Sés) na voz, Tito Calviño na guitarra e Dubi Baamonde no saxo. Todo no contexto do recital poético e da expresión plástica do X Encontro Milpedras.

«Os Encontros en Milpedras, espazo de comunicación natural entre diversas artes, unindo os seus camiños nun fluxo simultáneo onde os espectadores e participantes poden aproveitar a enerxía de varios artistas compartida nun mesmo lugar e momento, continúan no Taller de Litografía Milpedras.

A proposta consiste no traballo común de escritores, músicos e artistas plásticos e visuais que queren comunicarse entre si e co público sen intermediarios, aumentando o coñecemento e o diálogo libre entre as diferentes disciplinas artísticas, e ofrecendo ao público interesado unha experiencia nova e enriquecedora.

Este X Encontro é moi especial, ao fin somos unha Asociación Cultural que nace co obxetivo de promover a cultura e do intercambio de coñecementos e actitudes dunha maneira libre, de tal xeito que o espectador poida estar en contacto directo cos artistas, inmiscuirse no seu traballo e sentirse unha parte importante del.

– Presentarmos oficialmente la AC Encontros Milpedras
– Presentacion da identidade da nova AC

O “X Encontro Milpedras” conta con estes participantes:

poesía
– Ramiro Torres
– Diana Varela Puñal
– Arturo Casas

pintura/artes plásticas
– María Martínez
– Gosia Trebacz

música
– Dubi Baamonde
– Tito Calviño
– Tati Mancebo (como cantautora)

lugar: 
Milpedras, taller de litografía
. Rúa Brasil, 3 baixo
. 15009, A coruña. Tel: 881 926 698
hora: venres 29 de xuño a partir das 21:00 h., 
duración aproximada dunha hora.
A entrada é libre e gratuíta.

info@milpedras.com

Atopa Milpedras premendo aquí» {Milpedras}

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“Encontro”, de Ramiro Torres

Para o Xoán Antón Pérez Lema, em serena irmandade.

Povoamento de raízes na luz
exacta que desnuda a voz e
se afinca na brancura solar
onde tu estás, pai, como olho
puro no coração interior do
tempo, abraçados ao corpo
de tenra espuma a fluir dentro
do mundo, juntos no desenho
de árvores líquidas a esclarecer
o silêncio que arde, indefinível.

Junho de 2012

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