Estudos sobre temas antigos, de Henrique Marques-Samyn

Estudos sobre temas antigos, poemas de Henrique Marques-Samyn

«Estudos sobre temas antigos», poemas de Henrique Marques-Samyn

Em Estudos sobre temas antigos o poeta assume a sacralidade do mito criando um discurso de carácter sálmico mediante diálogos e descrições de cenas de alto valor sapiencial. Recupera os «temas antigos» e recria uma atmosfera colorida com pinceladas de intensa emotividade, numa atitude declaradamente mediúnica que logra nos situar, através de um estilo profano e antigo, perante uma sorte de achado arqueológico, como que descobrindo-nos textos de antiquíssimos manuscritos que transcrevessem uma coleção de esquecidos arcanos. Este é o valor do estilo que nos propõe: o jogo de escrever à moda de um mundo que já não é o nosso mas que —partilhamos com o escritor— gostamos de ver recriado porque nele encontramos um jeito de escrita que se apoia no ensinamento, no quadro de uma tradição milenária em que a intentio auctoris se traduz numa clara vontade de docere et delectare, implicando a existência de um mestrado e de conteúdos pedagógicos de grande profundidade. Não é outro o legado da literatura antiga, nascida num tempo em que tudo o que existe era interpretado como manifestação histórica do eterno espírito universal, e que usando um variado abano de alegorias vestia as obras com as roupagens de todo o panteão dos deuses para descrever as forças que influem no mundo.

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Estudos sobre temas antigos, poemas de Henrique Marques-Samyn

Estudos sobre temas antigos, poemas de Henrique Marques-Samyn

Estudos sobre temas antigos, poemas de Henrique Marques-Samyn

«Estudos sobre temas antigos», de Henrique Marques-Samyn

Com imensa alegria apanho na caixa dos correios o último livro do amigo Henrique Marques-Samyn, alguém que na distância transoceânica partilha as grandes certezas que só a poesia revela, certezas tanto mais grandes quanto mais prenhadas dos paradoxos misteriosos da vida. Leremos seu livro com vagar, no firme desejo apreender aquilo que o Henrique generosamente dispara ao alvo do que mais importa. Nossa gratidão vaia por diante, agora e sempre.

«O poeta Henrique Marques-Samyn, ao celebrar seu passado sob a espécie de confissão, e ao exprimir o orgulho de compartilhar as glórias de sua comunidade, constrói uma espécie de culto orgiástico, quando não meramente apologético, sempre a mirar a possível imago mundi. Para tanto, deverá cultivar a ortometria, maneira elegante de transmitir, mediante as palavras, a riqueza interior. Como se sabe, a poesia cuida especialmente do geral, enquanto a crônica, que lida com o tempo, concentra-se no particular, partícula da História. O poeta se entrega à fulguração da palavra e também à ritualização do espetáculo sobrenatural. Henrique Marques-Samyn ousa apresentar ao leitor contemporâneo, vítima da cultura massificada pela indústria e pelos apelos da urgência, uma coletânea de Estudos sobre temas antigos. E o faz conscientemente, sob o competente registro do poético. Prefácio de Fábio Lucas e apresentação de Ivan Junqueira. »

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