Letras Galegas, enfim um futuro possível

Carvalho Calero 2020
Carvalho Calero 2020

Os galegos somos um povo iletrado porque temos uma língua sem letras. Essa foi a preocupação na maturidade do professor Ricardo Carvalho Calero, de que hoje celebramos a obra. O erudito de Ferrol foi cientista, escritor e político preocupado com o porvir da língua galega, a que só via futuro se enquadrada no âmbito da lusofonia. Mas porquê se preocupar por uma língua que, segundo a romanística europeia do século XX, está viva desde há mais de mil anos e é divulgada por vários continentes ao largo de mais de 250 milhões de gargantas?

O galeguismo do século XX, empenhado com a dignificação da língua galega, acusou o povo de desprezá-la e desse modo mostrar uma sorte de patologia social que se traduzia na assunção do castelhano, língua alheia, em detrimento do galego. Mas o povo não abandonava uma língua quando deixava de falar em galego, porque o tal galego, se bem olhado, não semelhava ser língua: não era usado para falar com o médico, nem com o jurista, nem com o farmacêutico, nem era a língua ensinada pelo professor, nem a língua louvada como de literária. Era a língua que por costume, não por ciência, tinham os labregos, era a língua dos que abaixavam o lombo de sol a sol, a língua dos que pouca ou nenhuma terra tinham, a língua dos que na escola eram castigados recebendo com a régua nas mãos por não saberem falar castelhano. Era a língua, em definitivo, dos que não tinham língua.

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Língua galega em emergência linguística

«A plataforma cidadá Queremos Galego, composta por máis de 600 entidades, chama a cidadanía galega a mobilizarse nas sete cidades galegas a quinta feira (xoves) 19 de decembro, ás 20h, “en resposta á situación de emerxencia lingüística que amosan con claridade datos como os do IGE” e para “reclamar que a Xunta cumpra coas demandas realizadas polo Consello de Europa”.

[…] “A evolución dos datos de uso e coñecemento do galego son alarmantes”, afirma o voceiro de Queremos Galego e presidente da Mesa pola Normalización Lingüística, Marcos Maceira. As taxas de incapacidade para falar galego entre a poboación menor de 15 anos son as máis altas da historia, consolídase a ruptura interxeracional e aumenta o número de persoas que se senten na obriga de mudar de lingua. “Perante esta situación, reiterada en inumerábeis ocasións pola plataforma Queremos Galego e confirmada polo Comité de expertos e o Consello de Ministros do Consello de Europa”, recorda Maceira, “a única política da Xunta é a agresividade e, segundo os expertos do Consello de Europa, incumprir a Carta e non realizar ningunha acción lexislativa ou política para o facer, nomeadamente no ámbito do ensino”.

[…] “A situación é de emerxencia e o galego é necesario para o desenvolvemento cultural, social, económico e humano de Galiza”, recordan: “Precisamos do galego para Galiza existir “».

{Cf. Plataforma Queremos Galego}

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AELG logo

Solidariedade da AELG com a Associació d’Escriptors en Llengua Catalana, controlada polo Estado Espanhol

AELG logo«A AELG solidarízase coa Associació d’Escriptors en Llengua Catalana e esixe que remate a vixilancia especial contra as institucións literarias catalás.

A Asociación de Escritores e Escritoras en Lingua Galega, AELG, manifesta publicamente a súa solidariedade coa Associació d’Escriptors en Llengua Catalana, AELC, na denuncia do sometemento a «vixilancia especial» da Institució de les Lletres Catalanes e o Servei de Biblioteques de la Generalitat. Isto significa que teñen intervidas as contas e as partidas reservadas para as actividades, é dicir, dun golpe o goberno central vén de pór a 0€ estas institucións, impedindo a realización das actividades culturais que lles corresponden.

No caso concreto do Servei de Biblioteques suspéndense, segundo afirmou o propio servizo, actividades de fomento da lectura, xornadas profesionais, traballos do catálogo e do carné único ou a compra de libros.

Desde a AELG expresamos o noso apoio e a nosa solidariedade cos escritores e escritoras catalás e denunciamos esta persecución sen límites contra a cultura catalá. Non existe ningún motivo, ningunha razón, ningún argumento legal nin paralegal, que xustifique unha actuación que é contraria a un sistema que se autoproclama democrático.

A AELG esixe que se poña fin á vixilancia especial contra estas institucións e o que é, de feito, unha persecución contra a cultura e a lingua catalás.

A AELG envía unha fraternal aperta ás e aos colegas da Associació d’Escriptors en Llengua Catalana e exprésalles o seu apoio na súa denuncia desta intervención inxustificábel.

23 de setembro de 2017

O Consello Directivo da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega (AELG)»

{mais informação na Associació d’Escriptors en Llengua Catalana}

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Samuel Pimenta na Crunha 2016 por Alfredo Ferreiro 1200px

“O canto da sereia”, por Samuel F. Pimenta

Samuel Pimenta na Crunha 2016 por Alfredo Ferreiro 1200px«[…] Apesar de todo o reconhecimento da Galiza como parte fundamental — e genética — da Língua Portuguesa, não é a legitimação estatal e institucional a definir a importância daquele território no seio da história e do futuro da nossa Língua, até porque tais reconhecimentos são, frequentemente, motivados por movimentos estratégicos, que facilmente podem conduzir à instrumentalização em função de agendas de interesses. A Galiza já era indispensável para a consciência linguística do português antes de todo o reconhecimento institucional dos últimos anos, reconhecimento esse que considero importante, mas jamais um substituto das relações vivas que sempre existiram entre galegos e outros falantes da Língua, nomeadamente com os portugueses. Sabemos como os Estados tendem a apropriar-se da memória, e a CPLP é, antes de mais, uma representação dos Estados, por isso lembro que os Estados e as instituições só se viram na inevitabilidade de reconhecer o valor da Galiza para o português porque, antes de nós, homens e mulheres, durante séculos de História, resistiram para que a memória da Língua não se perdesse — e continuarão a fazê-lo. A adesão da AGLP à CPLP é apenas mais um ponto na longa cronologia da resistência da Galiza dentro do Estado Espanhol. Sim, porque é disso que se trata, de resistência.

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Teresa Barro (Sermos Galiza): […] A Real Academia Galega está actuando como se non entendese que unha normativa non pode virar unha dogmativa, que normas e dogmas non son a mesma cousa e que as normas sempre se poden mudar e cuestionar porque non hai nengunha verdade ¨relixiosa¨ por detrás delas. Pensar que un determinado enfoque e unha determinada normativa da língua galega son sagrados e non se poden nen discutir é mais proprio dunha secta que dunha institución que non pode estar para dictar, expulsar, proclamar dogmas e aupar santos. E moito menos para perxudicar a Galiza con comportamentos que a deshonran e a fan parecer atrasada.

«Unha normativa non pode virar unha dogmativa»

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Renato Epifânio (Público): «[…] Dois anos após a sua aprovação, chegam-nos porém notícias preocupantes sobre a real implementação da Lei Paz-Andrade. A expansão do ensino da língua portuguesa – que foi de 850 no curso anterior para 1850 alunos no presente ano –, deveu-se exclusivamente à iniciativa dos pais dos alunos ou das entidades culturais privadas, sendo que o Governo Autónomo não transmitiu, a este respeito, qualquer instrução nem informação aos responsáveis dos centros escolares, parecendo assim não estar minimamente empenhado na real implementação da referida Lei. Quanto à rádio e televisão públicas, apenas se regista, para além das colaborações no programa “Aqui Portugal”, da RTP, a edição da banda desenhada “Os Bochechas”. Ignoramos se a RTP tem, a este respeito, alguma outra colaboração prevista.

Entretanto, fomos informados de que a candidatura do “Consello da Cultura Galega”, organismo público financiado pelos contribuintes galegos, ao estatuto de Observador Consultivo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), foi aprovada por unanimidade pelo Comité de Concertação Permanente da CPLP. Constatando que esta entidade tem defendido publicamente que “a língua galega é independente da língua portuguesa” (sic), perguntamos que sentido faz aceitar na CPLP uma entidade que promove o isolacionismo, ao invés da convergência linguística e cultural com os restantes países e regiões do espaço lusófono. A nossa perplexidade é tanto maior porquanto, em 2011, como então denunciámos, Portugal vetou a candidatura da Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa – esta sim, uma verdadeira instituição da sociedade civil e realmente pró-lusófona – ao mesmo estatuto de Observador Consultivo da CPLP.»

«A farsa galega: sobre a implementação da “Lei Paz-Andrade”»

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Manifesto O fim do Apartheid

“O fim do Apartheid” na Corunha

O manifesto “O fim do Apartheid”, em favor de maior tolerância gráfica para a língua galega, continua ganhando adesões. São já por volta de 1.100 pessoas preocupadas com a decadente deriva da cultura, reintegracionistas ou não, que têm apoiado o texto com sua assinatura consciente. Porque este manifesto, não tendo que ser por razões de estilo igualmente satisfatório para tod@s, tem a incontestável virtude de ser muito claro no que às suas intenções diz respeito: reclamar o fim da invisibilidade para uma perspetiva da língua que tem sido marginalizada nas últimas décadas embora alguns dos maiores vultos da intelectualidade do país tenha erguido no seu seio grandes obras e o galeguismo referencial do século XX tivesse reconhecido a sua pertinência.

No passado 17 de novembro os avanços do manifesto fôrom apresentados na Corunha, contando com a presença do professor da Universidade da Corunha Xosé Ramóm Freixeiro Mato e da poetisa Eli Rios. O debate posterior não eludiu ressaltar algumas incoerências do mundo cultural galego, mas decorreu no ambiente de fraternidade e respeito que só @s mais conscientes dos crus tempos que vivemos sabem alimentar. Como dizia meu avó, lavrador de trás-Deza que houvo de fazer vida na Corunha de pósguerra: «Paciência, ratos, que ardeu o moínho». E diria eu: daí para diante tod@s a ajudar.

{Palavra comum}

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